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quarta-feira, 17 de abril de 2019
terça-feira, 16 de abril de 2019
Livro em Pré-Venda: "O Nascer do Sol"
O Nascer do Sol - Colectânea de Contos – Vários autores
136 páginas, capa mole; Tecto de Nuvens, 2019 (Abril), PVP 12€
Costuma-se dizer que o sol quando nasce é para todos. É esse o espírito deste “O Nascer do Sol”, 19 contos para todos os gostos e para todas as idades.
Em todos os contos a observação do ser humano, e dos seus comportamentos e emoções, está presente e é perfeitamente identificável. São textos para divertir e para reflectir.
Disponível a partir de 23 de Abril de 2018
Preços promocionais até 23 de Abril de 2018:
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quarta-feira, 20 de março de 2019
Augusto Pires da Mota em entrevista
Quando se chega aos 92 anos ainda com uma prática diária de
escrita e com vários projectos em mãos e mais uns quantos em pensamento, não se
perde muito tempo a explanar respostas a entrevistas que a editora acha que
podem ser interessantes, por isso chegou-nos uma versão de respostas talvez demasiado
sintéticas para a curiosidade dos leitores. No entanto, anos de convívio e
longas reuniões (este autor entrega os livros, literalmente, manuscritos)
permitem-nos o atrevimento de completar as respostas com todo o conhecimento de
um autor com quem já se trabalhou em 6 livros (4 já publicados e 2 a publicar
até ao Verão) e se está já a trabalhar em mais 2.
Augusto Pires da Mota que uns conhecerão dos seus tempos, já
distantes, de sacerdote e pregador afamado; outros dos seus tempos de professor
em 3 liceus do Porto, ou ainda da sua envolvência e participação em grupos como
o do Renovamento Carismático; nasceu em Couto de Erveredo, Chaves, no já
longínquo ano de 1927, mas ainda tem muito para contar. Desta vez, o ponto de
partida é o livro publicado em 2017: “Vida, Essência de Deus e Elevação do
Homem”.
Conte-nos como e porquê começou a escrever,
por paixão ou por necessidade?
A ideia era poder transmitir os
meus conhecimentos a várias pessoas independentemente da distância e a até do
tempo. Numa palavra: evangelizar.
Qual o papel que a escrita ocupa na sua
vida?
Atendo ao que é o meu objectivo, tem um papel
fundamental. Escrevo diariamente.
Sempre sonhou publicar um livro?
Não só um, mas
vários. Continuarei enquanto tiver frescas as minhas capacidades intelectuais.
Qual é a sensação que tem ao ver, agora, o
seu livro nas mãos?
Se é para evangelizar… Sinto-me realizado,
feliz.
Tem algum projecto a ser desenvolvido,
actualmente? Pensa publicar mais algum livro? Continua a sentir vontade de
escrever?
Como referi antes, continuarei a
escrever enquanto tiver capacidade para isso. Neste momento estou a trabalhar
numa colecção intitulada “Jesus” em Abril deve ser publicado “Paixão e morte de
Jesus” e logo depois a sua segunda parte: “Redenção”. Estou a trabalhar nos
restantes dois volumes da colecção. Depois disso verei se ainda possa atender a
outros projectos que tenho em ideia.
Fale-nos um pouco sobre o seu livro.
O Prefácio é elucidativo ao explicar que na sua base
está o espírito de dois movimentos: Cursos de Cristandade e Renovamento
Carismático.
Existe alguma parte do livro, em
particular, que goste mais. Porquê?
Todas as partes são importantes, de harmonia com os
objectivos propostos. Apesar da génese cristã que enforma o livro, na verdade
trata-se de um livro que pode ser considerado de auto-ajuda para qualquer um,
independentemente da sua ideologia. Tenta responder a muitas das questões e
ansiedades da sociedade actual e da sua relação com o divino e daí o título: “Vida,
Essência de Deus e Elevação do Homem”, uma correlação inquebrável, daí a
importância de todas as partes, dado o livro poder ser lido como um todo ou
apenas ser lido por capítulos (não tendo de se seguir a ordem apresentada).
Indique as razões pelas quais aconselharia
as pessoas a ler o seu livro/texto? O que acha mais apelativo no seu livro/texto?
