sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Maria Lucília Teixeira Mendes em entrevista

Os ciclos de entrevistas continuam agora com um dos casos em que o autor responde à totalidade das questões; isto é, fala sobre um livro e sobre um texto vencedor da votação do público.
A dada altura da entrevista a autora, de 67 anos, vai referir que para ela as redes sociais têm nome, são pessoas concretas... Podemos atestar isso. O primeiro contacto com ela foi logo na nossa segunda colectânea, ela não participou, mas participou um amigo. Ao enviar o voto (pelo correio) enviou também alguns dos seus poemas, para pedir, muito timidamente, a nossa opinião. Não se pode mentir a um autor e dizer-lhe que o trabalho não presta! Desse lote do poemas já quase todos foram publicados em colectâneas seguintes e sempre com muita apreciação (e votos) por parte dos leitores. Curiosamente acabou por ser ela a ganhar o prémio para os votantes... A colectânea seguinte era de contos e ela até tinha dado a forma de conto a um episódio da infância. Encorajada pelo mesmo amigo, resolve participar, mas o computador não estava para aí virado e acaba por ser o amigo a tratar da fase inicial da participação. E passou de votante premiada a premiada pelos votantes, pois teve o texto mais votado pelos leitores...
Com este voto de confiança, avança, um pouco a medo, para as suas "Memórias de Almendra", recebe o livro pouco tempo antes da sua Vouzela natal e da sua Almendra adoptiva serem atingidas com violência pelas chamas. Em Vouzela usa os livros para obter verbas para aquilo a que ia sendo preciso acudir e já no ano a seguir quando vai a Almendra para apresentar o livro, emociona-se com a emoção de quem a recebe e oferece os livros a quem ainda sofre os efeitos destruidores do fogo.
- Na nossa pequenez distinguimos tanta generosidade com um exemplar em capa dura do seu livro. -
Não temos por hábito fazer introduções tão longas, mas por vezes deparamo-nos com pessoas que são maiores do que a vida...
Maria Lucília Teixeira Mendes com a sua muito típica, e genuína, voz:


  Conte-nos como e porquê começou a escrever, por paixão ou por necessidade?

Comecei a escrever apenas porque me apeteceu. Um pouco para extravasar o que me ia na alma. Porém, o primeiro escrito lido em público surgiu a pedido, para homenagear uma pessoa que se tinha aposentado. Este escrito, foi precedido pelo primeiríssimo que apareceu só porque sim: tinha morrido uma gatinha que eu tinha protegido. Imediatamente antes da morte, e depois de longas horas em coma ou semi-coma, o meigo animal agradeceu os cuidados que lhe prestei e despediu-se com o seu último rom-rom. Isto sensibilizou-me a tal ponto que, ao voltar do seu enterro, as quadras em homenagem à gatita vinham em enxurrada… Até já me cansavam. A estes versos chamei mesmo “Último rom-rom”.
Ora, uma vez que tinha feito algo assim, de modo espontâneo, decidi aceder ao pedido da Diretora do meu Agrupamento de Escolas que queria um poema para a tal homenagem e que eu não estava nada disposta a fazer por nunca ter feito nada de semelhante. Se tinha homenageado a gata, com mais razão havia de homenagear a recém-aposentada que tinha sido Auxiliar no meu Jardim de Infância. Como no decorrer dos anos fui sabendo algo da sua vida e da sua maneira de ser, servi-me deste conhecimento e escrevi uns quintetos que depois li na inauguração da biblioteca escolar remodelada e na presença de algumas entidades que elogiaram os versitos. Foi uma espécie de alavanca… O reforço positivo de que todos, por vezes, necessitamos… 
No caso de “Memórias de Almendra”, surgiu de modo inesperado como eu conto no mesmo livro. Bastou um clic: umas flores de primavera que fizeram despoletar memórias que estavam no fundo de gavetas mais ou menos fechadas…
Guardei esses versos durante alguns anos, mas gostava de os mostrar a pessoas amigas. Essas pessoas diziam-me sempre: porque não fazes um livro?
Se por um lado, tinha pena que as folhas impressas fossem parar ao lixo depois da minha morte, por outro, acontecia-me um pouco como no caso do poema à Auxiliar de Educação:” será isto capaz de um livro? Terá algum interesse? Como o vou fazer?”.
Como acontece com tantas coisas na vida, quando nada o fazia prever, caiu-me no colo a Editora “Tecto de Nuvens”. Foi a Dra. Teresa Cunha que me encorajou e deu cumprimento ao sonho que ia ganhando forma dentro de mim: escrever para os outros; não apenas para ficar na gaveta à espera de ir um dia para o lixo…
Quando tive nas mãos o meu primeiro livro, tão pequenino, mas com tanto coração, só pude exclamar: “é tão pequenino, o meu menino! Mas é tão bonitinho!” foi como ver um bebé recém-nascido. Foi emocionante!
Mas nem imaginam o trabalho que dei à editora e quanta paciência ela teve de ter comigo…
Até a capa me emocionou. Tinha lido há pouco a biografia de Van Gogh. Não conhecia aquela sua pintura e achei-a tão linda! Tão oportuna!


  Qual o papel que a escrita ocupa na sua vida?

Escrevo quando me apetece.
Mal comecei, tenho-me dedicado a pôr no papel, ou no computador - o que nem sempre dá resultado, porque ele se encarrega de me fazer desaparecer escritos que eu gostava de colocar em livro e que já não consigo reproduzir – memórias da minha infância e da minha pequena aldeia. São coisas que desapareceram num curto espaço de tempo e das quais já ninguém se vai lembrar daqui a dois ou quatro anos…
São história; são cultura; são pessoas e acontecimentos…
É curioso que é quando por lá estou, no verão, que essas memórias me veem à lembrança. Sobretudo à noite! No silêncio, cada vez mais profundo e que começa ainda de dia, porque já lá há tão pouca gente. Sem crianças e sem animais que lhe deem vida… Revivo e revejo pessoas, acontecimentos, espaços, vivências de outro tempo…
Gostava de ter muito jeito, muito tempo diário e muitos anos pela frente para poder escrever tantas e tantas coisas!...


  Sempre sonhou publicar um livro?/Publicar um texto num livro?

Esse sonho só ganhou corpo depois de ver o que ia escrevendo. Mas dá trabalho e requer o tempo que eu não tenho.

  Qual é a sensação que tem ao ver, agora, o seu livro nas mãos?/O que significa para si ter o texto favorito dos leitores?

É a sensação de que já falei em cima: é como ter nos braços um recém-nascido e olhá-lo pela primeira vez com a mesma ternura de uma mãe. Ao mesmo tempo, vem a vontade de aperfeiçoar e completar o que está feito, já que há sempre lugar para melhor e ficou tanto por dizer.
Esta sensação teve o seu expoente máximo no dia da apresentação do livro na terra que lhe deu origem e à qual se refere. Não imaginava que as palavras tão simples nele contidas, pudessem ter o eco que tiveram na boca do jornalista Alfredo Mendes -que o apresentou na sua terra que é um pouco minha também - com tanta competência, com tão profundo sentido da compreensão do coração humano e com tanto saber. E o engraçado e surpreendente, foi que esse senhor que eu não conhecia, é filho do Senhor Mendes que eu conheci e a quem me refiro na pequena obra.
O livro com que eu não tinha verdadeiramente sonhado, fez de mim uma rainha em Almendra nesse dia. E porquê? – Porque um jovem Presidente de Junta – o senhor João Afonso - se preocupa em dar ao seu Povo momentos de enriquecimento cultural. Escolheu o dia de Almendra para a apresentação do livro, porque ele foi o primeiro a conhecê-lo e a valorizá-lo. Isso lhe devo. Aquele livro saído do meu coração, falou ao coração da gente de Almendra. Era como se eu tivesse regressado a casa…

No que toca ao texto favorito dos leitores, foi para mim uma surpresa ter sido ele o eleito. Penso que a leveza com que está descrito o seu conteúdo e a alegria que transmite, deve ter feito rir os leitores. É bom: todos precisamos de coisas que nos alegrem e tornem a vida menos pesada mesmo se por pequenos instantes.

Tem algum projecto a ser desenvolvido, actualmente? Pensa publicar mais algum livro? Continua a sentir vontade de escrever?

Vontade de escrever, eu tenho… E vou escrevendo. Gostava de publicar algo sobre a minha terra para que os vindouros pudessem ter alguma noção do que os precedeu. Eu própria gostava de saber coisas que não estão escritas em qualquer lado. E tenho pena. O passado é muito importante para a compreensão do presente e para a construção do futuro. Um povo sem memória autodestrói-se. Vive perdido. Não tem consciência de si. Perde ou não constrói a sua identidade. Nós não surgimos de geração espontânea, nem sequer como os cogumelos…
Alguém me disse um dia a brincar: “escreva as suas memórias”. Cada vez tenho mais consciência de que as memórias que vou escrevendo não são só minhas. Nem só para mim. Elas podem servir a comunidade e enriquecê-la mais. Poeriam vir a constituir algo de parecido com património histórico.

  Fale-nos um pouco sobre o seu livro. /texto*.
*--O que inspirou o seu texto (indique se é conto ou poema)?

Como não li as perguntas todas antes de começar a responder, agora fico um pouco atrapalhada… Pois, o meu livro é um poema elaborado ao meu jeito. Sem pretensão, sem vaidade. Tentei dar-lhe forma e sentido. Quis que fosse entendido. Quis que fosse conhecida a terra onde a ação – se é que a há – se desenrola. Sobretudo, queria que os novos de agora soubessem como era a infância daquele tempo. A das outras crianças não era muito diferente da minha. A diferença pode estar no facto de eu ser uma espécie de refugiada numa terra estranha por a família se ter desmoronado com a morte do pai. Mas soube agora que, enquanto eu morria de saudades e não conseguia fazer o luto, outra menina minha coleguinha nesse tempo e nessa terra, tinha perdido a mãe, o que me parece bem pior.
O livro tenta retratar a realidade daquele tempo e naquele contexto sociogeográfico. A vida não era fácil para ninguém. Também não o é para as crianças de agora. Têm o que nós não tínhamos mas são, muitas vezes, órfãs de pais vivos. E com uma escola que não as deixa ser crianças. Não têm tempo para si.

No caso da participação nas coletâneas acima mencionadas, os contos são histórias de vida às vezes ficcionadas. São memórias reinventadas. São como que um flashback que nos transporta para realidades que não podem ficar esquecidas.
Uns e outros têm, por vezes, algo de autobiográfico. É o caso, por exemplo, do conto “Automá-ti-co-co-o-o-” narrado na coletânea “Em tons de valsa aguarela fogo. O episódio aconteceu de facto. Ficou na memória de todos e, na verdade, ainda hoje riem do meu vestido de seda em contraste com as sandálias de pneu grosseiro. Até estas sandálias estão ligadas a Almendra. Foi lá que o meu avô as mandou fazer assim para calcorrear os catorze quilómetros de estrada e as pedras ásperas dos atalhos que tinha de percorrer para ir e vir da escola. Riem também da minha certeza de vencer que acabou em “chape” no charco…
Este conto tem a intenção de trazer para o presente vivências que as nossas crianças de agora já não podem ter. A superproteção e os cuidados de que são rodeadas, muitas vezes por razões óbvias, impedem-nas de viver a liberdade com que nós vivíamos; a espontaneidade com que inventávamos brincadeiras, hoje impensáveis. Certamente o leitor deste conto, adulto ou não, poderá divertir-se com este episódio hilariante. Os elementos da natureza trazidos para a narração não são simplesmente decorativos: mas dão-lhe beleza e vida.
Ao mesmo tempo, o trama situa-nos num contexto sociogeográfico onde os costumes ganham forma e cor, apesar de apenas com rápidas pinceladas.
Exemplo disso, o cadenciar do tempo marcado pela passagem dos comboios, os rituais religiosos, a corrida das crianças para o apeadeiro onde, um químico velho ou uma lapiseira gasta, representavam um tesouro pelo qual se devia lutar…

  Existe alguma parte do livro, em particular, de que goste mais. Porquê?

É difícil responder a esta pergunta. É como perguntar a uma mãe se gosta mais das orelhas ou do nariz do seu filho… Nem sequer pensei nisso. Um dia alguém perguntou a uma criança se gostou de ir à escola. Ela respondeu: “gostei de ir e gostei de vir; só não gostei da parte do meio”.
Claro que gosto do meio – do miolo – do meu livro. Mas gostava de me referir ao início e ao fim.
Ao início, porque quis que a mãe, os avós, os manos, não fossem excluídos. Há uma falha: grave. Esqueci-me da minha avó paterna. O avô, esse ,eu não o conheci e o meu próprio pai talvez não o recordasse. Ele e os irmãos também ficaram sem pai em pequenos. Mas tinha a foto da minha avó. Devia tê-la colocado. Ela merecia. Ela sofreu a perda de um filho: esse filho que era o meu pai.
O fim do livro traz-me as lágrimas aos olhos. Sem me dar bem conta disso, a presença do meu avô materno está disseminada por aquelas páginas. Mas é no final que eu o vejo com mais clareza. O meu avô: aquela mansidão de homem. Aquele homem que morreu pobre, pobre, porque tudo o que conseguia ganhar era para ajudar a criar os netos órfãos. Aquele avô tão terno, tão doce, tão sensato e prudente de quem toda a gente gostava. O avô das minhas Memórias de Almendra.
Como eu gostava que ele pudesse ler este meu livro!
Ele era o meu “avô quelido” como dizia uma das minhas irmãs. Eu era a menina dos seus olhos. Tão querido, que ainda hoje gosto de todos os avôs. E como eu gostava que todas as crianças de hoje pudessem ter este relacionamento com o seu.