Seguindo o raciocínio da resposta
anterior, trata-se de um livro de formação religiosa e humana, que a todos pode
interessar.
Não pretendo o rigor científico,
mas a mensagem. Aliás, a Bíblia está construída neste sentido.
.
Qual é o seu estilo de escrita ou que tipo
de mensagem gosta de passar no que escreve?
Procuro a beleza da linguagem, a poesia da vida, tudo o que
eleva, dentro da verdade.
Não sou um académico, um professor, mas evangelizador, falo
à inteligência e ao coração.
Qual o papel das redes sociais na vida e na
divulgação da obra de um autor? E na sua?
Não uso as redes sociais, sei que de vez em quando
algum movimento ligado à Igreja refere os meus livros, como fazem alguns
jornais diocesanos, mas é tudo. Não tenho tempo, disposição ou idade para isso.
Gosta de ler? Que tipo de leitor é que é?
Leio jornais e revistas para me manter informado. Leio livros dentro da área em que escrevo. Enquanto professor aposentado ainda tenho bastante presente os clássicos da literatura que ensinei e frequentemente uso citações deles nos meus livros.Vida, Essência de Deus e Elevação do Homem, Augusto Pires da Mota
240 páginas, capa mole; Tecto de Nuvens, 2017 (Agosto), PVP 15,00€
Mais do que uma reflexão teológica, este livro é uma obra de auto-ajuda, orientação e meditação para todos aqueles que, independentemente das suas crenças, procuram algo para elevar o espírito e alimentar a alma.
Livro disponível na nossa loja online e também nas principais livrarias online nacionais e internacionais.
Pode contactar-nos para pedidos ou informações adicionais pelos emails: loja@tecto-de-nuvens.pt e informacoes@tecto-de-nuvens.pt ou pelo 960131916
Os contactos com o autor (para comentários, convites para palestras, eventos, etc.) é feito via Editora.
Os contactos com o autor (para comentários, convites para palestras, eventos, etc.) é feito via Editora.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019
Maria Lucília Teixeira Mendes em entrevista
Os ciclos de entrevistas continuam agora com um dos casos em que o autor responde à totalidade das questões; isto é, fala sobre um livro e sobre um texto vencedor da votação do público.
A dada altura da entrevista a autora, de 67 anos, vai referir que para ela as redes sociais têm nome, são pessoas concretas... Podemos atestar isso. O primeiro contacto com ela foi logo na nossa segunda colectânea, ela não participou, mas participou um amigo. Ao enviar o voto (pelo correio) enviou também alguns dos seus poemas, para pedir, muito timidamente, a nossa opinião. Não se pode mentir a um autor e dizer-lhe que o trabalho não presta! Desse lote do poemas já quase todos foram publicados em colectâneas seguintes e sempre com muita apreciação (e votos) por parte dos leitores. Curiosamente acabou por ser ela a ganhar o prémio para os votantes... A colectânea seguinte era de contos e ela até tinha dado a forma de conto a um episódio da infância. Encorajada pelo mesmo amigo, resolve participar, mas o computador não estava para aí virado e acaba por ser o amigo a tratar da fase inicial da participação. E passou de votante premiada a premiada pelos votantes, pois teve o texto mais votado pelos leitores...
Com este voto de confiança, avança, um pouco a medo, para as suas "Memórias de Almendra", recebe o livro pouco tempo antes da sua Vouzela natal e da sua Almendra adoptiva serem atingidas com violência pelas chamas. Em Vouzela usa os livros para obter verbas para aquilo a que ia sendo preciso acudir e já no ano a seguir quando vai a Almendra para apresentar o livro, emociona-se com a emoção de quem a recebe e oferece os livros a quem ainda sofre os efeitos destruidores do fogo.
- Na nossa pequenez distinguimos tanta generosidade com um exemplar em capa dura do seu livro. -
Não temos por hábito fazer introduções tão longas, mas por vezes deparamo-nos com pessoas que são maiores do que a vida...
Maria Lucília Teixeira Mendes com a sua muito típica, e genuína, voz:
Conte-nos como e porquê começou a escrever,
por paixão ou por necessidade?