  Indique as razões pelas quais aconselharia as pessoas a ler o seu livro/texto? O que acha mais apelativo no seu livro/texto?

Estas respostas vão-se tornando cada vez mais difíceis!
Gostava que fossem conhecer a vila de Almendra com os seus encantos. Que conhecessem a sua história e as suas gentes. As suas lindas amendoeiras… Que soubessem interpretar os acontecimentos/vivências presentes, à luz do passado. Que soubessem apreciar os bens que temos e que proporcionamos às crianças do nosso tempo. Que estas fossem capazes de valorizar o que lhes é dado e de o rentabilizar para a sua formação como cidadãos conscientes e livres, capazes de não adormecerem à sombra do muito que possuem. Homens e mulheres capazes de deixar aos vindouros uma herança de bem. Uma herança feliz, cuja felicidade não está no material, mas no bem que conseguimos fazer em prol dos outros e de uma sociedade mais justa e equilibrada. Gostava que este livrinho e o outro texto que escrevi ajudassem a todos a crescer na construção da sua vida a partir das vicissitudes que ela traz a todos, sem lamentações nem recriminações… Do que é menos bom, podemos tirar sempre um bem e reaprender a vida.

  Qual é o seu estilo de escrita ou que tipo de mensagem gosta de passar no que escreve?

Como responder? Penso que já disse tudo. O meu é um estilo simples. Direto. Sem artifícios nem rebuscamentos. Penso que todos me entendem e é isso que eu quero. Nem sei fazer de outra maneira.
Gosto de passar uma mensagem de alegria. Mesmo que certas circunstâncias da vida nos entristeçam, esta tristeza não atinge o âmago de nós mesmos. No fundo, o mar é calmo. É só à superfície que o mar se agita. E não é sempre. De tudo o que nos acontece na vida se pode tirar uma lição. Tudo pode servir para nos fazer crescer por dentro. Tudo nos pode trazer a capacidade de entender e desculpar os outros. Mas isto demora a descobrir: é um trabalho pessoal. Não o aprendemos quando os outros nos dizem que é assim. Aprendemo-lo depois de batermos contra a parede ou depois de esmurrarmos os joelhos contra o chão. E, mesmo assim, só depois de algumas esperneadelas…

  Qual o papel das redes sociais na vida e na divulgação da obra de um autor? E na sua?

Redes sociais? Só conheço aquelas que têm nomes: Joana, Manel, Laurinda… - As outras só me têm servido para perder algum tempo. Até porque não passo de uma aselha na sua utilização. Gastam-me o tempo e levam-me o dinheiro…
Na divulgação de livros não me servem de nada. Não sei utilizá-las nem tenho apetência para aprender. Tenho tanto, tanto em que me ocupar… Nem saberia a quem me dirigir, nem como… Isso até me desanima.
Gosto mais daquelas redes sociais em que não é precisa a palavra-passe.
Outros autores, sim, acreditam que se sirvam delas com eficiência.

  Gosta de ler? Que tipo de leitor é que é?

Aí está. Um livro. Basta abri-lo! É fácil!
Sempre gostei de ler. Mal aprendi a técnica de leitura, nunca mais parei. Perdia-me na leitura.
Ler, foi a descoberta mais maravilhosa da minha infância! Lia tudo! Tudo era mesmo tudo. Mas o tudo daquele tempo era pouco. Depois de terminada a antiga quarta classe, ainda voltei muitas vezes à escola para pedir à professora livros para ler em casa. Penso que terminei quando o pequeno armário escolar, com portas de vidro, já não tinha mais nenhum para me oferecer.
Depois, na altura dos estudos, lia o que precisava para aprender. Durante o exercício da profissão, lia também o que necessitava para o seu exercício e outros livros que me interessavam.
Li muitas biografias, memórias, obras de alguns escritores consagrados, documentários… Revistas temáticas… Livros de carater histórico, poemas…
Hoje retomei a leitura. Procuro coisas atuais, mas também da história passada: por exemplo “Communio”, revista internacional católica com temas de atualidade, “Saltei o muro” de Mónica Baldwin , “Napoleão Bonaparte” de Emil Ludwig , “A Rainha dona Amélia” de Isabel Stilwell , “A Bailarina de Auschwitz” de Edith Hger, “Queimada viva” de Marie Thérèse Cuny, “Os Bichos” de Miguel Torga, “A saga de um pensador ” de Augusto Cury e outros…
Também gosto de ler os livros que diariamente passam diante de mim: as pessoas. Essas ensinam mesmo muito, embora nem sempre da melhor maneira. Esses livros têm muitas vezes, palavras-passe muito complicadas… e estão constantemente a trocá-las…
E, para terminar, sabem quem me incentivava a ler? – O meu querido avô Justino! Ele também gostava de ler, embora só tivesse feito a primeira classe
Era considerado muito inteligente. Ele dizia que, para ser médico, só lhe faltavam os últimos estudos. Os primeiros, já os tinha há muito tempo. E tinha razão.
Também os meus primeiros estudos começaram nos bancos inclinados das carteiras com tinteiros de porcelana branca; nos textos que me eram oferecidos pelos antigos livros de leitura - mesmo se com determinadas tendências próprias da época – (hoje há outras…), nas brincadeiras do recreio que se prolongavam na liberdade das ruas e recantos da aldeia.




Em tons de Valsa aguarela-fogo - Colectânea de Contos – Vários autores
128 páginas, capa mole; Tecto de Nuvens, 2017, PVP 12€
Dez autores, quinze contos para todos os gostos e para todos gostarem… Estórias baseadas em factos reais, contos fantásticos, contos infantis e tudo aquilo que possa estar entre estas classificações… Contos para entreter, contos para aprender, contos para meditar e (porque não?) contos para contar… Leia e divirta-se!





Memórias de Almendra, Maria Lucília Teixeira Mendes
68 páginas, capa mole; Tecto de Nuvens, 2017, PVP 9€

As memórias que aqui se apresentam nasceram duma saudade de Almendra que sempre ocupou um cantinho do meu coração. Não escrevi para outros lerem, mas apenas para mim. Porque me apeteceu. Porque tudo estava gravado e aprisionado na minha mente e precisava de ser solto. (…)
Desejo tão só dar a conhecer um pouco da minha Almendra e despertar curiosidade e vontade de a conhecer na actualidade como fruto do passado que a trouxe até aqui.


Ambos os livros estão disponíveis na nossa loja online e também nas principais livrarias online nacionais e internacionais.
Pode contactar-nos para pedidos ou informações adicionais pelos emails: loja@tecto-de-nuvens.pt e informacoes@tecto-de-nuvens.pt ou pelo 960131916

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Nova colectânea de contos de tema livre - Regulamento

Colectânea de Contos Livres (Abril 2019) -: Regulamento geral de participação.


Para ajudar os autores (tanto os novos como os “habituais”) a estruturarem as suas histórias vamos relembrar que por em Conto consideramos uma narrativa breve, fictícia ou baseada em factos reais, que conta situações rotineiras, engraçadas, interessantes. A linguagem deve ser directa, as personagens em número reduzido e com perfis bem definidos, mas sem necessidade de deduções complexas ou de profundas análises psicológicas. Mais do que noutros géneros literários é preciso ter bem a noção de: princípio, meio e fim, que aqui será uma introdução/apresentação, desenvolvimento da trama e conclusão.
Sendo assim, há elementos que devem constar, com alguma clareza, no vosso trabalho: espaço ou cenário; existir uma ou mais personagens (com uma descrição breve mas de fácil percepção “João tinha 76 anos e desde que se tinha reformado gostava de se levantar cedo e ver o sol nascer enquanto tomava o seu café com leite.”) acção e resolução (o mesmo que conclusão/mensagem). Voltamos a repetir, a história pode ser baseada tanto em eventos reais como ser completamente ficcionada.

Apesar de haver liberdade artística e criativa para desenvolverem as vossas histórias, estas destinam-se a um público abrangente, por esse motivo os autores devem abster-se de escrever conteúdos que possam ser entendidos como incentivos a práticas criminosas, conteúdos ofensivos à liberdade de crença ou de convicção política; implicar qualquer tipo de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional ou regional, etc.
- Para aqueles que não estão habituados a trabalhar com a Tecto de Nuvens, estes critérios estão sempre presentes quando avaliamos os trabalhos que nos enviam (não, não publicamos tudo o que nos é enviado) e, como poderão verificar, há sempre um disclaimer na ficha técnica dizendo que os conteúdos são da responsabilidade do autor. Esta informação serve tanto para terceiros poderem pedir autorizações relacionadas com a obra, como para, apesar de poder parecer óbvio, lembrar que cada autor escreve a sua opinião.
Neste caso específico, em que se pretendem juntar vários contos, convém que haja especial cuidado ao harmonizar conteúdos para que todos os autores beneficiem da oportunidade de chegar a um maior número possível de leitores. Neste sentido fica também a sugestão para que se evitem os palavrões (em algumas plataformas online este tipo de conteúdos é proibido, noutros implica o livro ser qualificado como “para adultos”; para um eventual uso académico/escolar, também não é conveniente). -

Cada conto deve ter um mínimo de 4000 caracteres (inclui espaços) ou 4 páginas 21,5 x 14,5 cm (altura x largura), margem superior, inferior e direita de 1,8 cm, margem esquerda, 2 cm.
Tipo de letra: Garamond (tamanho 13), alinhamento justificado. Os contos não devem exceder os 15 000 caracteres (incluiu espaços) ou 12 páginas com as características descritas acima.
Biografia e bibliografia devem ocupar um espaço máximo (combinado) de 2 páginas
- Cada autor pode participar com um máximo de 3 contos.

- Os textos podem ser inéditos ou já publicados (desde que detenham o copyright © deles) e devem vir acompanhados de uma declaração de honra em como são de vossa autoria. – Se participarem com mais do que um texto devem identificar na declaração o título de cada um. – Para além da declaração de autoria, os textos devem vir acompanhados de 1 página com a vossa biografia (que deve incluir a bibliografia, se a houver) actualizada, bem como os vossos endereços nas redes sociais, site, blogue, etc.
- Autores menores de idade necessitam que a permissão para participação e publicação seja assinada por um dos pais ou pelo encarregado de educação.

- Os textos deverão ser escritos em Português, tendo cada autor liberdade para escolher qual o Acordo ortográfico pelo qual se vai reger.

 - Vamos receber os textos para a colectânea de tema livre até 22 de Fevereiro de 2019 e até 28 de Fevereiro necessitamos que os autores estejam disponíveis para as últimas revisões e acertos, dado o livro seguir para impressão até 8 de Março de 2019.
O livro vai ter lançamento oficial no dia 23 de Abril de 2019, dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, mas quanto mais cedo se iniciar a pré-venda melhor, aproveitando as férias da Páscoa, Domingo de Ramos, etc.

 - A cada autor será cobrada uma inscrição para ajuda da arte da capa e despesas de envio (cada autor receberá 1 exemplar do livro por texto publicado).
1 conto = 8€
2 contos = 12,00€
3 contos = 15,15€

 - Os pagamentos só serão solicitados quando se atingir o número mínimo de textos para possibilitar a edição. Receberão factura pelo pagamento, os valores já incluem IVA. Os autores podem usar os seus créditos tanto para pagar a inscrição como a compra de livros.

 - Por cada livro vendido, retiradas as comissões e outras despesas inerentes às vendas, o lucro obtido (varia conforme a comissão do local de venda/distribuidor) será dividido da seguinte forma: 50% para a Tecto de Nuvens, 50% a dividir por cada texto publicado. Exemplo: Lucro de 2€; 1€ para a Tecto de Nuvens; 1€ a dividir por todos os textos (40 textos, por exemplo), o que dá 0,05€ por texto. Uns autores receberão 0,05€, outros 0,10€ e outros 0,15€ consoante o número de textos que publicarem. À semelhança do que acontece com os outros livros, os relatórios de vendas serão trimestrais e os pagamentos seguem o mesmo princípio do dos outros livros.

 - O número de exemplares a publicar será uma decisão da Editora e será comunicado em devido tempo.

 - O preço de venda ao público da obra será definido pela Tecto de Nuvens, tendo em conta o número de páginas da obra editada. 

 - O título do livro ficará a cargo da Editora, em princípio a escolha será feita entre os títulos dos textos a publicar.

 - Os autores poderão adquirir mais livros do que aqueles que vão receber pela participação na colectânea. Terão desconto sobre o PVP em packs e livros individuais (valor a divulgar oportunamente) adquiridos em pré-edição e de 15% em livros adquiridos após a publicação (lembramos que ao abrigo da Lei do Preço Fixo durante os primeiros 18 meses após a publicação só em circunstâncias especiais os descontos podem ser superiores a 10%). As compras em pré-edição terão de ser feitas e liquidadas até aos prazos previstos para envio para edição, que serão comunicados/confirmados em devido tempo. Os autores recebem, naturalmente, comissão sobre os livros que adquirirem.