Comecei a escrever apenas porque me apeteceu. Um pouco para
extravasar o que me ia na alma. Porém, o primeiro escrito lido em público
surgiu a pedido, para homenagear uma pessoa que se tinha aposentado. Este
escrito, foi precedido pelo primeiríssimo
que apareceu só porque sim: tinha
morrido uma gatinha que eu tinha protegido. Imediatamente antes da morte, e
depois de longas horas em coma ou semi-coma, o meigo animal agradeceu os
cuidados que lhe prestei e despediu-se com o seu último rom-rom. Isto sensibilizou-me a tal ponto que, ao voltar do seu
enterro, as quadras em homenagem à
gatita vinham em enxurrada… Até já me cansavam. A estes versos chamei mesmo “Último
rom-rom”.
Ora, uma vez que tinha feito algo assim, de modo
espontâneo, decidi aceder ao pedido da Diretora do meu Agrupamento de Escolas
que queria um poema para a tal homenagem e que eu não estava nada disposta a
fazer por nunca ter feito nada de semelhante. Se tinha homenageado a gata, com mais razão havia de homenagear a
recém-aposentada que tinha sido Auxiliar no meu Jardim de Infância. Como no
decorrer dos anos fui sabendo algo da sua vida e da sua maneira de ser,
servi-me deste conhecimento e escrevi uns quintetos que depois li na
inauguração da biblioteca escolar remodelada e na presença de algumas entidades
que elogiaram os versitos. Foi uma espécie de alavanca… O reforço positivo de
que todos, por vezes, necessitamos…
No caso de “Memórias de Almendra”, surgiu
de modo inesperado como eu conto no mesmo livro. Bastou um clic: umas flores de primavera que fizeram despoletar memórias que
estavam no fundo de gavetas mais ou menos fechadas…
Guardei esses versos durante alguns anos,
mas gostava de os mostrar a pessoas amigas. Essas pessoas diziam-me sempre: porque não fazes um livro?
Se por um lado, tinha pena que as folhas impressas fossem
parar ao lixo depois da minha morte, por outro, acontecia-me um pouco como no
caso do poema à Auxiliar de Educação:” será isto capaz de um livro? Terá algum
interesse? Como o vou fazer?”.
Como acontece com tantas coisas na vida,
quando nada o fazia prever, caiu-me no colo a Editora “Tecto de Nuvens”. Foi a
Dra. Teresa Cunha que me encorajou e deu cumprimento ao sonho que ia ganhando
forma dentro de mim: escrever para os outros; não apenas para ficar na gaveta à
espera de ir um dia para o lixo…
Quando tive nas mãos o meu primeiro
livro, tão pequenino, mas com tanto coração, só pude exclamar: “é tão
pequenino, o meu menino! Mas é tão bonitinho!” foi como ver um bebé
recém-nascido. Foi emocionante!
Mas nem imaginam o trabalho que dei à editora
e quanta paciência ela teve de ter comigo…
Até a capa me emocionou. Tinha lido há
pouco a biografia de Van Gogh. Não conhecia aquela sua pintura e achei-a tão
linda! Tão oportuna!
Qual o papel que a escrita ocupa na sua
vida?
Escrevo quando me apetece.
Mal comecei, tenho-me dedicado a pôr no
papel, ou no computador - o que nem sempre dá resultado, porque ele se
encarrega de me fazer desaparecer escritos que eu gostava de colocar em livro e
que já não consigo reproduzir – memórias da minha infância e da minha pequena
aldeia. São coisas que desapareceram num curto espaço de tempo e das quais já
ninguém se vai lembrar daqui a dois ou quatro anos…
São história; são cultura; são pessoas e
acontecimentos…
É curioso que é quando por lá estou, no
verão, que essas memórias me veem à lembrança. Sobretudo à noite! No silêncio,
cada vez mais profundo e que começa ainda de dia, porque já lá há tão pouca
gente. Sem crianças e sem animais que lhe deem vida… Revivo e revejo pessoas,
acontecimentos, espaços, vivências de outro tempo…
Gostava de ter muito jeito, muito tempo
diário e muitos anos pela frente para poder escrever tantas e tantas coisas!...
Sempre sonhou publicar um livro?/Publicar
um texto num livro?
Esse sonho só ganhou corpo depois de ver o que ia
escrevendo. Mas dá trabalho e requer o tempo que eu não tenho.