- Os direitos autorais das colectâneas pertencerão à Tecto de Nuvens, com a salvaguarda de que os direitos autorais dos textos pertencerão aos seus respectivos autores (ou representantes autorizados, conforme aplicável); ou seja os autores não cedem os direitos de autora à Editora, podendo utilizar o trabalho editado noutras edições que achem pertinentes.

- Todos os autores assinam permissão de impressão.

- Os autores que assim o desejarem podem colocar no final do livro publicidade aos seus livros, de acordo com a nossa tabela (quem já não tiver a tabela pode solicitar uma nova). Nota: como o miolo do livro será impresso em escala de cinza a opção da publicidade a cores não está, como é óbvio, disponível.


Voltamos a lembrar que podem esclarecer qualquer dúvida através do email informacoes@tecto-de-nuvens.pt ou pelo 960131916. 

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Vencedor de entre os votantes do texto favorito do livro "Natal, Natais"


Já foi feito o sorteio do Totoloto de 2 de Fevereiro de 2019 e o número da sorte foi o número 2. Sendo assim, seleccionámos para o nosso sorteio o número 2 e todos os números terminados em 2. O número vencedor foi o número 2 e a feliz contemplada foi Helena Sousa.
Os nossos parabéns ao vencedor e os nossos agradecimentos aos participantes desta votação. O prémio será entregue muito em breve.



sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Livro "Natal, Natais" - texto mais votado pelos leitores



Encerradas as votações e contados todos os votos, que muito agradecemos, temos um texto vencedor: "Já nasceu o Deus Menino", de Noémia Silva Dias. Os nossos parabéns à autora.
Classificação final:
1º- "Já nasceu o Deus Menino"
2º- "Natal Natais"
3º- "Berço de Ouro"

Obrigada a todos os autores pelos seus textos e pela divulgação da colectânea e muito obrigada a todos os que votaram e boa sorte para o sorteio de amanhã!
Fica aqui o poema vencedor:
Já nasceu o Deus Menino

Sigo a estrela até ao destino
Tal qual um peregrino,
Lá longe toca o sino
Já nasceu o Deus Menino.

Ao doce som do violino
E de um brilho cristalino,
Neste espírito natalino
Já nasceu o Deus Menino.

Ser indefeso e pequenino
Milagre, esperança e fascino.
Traz a salvação, imagino!
Já nasceu o Deus Menino.

Fruto de um amor divino,
Amor eterno e genuíno
Por todo o mundo um só hino:
- Já nasceu o Deus Menino!
- Já nasceu o Deus Menino!

Caso ainda não tenha a colectânea a tenha ficado com vontade de a ler, esta está disponível na nossa loja online e nas principais lojas online nacionais e internacionais.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

António Jesus Cunha em entrevista


Continuam as entrevistas e fecha-se mais um ciclo de 3, agora com António Jesus Cunha, 73 anos, jornalista e escritor.
Conhecido pelos seus artigos e pelas suas crónicas, muitas delas a originarem alguns dos seus livros, também publicou ensaio e poesia.
Participou em todas as nossas colectâneas, conto e prosa, e foi o mais recente vencedor do texto favorito do público. O seu conto Um cão chamado “Não-se-diz”, da colectânea de contos infantis "Pirilimpãopum", foi o mais votado pelo público.
É sobre esse conto, que é uma memória do Portugal do pós II Guerra Mundial que nos fala, deixando, também, pistas para novos trabalhos.




  Conte-nos como e porquê começou a escrever, por paixão ou por necessidade?
Desde criança fui sentindo alguma facilidade em escrever. Na adolescência, talvez pela leitura de poetas consagrados, fui ganhando alguma apetência pela poesia. Nos meus planos, esteve um romance que iniciei pelos 18 anos e que nunca concluí. Com o decorrer dos anos fui publicando alguns livros. Como jornalista, nos milhares de artigos que escrevi, tive sempre a preocupação de nunca faltar à verdade; procurei sempre ser objetivo, não confundindo as pessoas com os seus atos. Parte dos meus livros aborda questões de ordem social e religiosa, com a preocupação de lembrar/fomentar a prática dos grandes valores humanos. Como membro do clero da Igreja Católica, escrever torna-se um meio de fazer sentir nos possíveis leitores a certeza de que Deus os ama.

  Qual o papel que a escrita ocupa na sua vida?
Escrever para mim é um meio de realização pessoal. Sinto responsabilidade pelo que escrevo e entendo que a capacidade de escrever é um dom que deve ser posto ao serviço da sociedade.

  Sempre sonhou publicar um livro?/Publicar um texto num livro?
Sim. Cedo entendi que escrever bem não é fácil, mas é aliciante.

  O que significa para si ter o texto favorito dos leitores?
É sempre agradável ver um texto/artigo publicado. Neste caso concreto, foi uma simpatia que muito me sensibilizou.

  Tem algum projecto a ser desenvolvido, actualmente? Pensa publicar mais algum livro? Continua a sentir vontade de escrever?
Penso publicar mais alguns livros, nomeadamente concluir o meu “romance”.

  Fale-nos um pouco sobre o seu texto.
O meu texto, um conto infantil, procura ser uma pequenina “memória” dos tempos muito difíceis vividos em Portugal em consequência da II Guerra Mundial.

  Existe alguma parte do livro, em particular, que goste mais. Porquê?
      O sentido de solidariedade e partilha do João em relação ao seu companheiro de escola, o Moisés, considerado a criança mais pobre da aldeia.

  Indique as razões pelas quais aconselharia as pessoas a ler o seu livro/texto? O que acha mais apelativo no seu livro/texto?
Uma boa parte dos portugueses não tem nem memória nem consciência das dificuldades causadas pela II Guerra Mundial.

  Qual é o seu estilo de escrita ou que tipo de mensagem gosta de passar no que escreve?
Ao longo dos anos, fui desenvolvendo alguma capacidade de síntese. Procuro escrever de forma simples, não fechada, de forma a deixar uma mensagem de esperança.

  Qual o papel das redes sociais na vida e na divulgação da obra de um autor? E na sua?
Este é um assunto complexo. A divulgação, por exemplo de um livro, nas redes sociais é sempre importante. Já a promoção de um livro - de modo que tenha êxito de vendas - necessariamente passa por outros canais. No meu caso concreto, dei notícia da publicação de alguns dos meus livros, sem daí tirar grande proveito.

  Gosta de ler? Que tipo de leitor é que é?

Sou um leitor normal. É necessário ler… muito. Mas não ler por ler. A leitura é uma ferramenta indispensável para adquirir conhecimentos, como forma de enriquecimento pessoal. Também como forma de entretenimento. Continuo a pensar na importância do livro em papel. Tenho, como toda a gente, autores preferidos. Entre os clássicos: Santo António de Lisboa e Pádua.