Qual é a sensação que tem ao ver, agora, o
seu livro nas mãos?/O que significa para si ter o texto favorito dos leitores?
É a sensação de que já falei em cima: é como ter nos braços
um recém-nascido e olhá-lo pela primeira vez com a mesma ternura de uma mãe. Ao
mesmo tempo, vem a vontade de aperfeiçoar e completar o que está feito, já que
há sempre lugar para melhor e ficou tanto por dizer.
Esta sensação teve o seu expoente máximo no dia da
apresentação do livro na terra que lhe deu origem e à qual se refere. Não
imaginava que as palavras tão simples nele contidas, pudessem ter o eco que
tiveram na boca do jornalista Alfredo Mendes -que o apresentou na sua terra que
é um pouco minha também - com tanta competência, com tão profundo sentido da
compreensão do coração humano e com tanto saber. E o engraçado e surpreendente,
foi que esse senhor que eu não conhecia, é filho do Senhor Mendes que eu
conheci e a quem me refiro na pequena obra.
O livro com que eu não tinha verdadeiramente sonhado, fez
de mim uma rainha em Almendra nesse dia. E porquê? – Porque um jovem Presidente
de Junta – o senhor João Afonso - se preocupa em dar ao seu Povo momentos de
enriquecimento cultural. Escolheu o dia de Almendra para a apresentação do
livro, porque ele foi o primeiro a conhecê-lo e a valorizá-lo. Isso lhe devo.
Aquele livro saído do meu coração, falou ao coração da gente de Almendra. Era
como se eu tivesse regressado a casa…
No que toca ao texto favorito dos leitores, foi para mim
uma surpresa ter sido ele o eleito. Penso que a leveza com que está descrito o
seu conteúdo e a alegria que transmite, deve ter feito rir os leitores. É bom:
todos precisamos de coisas que nos alegrem e tornem a vida menos pesada mesmo
se por pequenos instantes.
Tem algum projecto a
ser desenvolvido, actualmente? Pensa publicar mais algum livro? Continua a
sentir vontade de escrever?
Vontade de escrever, eu tenho… E vou
escrevendo. Gostava de publicar algo sobre a minha terra para que os vindouros
pudessem ter alguma noção do que os precedeu. Eu própria gostava de saber
coisas que não estão escritas em qualquer lado. E tenho pena. O passado é muito
importante para a compreensão do presente e para a construção do futuro. Um
povo sem memória autodestrói-se. Vive perdido. Não tem consciência de si. Perde
ou não constrói a sua identidade. Nós não surgimos de geração espontânea, nem
sequer como os cogumelos…
Alguém me disse um dia a brincar: “escreva as suas memórias”. Cada vez
tenho mais consciência de que as memórias que vou escrevendo não são só minhas.
Nem só para mim. Elas podem servir a comunidade e enriquecê-la mais. Poeriam
vir a constituir algo de parecido com património histórico.
Fale-nos um pouco sobre o seu livro.
/texto*.
*--O que inspirou o seu texto (indique se é conto ou
poema)?
Como não li as perguntas todas antes de começar a
responder, agora fico um pouco atrapalhada… Pois, o meu livro é um poema
elaborado ao meu jeito. Sem pretensão, sem vaidade. Tentei dar-lhe forma e
sentido. Quis que fosse entendido. Quis que fosse conhecida a terra onde a ação
– se é que a há – se desenrola. Sobretudo, queria que os novos de agora
soubessem como era a infância daquele tempo. A das outras crianças não era
muito diferente da minha. A diferença pode estar no facto de eu ser uma espécie
de refugiada numa terra estranha por a família se ter desmoronado com a morte
do pai. Mas soube agora que, enquanto eu morria de saudades e não conseguia
fazer o luto, outra menina minha coleguinha nesse tempo e nessa terra, tinha
perdido a mãe, o que me parece bem pior.
O livro tenta retratar a realidade daquele tempo e naquele
contexto sociogeográfico. A vida não era fácil para ninguém. Também não o é
para as crianças de agora. Têm o que nós não tínhamos mas são, muitas vezes,
órfãs de pais vivos. E com uma escola que não as deixa ser crianças. Não têm
tempo para si.
No caso da participação nas coletâneas acima mencionadas,
os contos são histórias de vida às vezes ficcionadas. São memórias
reinventadas. São como que um flashback
que nos transporta para realidades que não podem ficar esquecidas.
Uns e outros têm, por vezes, algo de autobiográfico. É o
caso, por exemplo, do conto “Automá-ti-co-co-o-o-” narrado na coletânea “Em tons de valsa aguarela fogo”. O
episódio aconteceu de facto. Ficou na memória de todos e, na verdade, ainda
hoje riem do meu vestido de seda em contraste com as sandálias de pneu
grosseiro. Até estas sandálias estão ligadas a Almendra. Foi lá que o meu avô
as mandou fazer assim para calcorrear os catorze quilómetros de estrada e as
pedras ásperas dos atalhos que tinha de percorrer para ir e vir da escola. Riem
também da minha certeza de vencer que acabou em “chape” no charco…
Este conto tem a intenção de trazer para o presente
vivências que as nossas crianças de agora já não podem ter. A superproteção e
os cuidados de que são rodeadas, muitas vezes por razões óbvias, impedem-nas de
viver a liberdade com que nós vivíamos; a espontaneidade com que inventávamos
brincadeiras, hoje impensáveis. Certamente o leitor deste conto, adulto ou não,
poderá divertir-se com este episódio hilariante. Os elementos da natureza
trazidos para a narração não são simplesmente decorativos: mas dão-lhe beleza e
vida.
Ao mesmo tempo, o trama situa-nos num contexto
sociogeográfico onde os costumes ganham forma e cor, apesar de apenas com
rápidas pinceladas.
Exemplo disso, o cadenciar do tempo marcado pela passagem
dos comboios, os rituais religiosos, a corrida das crianças para o apeadeiro
onde, um químico velho ou uma lapiseira gasta, representavam um tesouro pelo
qual se devia lutar…
Existe alguma parte do livro, em
particular, de que goste mais. Porquê?
É difícil responder a esta pergunta. É
como perguntar a uma mãe se gosta mais das orelhas ou do nariz do seu filho…
Nem sequer pensei nisso. Um dia alguém perguntou a uma criança se gostou de ir
à escola. Ela respondeu: “gostei de ir e gostei de vir; só não gostei da parte
do meio”.
Claro que gosto do meio – do miolo – do
meu livro. Mas gostava de me referir ao início e ao fim.
Ao início, porque quis que a mãe, os
avós, os manos, não fossem excluídos. Há uma falha: grave. Esqueci-me da minha
avó paterna. O avô, esse ,eu não o conheci e o meu próprio pai talvez não o
recordasse. Ele e os irmãos também ficaram sem pai em pequenos. Mas tinha a
foto da minha avó. Devia tê-la colocado. Ela merecia. Ela sofreu a perda de um
filho: esse filho que era o meu pai.
O fim do livro traz-me as lágrimas aos
olhos. Sem me dar bem conta disso, a presença do meu avô materno está
disseminada por aquelas páginas. Mas é no final que eu o vejo com mais clareza.
O meu avô: aquela mansidão de homem. Aquele homem que morreu pobre, pobre,
porque tudo o que conseguia ganhar era para ajudar a criar os netos órfãos.
Aquele avô tão terno, tão doce, tão sensato e prudente de quem toda a gente
gostava. O avô das minhas Memórias de
Almendra.
Como eu gostava que ele pudesse ler este
meu livro!
Ele era o meu “avô quelido” como dizia uma das minhas irmãs. Eu era a menina dos seus olhos. Tão querido, que
ainda hoje gosto de todos os avôs. E como eu gostava que todas as crianças de hoje
pudessem ter este relacionamento com o seu.
Indique as razões pelas quais aconselharia
as pessoas a ler o seu livro/texto? O que acha mais apelativo no seu livro/texto?
Estas respostas vão-se tornando cada vez mais difíceis!