Pirilimpãopum - Colectânea de Contos Infantis– Vários autores
120 páginas, capa mole; Tecto de Nuvens, 2018 (Junho), PVP 10,00€
“Era uma vez...” tantas vezes! Começam a atenção e a emoção: mundos fantásticos, semi reais ou tal e qual o nosso. Histórias que nos inspiraram antes e continuam a inspirar agora.
Jovem leitor, queremos que te divirtas com as nossas histórias, que as leias, que as partilhes, que aprendas. Foram todas pensadas para ti, escritas por avós, filhos e netos que gostam de contar histórias e de partilhar saber.






Disponível na nossa loja online e nas principais livrarias online nacionais e internacionais.
Para encomendas e informações escreva para: loja@tecto-de-nuvens.pt

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Maria Saraiva de Menezes em entrevista


Continuamos as nossas entrevistas, agora com Maria Saraiva de Menezes, 47 anos. Esta licenciada em Filosofia coordena o ser esposa, mãe de 3 filhos e professora com uma forte actividade literária. Tem publicado em vários géneros e já com diversos prémios. Em Junho de 2018 passou ao papel (e também ao eBook) o seu projecto de 3 anos nas Redes Sociais onde todos os dias publicou um conto. As 1095 histórias publicadas têm múltiplas influências a começar, sem dúvida pelos locais e culturas que autora foi experienciando, do Porto onde nasceu, ao Minho onde viveu na infância e adolescência, aos anos que viveu em Macau e Lisboa onde vive desde 1991.
É sobre “História numa Garrafa” que nos fala, não deixando de referir o modo como os livros são trabalhados mesmo depois de já estarem publicados, bem como o modo como a leitura e a escrita se articulam na sua vida.

     Conte-nos como e porquê começou a escrever, por paixão ou por necessidade?
Aconteceu naturalmente, como quem descobre o caminho para a vida. Em criança, procurava livros e lia poesia, logo, acto contínuo, dava por mim a compor poemas. Encontrava nos livros a magia que não encontrava na vida. Ler era uma forma legitimada de sonhar. Um livro aberto era uma promessa de aventura. Hoje, ler e escrever são actos complementares na senda pela descoberta e o bem-estar emocional.

     Qual o papel que a escrita ocupa na sua vida?
O escritor Mia Couto diz que, em criança, pensava que tornar-se escritor era algo que acontecia, naturalmente, quando nos tornávamos adultos. É um pouco isso, mas sobretudo, um traço que releva da minha personalidade. Escrever é o que me acontece quando estou atenta ao mundo e também ao meu mundo interior. Como diz Miguel Esteves Cardoso, ‘preciso de pôr a vida por escrito.’ É assim, de certo modo, que o mundo se torna compreensível e organizado. Para mim, é também algo mais do que a simples organização e harmonia; é a partir de onde ensaio o absurdo, a loucura ou a lucidez, onde escrevo na primeira pessoa para sentir as dores da personagem e assim experienciar uma catarse; mas também onde escrevo na terceira pessoa para me afastar de dores muito próprias e memórias. Dar as nossas más memórias a personagens fictícias é uma forma de nos livrarmos delas. Escrever é poder tudo, ir a todo lado, ser muita gente de diversas formas, e também aquela coisa de ‘ser escandalosamente feliz’ porque escrever liberta-nos e dá-nos um presente que não sabíamos que tínhamos dentro de nós. É uma viagem permanente. Por isso, Fernando Pessoa dizia algo como não precisar de viajar, pois pela escrita fazia todas as viagens possíveis.

     Sempre sonhou publicar um livro?
É uma consequência de escrever. Publiquei 17 títulos dentre poesia, ficção, etiqueta, pedagogia e infanto-juvenis e participei com contos para adultos e crianças em livros colectivos, assim como em jornais e revistas literárias. Ter os livros publicados permite-me chegar às pessoas, fazer leituras públicas, entrevistas na rádio e na televisão (onde o maior interesse são, curiosamente, o meus livros de Etiqueta para adultos e para crianças), além de palestras em escolas, ateliês de etiqueta, sessões de poesia e horas do conto com sessões de autógrafos e momentos especiais com os leitores. Realizo a HORA DO CONTO em escolas e bibliotecas, com as minhas histórias infantis; sobretudo ‘leituras encenadas com fantoches’. Três dos meus contos infantis foram encenados e representados no Teatro Nacional D. Maria II e no Teatro Bocage.

Qual é a sensação que tem ao ver, agora, o seu livro nas mãos?
O livro impresso (termo genérico que inclui também os eBooks) faz parte do resultado do processo de escrita mas, de vez em quando, sou agradavelmente surpreendida com algumas distinções, que resultam em publicação como, por exemplo, o 1º Prémio Literário AICL Açorianidade 2013, com o livro «CHAPÉU DE CHUVA TRANSPARENTE, Crónica de um Amor sem Limites», entre outros pequenos prémios literários. Mas a publicação da ‘História numa Garrafa’ foi a cereja no topo do bolo. Começou por ser uma comunidade literária, com o mesmo nome, e há muito que os seguidores da página me perguntavam quando haveria livro impresso. O livro celebra a reunião das histórias para além do meio virtual. A Tecto de Nuvens fez um trabalho editorial irrepreensível, em que as histórias foram retocadas e levadas à exigência da perfeição absoluta, tal a qualidade profissional da revisão, onde não existe uma gralha nem uma falha; mas também devido à utilização de papéis ecológicos e de qualidade certificada (ISO). Por fim, a concepção gráfica da capa correspondeu totalmente ao solicitado e as badanas emolduram um livro sólido de 660 páginas. A melhor sensação de ter um livro na mão é poder passá-lo para outras mãos. 