Gostava que fossem conhecer a vila de Almendra com os seus
encantos. Que conhecessem a sua história e as suas gentes. As suas lindas
amendoeiras… Que soubessem interpretar os acontecimentos/vivências presentes, à
luz do passado. Que soubessem apreciar os bens que temos e que proporcionamos
às crianças do nosso tempo. Que estas fossem capazes de valorizar o que lhes é
dado e de o rentabilizar para a sua formação como cidadãos conscientes e livres,
capazes de não adormecerem à sombra do muito que possuem. Homens e mulheres
capazes de deixar aos vindouros uma herança de bem. Uma herança feliz, cuja
felicidade não está no material, mas no bem que conseguimos fazer em prol dos
outros e de uma sociedade mais justa e equilibrada. Gostava que este livrinho e
o outro texto que escrevi ajudassem a todos a crescer na construção da sua vida
a partir das vicissitudes que ela traz a todos, sem lamentações nem
recriminações… Do que é menos bom, podemos tirar sempre um bem e reaprender a
vida.
Qual é o seu estilo de escrita ou que tipo
de mensagem gosta de passar no que escreve?
Como responder? Penso que já disse tudo. O meu é um
estilo simples. Direto. Sem artifícios nem rebuscamentos. Penso que todos me
entendem e é isso que eu quero. Nem sei fazer de outra maneira.
Gosto de passar uma mensagem de alegria. Mesmo que
certas circunstâncias da vida nos entristeçam, esta tristeza não atinge o âmago
de nós mesmos. No fundo, o mar é calmo. É só à superfície que o mar se agita. E
não é sempre. De tudo o que nos acontece na vida se pode tirar uma lição. Tudo
pode servir para nos fazer crescer por dentro. Tudo nos pode trazer a
capacidade de entender e desculpar os outros. Mas isto demora a descobrir: é um
trabalho pessoal. Não o aprendemos quando os outros nos dizem que é assim.
Aprendemo-lo depois de batermos contra a parede ou depois de esmurrarmos os
joelhos contra o chão. E, mesmo assim, só depois de algumas esperneadelas…
Qual o papel das redes sociais na vida e na
divulgação da obra de um autor? E na sua?
Redes sociais? Só conheço aquelas
que têm nomes: Joana, Manel, Laurinda… - As outras só me têm servido para
perder algum tempo. Até porque não passo de uma aselha na sua utilização.
Gastam-me o tempo e levam-me o dinheiro…
Na divulgação de livros não me
servem de nada. Não sei utilizá-las nem tenho apetência para aprender. Tenho tanto,
tanto em que me ocupar… Nem saberia a quem me dirigir, nem como… Isso até me
desanima.
Gosto mais daquelas redes sociais
em que não é precisa a palavra-passe.
Outros autores, sim, acreditam que
se sirvam delas com eficiência.
Gosta de ler? Que tipo de leitor é que é?
Aí está. Um livro. Basta abri-lo! É
fácil!
Sempre gostei de ler. Mal aprendi a
técnica de leitura, nunca mais parei. Perdia-me na leitura.
Ler, foi a descoberta mais
maravilhosa da minha infância! Lia tudo! Tudo era mesmo tudo. Mas o tudo
daquele tempo era pouco. Depois de terminada a antiga quarta classe, ainda
voltei muitas vezes à escola para pedir à professora livros para ler em casa.
Penso que terminei quando o pequeno armário escolar, com portas de vidro, já
não tinha mais nenhum para me oferecer.
Depois, na altura dos estudos, lia
o que precisava para aprender. Durante o exercício da profissão, lia também o
que necessitava para o seu exercício e outros livros que me interessavam.
Li muitas biografias, memórias,
obras de alguns escritores consagrados, documentários… Revistas temáticas…
Livros de carater histórico, poemas…
Hoje retomei a leitura. Procuro
coisas atuais, mas também da história passada: por exemplo “Communio”, revista
internacional católica com temas de atualidade, “Saltei o muro” de Mónica
Baldwin , “Napoleão Bonaparte” de Emil Ludwig , “A Rainha dona Amélia” de Isabel
Stilwell , “A Bailarina de Auschwitz” de Edith Hger, “Queimada viva” de Marie
Thérèse Cuny, “Os Bichos” de Miguel Torga, “A saga de um pensador ” de Augusto
Cury e outros…
Também gosto de ler os livros que diariamente passam diante de
mim: as pessoas. Essas ensinam mesmo muito, embora nem sempre da melhor
maneira. Esses livros têm muitas vezes, palavras-passe muito complicadas… e
estão constantemente a trocá-las…
E, para
terminar, sabem quem me incentivava a ler? – O meu querido avô Justino! Ele
também gostava de ler, embora só tivesse feito a primeira classe
Era considerado muito inteligente.