     Fale-nos um pouco sobre o seu livro.
A "História numa Garrafa" começou por ser um ‘livro vivo’ numa página de Facebook onde publiquei uma história por dia, ao longo de três anos. Começou com o desafio, que coloquei a mim mesma, de escrever todos os dias sobre vários temas. Tinha por objectivo que cada história fosse tão pequena que não deixasse de ser lida; tão pequena quanto uma mensagem numa garrafa. E assim nasceu o título. A disciplina que tal tarefa me exigiu levou-me a um patamar onde fiquei mais desperta para as várias realidades, interiores e exteriores. Tornei-me permeável ao real. Deixei-me impressionar por tudo que me entrava pelo ‘poro’ da escrita. Entrei numa espécie de jogo vital em que valia tudo menos falhar a publicação diária. Por vezes, escrevia várias histórias por dia; outras, passava dias sem o fazer, mas a verdade é que, contas feitas, a história do dia era sempre auto-publicada à meia-noite, com fotografia de minha autoria. Esta disciplina potenciou mais do que um efeito de permanente desbloqueio; basicamente lançou-me num êxtase literário. Tudo o que se perfilava diante dos meus olhos passava pelo crivo emocional e resultava em ‘história engarrafada’. Penso que só consegui chegar tão além, isto é, 3 anos a escrever e a publicar uma história por dia, porque os meus queridos leitores me entusiasmaram e incentivaram. Publiquei a primeira história a 3/3/2015 e a última a 3/3/2018, com imensa pena de ter de parar por ali algo que me deu tanto. Nessa altura, contava com mais de 22.000 leitores e 1.095 histórias. Mas senti que era a hora de parar e reformular o processo. Tive, digamos assim, de meter areia na engrenagem, de tão oleada que estava. O que vivi nesses três anos corresponde mesmo ao ideário que todos temos de uma garrafa, lançada ao mar, com uma mensagem (ou uma história); ou seja, eu escrevia-a na solidão da minha costa, introduzia-a num veículo de vidro transparente que eram, afinal, as redes sociais, e depois, esperava que chegasse às mãos do leitor, aguardando ser salva, quer dizer, lida. Para o escritor, ser lido funciona como uma redenção, mas escrever, isso sim, é a sua verdadeira salvação. 

     Existe alguma parte do livro, em particular, que goste mais. Porquê?
As histórias são todas radicalmente diferentes entre si, e de certo modo, foi esse exercício diário que me motivou para a escrita, isto é, ser capaz de escrever uma história totalmente diferente da do dia anterior. Assim, à segunda-feira, eu era uma mulher apaixonada, à terça, um adolescente desesperado, à quarta, uma pedra com questões de angústia existencial, à quinta, um psicopata homicida, à sexta uma doce avozinha perita em croché e bolos caseiros e por fim, ao sábado e ao domingo, um Deus arrogante e maldisposto, uma mãe destrambelhada, dedicada ou aluada. Esta versatilidade das personagens foi o meu maior desafio.
Contudo, sem eu ter premeditado, a história da Mariana (“Mariana não sabe que morrerá esta tarde...” (página 41), por alguma razão que desconheço, tornou-se altamente viral e gerou muita comoção na página da ‘História numa Garrafa’. Publicada a 4 de Maio 2015, levou a página aos píncaros da actividade. Em Maio de 2018, a história contava com 23.000 gostos, 21.701 partilhas e 1.600 comentários. Foi ao encontro da dor de uns, da filosofia de outros e das certezas de tantos. De tal forma que tive de escrever, dias mais tarde, a continuação da história da Mariana, no céu ou semelhante dimensão, pois muitos me exigiram saber se estava bem, outros me pediram que ela voltasse, que lhe desse outra oportunidade. Esta história é a verdadeira marca da Garrafa.

     Indique as razões pelas quais aconselharia as pessoas a ler o seu livro. O que acha mais apelativo no seu livro?
Contrariando o que dizem as editoras em geral, os livros de contos vendem e continuam a publicar-se. Num país onde há iliteracia funcional, o que não se lê são romances de 600 páginas, embora se publiquem. Ler este livro de contos rápidos, humorados, potentes, bruscamente divertidos e até alguns tristes, talvez seja, com a modéstia que me é devida, uma experiência indispensável, no transporte a caminho do trabalho, à hora do café, do almoço ou num domingo despreocupado. A ‘História numa Garrafa’ tem 660 páginas mas pode ser lida de trás para a frente e do fim para o princípio. O livro em papel pode estar sempre ao seu lado ou oferecido a quem aprecia, enquanto que as histórias de que mais gosta podem ser partilhadas com os amigos no Facebook e Instagram. Ao longo dos três anos em que a Garrafa foi um livro vivo’, o feedback dos leitores foi incrível. Perguntavam-me como é que eu podia escrever histórias que eram a história da vida deles; como podia sentir o que eles tinham sentido na infância, no casamento ou no divórcio. O contacto com os meus leitores emocionou-me muito e deu-me a responsabilidade de manter esse compromisso que era a nossa comunidade literária. Pediam-me para escrever mais e davam-me as suas histórias de vida para eu escrever. Eu própria fui à procura de mais histórias e escrevi vidas que de reais passaram a ficção, como a daquela irmã que deu o rim ao irmão; da menina internada em oncologia; do coração que salvou o Salvador; do rapaz acrobata que voou de casa dos pais e ainda tantas que nasciam de tudo o que acontecia à minha volta. São 1.095 histórias de 1 minuto e meio cada, quase o tempo de um suspiro.

Tem algum projecto a ser desenvolvido, actualmente? Pensa publicar mais algum livro? Continua a sentir vontade de escrever?
Escrevo para existir.A escrita é o entendimento da vida. Depois de publicar a ‘História numa Garrafa’ tenho mais dois livros/projectos em curso. Assim que a ‘História numa Garrafa’ se tornou livro em papel, nasceu novo ‘livro vivo’ nas redes, intitulado ‘História num copo d’água’. Ao contrário do primeiro, onde as publicações foram diárias durante 3 anos, a ‘História num copo d’água’ tem publicações semanais, ao domingo. Tenho também um livro de crónicas na calha. Além disso, vou sempre escrevendo livros infantis.

  Qual é o seu estilo de escrita ou que tipo de mensagem gosta de passar no que escreve?
Sou, fundamentalmente, uma escritora emocional. Gosto de ir ao âmago dos sentimentos e transformá-los em histórias. Não gosto de passar mensagens políticas, moralistas, religiosas ou clubistas. A literatura serve-me para desconstruir conceitos e apresentar o ser humano na sua máxima fragilidade emocional; ou também o seu inverso, mostrá-lo na sua dureza extrema. Retiro das histórias as ilações que se podem retirar das parábolas, pelo sentido que nos dão para além das palavras. Por isso, uso por vezes a via do absurdo, forma subliminar de ler mais profundamente o que vai na alma da personagem. Mas mais do que o absurdo ou o ‘non sense’ sirvo-me da realidade crua para escrever histórias. Esta é, por si só, suficientemente avassaladora e transformadora de consciências. Só a realidade pode suplantar a ficção.