Ele dizia que, para ser médico, só lhe faltavam os últimos estudos. Os
primeiros, já os tinha há muito tempo. E tinha razão.
Também os meus primeiros estudos
começaram nos bancos inclinados das carteiras com tinteiros de porcelana
branca; nos textos que me eram oferecidos pelos antigos livros de leitura -
mesmo se com determinadas tendências próprias da época – (hoje há outras…), nas
brincadeiras do recreio que se prolongavam na liberdade das ruas e recantos da
aldeia.
Em tons de Valsa aguarela-fogo - Colectânea de
Contos – Vários autores
128
páginas, capa mole; Tecto de Nuvens, 2017, PVP 12€
Dez autores, quinze contos para todos os
gostos e para todos gostarem… Estórias baseadas em factos reais, contos
fantásticos, contos infantis e tudo aquilo que possa estar entre estas
classificações… Contos para entreter, contos para aprender, contos para meditar
e (porque não?) contos para contar… Leia e divirta-se!
Memórias de Almendra, Maria
Lucília Teixeira Mendes
68 páginas, capa mole; Tecto de Nuvens, 2017, PVP 9€
As memórias que aqui se apresentam nasceram duma saudade de
Almendra que sempre ocupou um cantinho do meu coração. Não escrevi para outros
lerem, mas apenas para mim. Porque me apeteceu. Porque tudo estava gravado e
aprisionado na minha mente e precisava de ser solto. (…)
Desejo tão só dar a conhecer um pouco da minha Almendra e
despertar curiosidade e vontade de a conhecer na actualidade como fruto do
passado que a trouxe até aqui.
Ambos os livros estão disponíveis na nossa loja online e também nas principais livrarias online nacionais e internacionais.
Pode contactar-nos para pedidos ou informações adicionais pelos emails: loja@tecto-de-nuvens.pt e informacoes@tecto-de-nuvens.pt ou pelo 960131916
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019
Nova colectânea de contos de tema livre - Regulamento
Colectânea de Contos Livres (Abril 2019) -:
Regulamento geral de participação.
Para ajudar os
autores (tanto os novos como os “habituais”) a estruturarem as suas histórias
vamos relembrar que por em Conto consideramos uma narrativa breve, fictícia ou
baseada em factos reais, que conta situações rotineiras, engraçadas,
interessantes. A linguagem deve ser directa, as personagens em número reduzido
e com perfis bem definidos, mas sem necessidade de deduções complexas ou de
profundas análises psicológicas. Mais do que noutros géneros literários é
preciso ter bem a noção de: princípio, meio e fim, que aqui será uma
introdução/apresentação, desenvolvimento da trama e conclusão.
Sendo assim, há
elementos que devem constar, com alguma clareza, no vosso trabalho: espaço ou
cenário; existir uma ou mais personagens (com uma descrição breve mas de fácil
percepção “João tinha 76 anos e desde que se tinha reformado gostava de se
levantar cedo e ver o sol nascer enquanto tomava o seu café com leite.”) acção
e resolução (o mesmo que conclusão/mensagem). Voltamos a repetir, a história
pode ser baseada tanto em eventos reais como ser completamente ficcionada.
Apesar de haver
liberdade artística e criativa para desenvolverem as vossas histórias, estas
destinam-se a um público abrangente, por esse motivo os autores devem abster-se
de escrever conteúdos que possam ser entendidos como incentivos a práticas
criminosas, conteúdos ofensivos à liberdade de crença ou de convicção política;
implicar qualquer tipo de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia,
religião, procedência nacional ou regional, etc.
- Para aqueles que
não estão habituados a trabalhar com a Tecto de Nuvens, estes critérios estão
sempre presentes quando avaliamos os trabalhos que nos enviam (não, não publicamos
tudo o que nos é enviado) e, como poderão verificar, há sempre um disclaimer na ficha técnica dizendo que
os conteúdos são da responsabilidade do autor. Esta informação serve tanto para
terceiros poderem pedir autorizações relacionadas com a obra, como para, apesar
de poder parecer óbvio, lembrar que cada autor escreve a sua opinião.