     Qual o papel das redes sociais na vida e na divulgação da obra de um autor? E na sua?
Devido à sua função extremamente interactiva, as redes sociais são um excelente veículo para divulgar as mais diversas actividades. Está tudo dito quando afirmei que a ‘História numa Garrafa’ começou por ser um ‘livro vivo’ nas redes sociais e graças aos actuais 23.000 seguidores tornou-se num livro de papel, algo que pode agora perdurar no tempo de forma física, e ser passado de mão em mão. Foram as redes sociais que me deram os meus leitores. Nunca chegaria a eles sem estas plataformas, nomeadamente nunca teria as muitas encomendas que me fazem do livro, hoje, para a Suíça, França, Luxemburgo, Bélgica, Reino Unido e Alemanha. São os nossos portugueses a seguir, em linha, o que se escreve em português. Pela mão das redes sociais, a História numa Garrafa foi ao 'Literatura Aqui', na RTP2, programa 11, temporada 2, a 22/11/2016: http://www.rtp.pt/play/p2798/e260627/literatura-aqui e à Antena 3, ao programa 'Donas da Casa', com Ana Galvão, a 10/3/2017 e ainda, à Casa Raphael Baldaya, em Lisboa, onde se apresentou ao público numa leitura de histórias pela autora, a 3/3/2018 e 18/5/2018. A ideia, agora, é levar as histórias da Garrafa a um programa de rádio e também lê-las ao vivo. Ao contrário do Reino Unido, não temos muito o hábito das leituras públicas feitas pelo autor, mas é algo que considero muito especial e pretendo dinamizar. 

     Gosta de ler? Que tipo de leitor é que é?
Gosto muito de ler. Quando a leitura consegue arrebatar-me, sinto-me anestesiada. É quase um estado místico. Esse é o melhor estado em que posso estar. Uma vez, cheguei mesmo a fazer uma cirurgia em ambulatório, sem anestesia, a ler um livro do José Luís Peixoto. A médica achou peculiar e eu só dizia, “por favor, não me interrompa”. Estava em êxtase, sob efeito da ‘tal anestesia’. Leio contos, romances e poesia, fundamentalmente. Na poesia, destaco, desde a adolescência, Herberto Helder, Fernando Pessoa ortónimo e heterónimo, Maria Teresa Horta, Sophia de Mello Breyner, Ruy Belo, Ary dos Santos, David Mourão-Ferreira e outros textos poéticos que nos dêem o sentido da vida, como o ‘Tao Te King’, ‘A epopeia de Gilgamesh’, os ‘Upanishads’ ou ‘Hermes Trismegisto’. Gosto de romances mas que não sejam nem de ficção científica, nem muito históricos, nem políticos ou demasiado biográficos. Que tipo de romance, então? Algo semelhante a estes que me transportaram para a tal dimensão de arrebatamento: ‘Cem Anos de Solidão’, ‘O Deus das Pequenas Coisas’, ‘Cisnes Selvagens’, ‘Kafka à Beira-Mar’, ‘A Sombra do Vento’, ‘Casa dos Espíritos’, ‘Siddartha’, que é como quem diz, Gabriel García Márquez, Arundhati Roy, Jung Chang, Haruki Murakami, Isabel Allende, Carlos Zafón, Herman Hesse e também Kafka, Camus, e em tempos da faculdade, Platão e os pré-socráticos, Pascal, Kierkegaard, Schopenhauer, Nietzsche e Dostoievsky e ainda o teatro de Beckett, Pirandello, Tennessee Williams, Strindberg e Ibsen ou o cinema de Woody Allen, Claude Lelouch, Tim Burton e Wes Anderson, só para citar alguns que levaram a literatura ao palco e à tela. Não esquecer os escritores portugueses da minha geração que têm trazido obras de qualidade à literatura portuguesa e que se têm evidenciado através dos vários prémios literários que conhecemos.


História numa Garrafa – Maria Saraiva de Menezes
660 páginas, capa mole; Tecto de Nuvens, 2018 
PVP 25,00€

Ebook:
Epub: PVP 15,00€
PDF: 7,50€





O livro está à venda na nossa loja online e em todas as principais lojas online nacionais e internacionais.
Para aqueles que preferem um contacto mais directo com os autores, podem solicitar o livro autografado à autora, com desconto de 10% e oferta de portes de envio: mariademenezes@gmail.com.  Ou a partir da presença da autora nas redes sociais (que pode sempre visitar mesmo que já tenha o livro):

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Maria do Rosário Cunha em entrevista



Retomamos o ciclo de entrevistas com Maria do Rosário Cunha, 72 anos, professora do 1º ciclo aposentada, participante nas colectâneas da Tecto de Nuvens. Tem o raro privilégio de ter tido o primeiro texto vencedor da votação do público.
Trata-se do poema "Sonho Desfeito" publicado na colectânea "Vamos Celebrar! - Colectânea de Poesia de Natal".
A título de curiosidade, o quadro que deu origem à capa (e que gentilmente cedeu) foi-lhe oferecido  pela própria pintora, amiga de longa data, colega de profissão e comadre.
Autora relutante, por opção, fala-nos um pouco da sua experiência, nomeadamente com essa primeira participação nas colectâneas.

  Conte-nos como e porquê começou a escrever, por paixão ou por necessidade?
Comecei a escrever por ter sido desafiada a fazê-lo…

  Qual o papel que a escrita ocupa na sua vida?
Para já um papel bastante secundário, o que não exclui que não possa vir a tornar-se algo mais importante.

  Sempre sonhou publicar um livro?/Publicar um texto num livro?
Não.

  O que significa para si ter o texto favorito dos leitores?
Foi uma agradável surpresa.

  Tem algum projecto a ser desenvolvido, actualmente? Pensa publicar mais algum livro? Continua a sentir vontade de escrever?
Não tenho nenhum projecto a ser desenvolvido, apenas algumas ideias, não muito claras, de recordações que gostaria de deixar impressas.

  Fale-nos um pouco sobre o seu texto.
O meu poema foi inspirado num acontecimento real que eu vivi quando tinha cinco anos de idade.

  Existe alguma parte do livro, em particular, que goste mais. Porquê?
A parte em que a menina expressa a grande desilusão que sentiu ao ver que o presente que recebeu nada tinha a ver com o presente esperado!

  Indique as razões pelas quais aconselharia as pessoas a ler o seu livro/texto? O que acha mais apelativo no seu livro/texto?
Talvez algumas pessoas se revejam no meu texto ao recordarem a sua infância e a verificarem que o valor que os adultos dão às coisas é bem diferente daquele que as crianças lhe dão.

  Qual é o seu estilo de escrita ou que tipo de mensagem gosta de passar no que escreve?
Gosto de falar de tradições e de experiências marcantes que vivi e que podem ajudar outras pessoas em situações semelhantes à minha.

  Qual o papel das redes sociais na vida e na divulgação da obra de um autor? E na sua?
Não tenho experiência nessa matéria.

  Gosta de ler? Que tipo de leitor é que é?
Gosto bastante de ler, principalmente casos da vida, romances e leituras que me ajudam a crescer intelectualmente e espiritualmente.









Vamos Celebrar! – Colectânea de Poesia de Natal – Vários autores
72 páginas, capa mole; Tecto de Nuvens, 2016, PVP 10,00€

Colectânea de poesia sobre a temática do Natal.








Todos os títulos disponíveis na nossa loja online e nas principais livrarias online.
Para encomendas e informações escreva para: loja@tecto-de-nuvens.pt