Neste caso
específico, em que se pretendem juntar vários contos, convém que haja especial
cuidado ao harmonizar conteúdos para que todos os autores beneficiem da
oportunidade de chegar a um maior número possível de leitores. Neste sentido
fica também a sugestão para que se evitem os palavrões (em algumas plataformas
online este tipo de conteúdos é proibido, noutros implica o livro ser
qualificado como “para adultos”; para um eventual uso académico/escolar, também
não é conveniente). -
Cada conto deve ter
um mínimo de 4000 caracteres (inclui espaços) ou 4 páginas 21,5 x 14,5 cm
(altura x largura), margem superior, inferior e direita de 1,8 cm, margem
esquerda, 2 cm.
Tipo de letra:
Garamond (tamanho 13), alinhamento justificado. Os contos não devem exceder os
15 000 caracteres (incluiu espaços) ou 12 páginas com as características
descritas acima.
Biografia e bibliografia devem ocupar
um espaço máximo (combinado) de 2 páginas
- Cada autor
pode participar com um máximo de 3 contos.
- Os textos podem ser inéditos ou já publicados (desde que
detenham o copyright © deles) e devem vir acompanhados de uma declaração de
honra em como são de vossa autoria. – Se participarem com mais do que um texto
devem identificar na declaração o título de cada um. – Para além da declaração
de autoria, os textos devem vir acompanhados de 1 página com a vossa biografia
(que deve incluir a bibliografia, se a houver) actualizada, bem como os vossos
endereços nas redes sociais, site, blogue, etc.
- Autores menores de idade necessitam que a permissão para
participação e publicação seja assinada por um dos pais ou pelo encarregado de
educação.
- Os textos deverão ser escritos em Português, tendo cada autor
liberdade para escolher qual o Acordo ortográfico pelo qual se vai reger.
- Vamos receber os textos para a colectânea de
tema livre até 22 de Fevereiro de 2019 e até 28 de Fevereiro necessitamos que
os autores estejam disponíveis para as últimas revisões e acertos, dado o livro
seguir para impressão até 8 de Março de 2019.
O livro vai ter lançamento oficial no dia 23 de Abril de 2019,
dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, mas quanto mais cedo se iniciar a
pré-venda melhor, aproveitando as férias da Páscoa, Domingo de Ramos, etc.
- A cada autor será cobrada uma inscrição para
ajuda da arte da capa e despesas de envio (cada autor receberá 1 exemplar do
livro por texto publicado).
1 conto = 8€
2 contos = 12,00€
3 contos = 15,15€
- Os pagamentos só serão solicitados quando se
atingir o número mínimo de textos para possibilitar a edição. Receberão factura
pelo pagamento, os valores já incluem IVA. Os autores podem usar os seus
créditos tanto para pagar a inscrição como a compra de livros.
- Por cada livro vendido, retiradas as
comissões e outras despesas inerentes às vendas, o lucro obtido (varia conforme
a comissão do local de venda/distribuidor) será dividido da seguinte forma: 50%
para a Tecto de Nuvens, 50% a dividir por cada texto publicado. Exemplo: Lucro
de 2€; 1€ para a Tecto de Nuvens; 1€ a dividir por todos os textos (40 textos,
por exemplo), o que dá 0,05€ por texto. Uns autores receberão 0,05€, outros
0,10€ e outros 0,15€ consoante o número de textos que publicarem. À semelhança
do que acontece com os outros livros, os relatórios de vendas serão trimestrais
e os pagamentos seguem o mesmo princípio do dos outros livros.
- O número de exemplares a publicar será uma
decisão da Editora e será comunicado em devido tempo.
- O preço de venda ao público da obra será
definido pela Tecto de Nuvens, tendo em conta o número de páginas da obra
editada.
- O título do livro ficará a cargo da Editora,
em princípio a escolha será feita entre os títulos dos textos a publicar.
- Os autores poderão
adquirir mais livros do que aqueles que vão receber pela participação na
colectânea. Terão desconto sobre o PVP em packs e livros individuais (valor a
divulgar oportunamente) adquiridos em pré-edição e de 15% em livros adquiridos
após a publicação (lembramos que ao abrigo da Lei do Preço Fixo durante os
primeiros 18 meses após a publicação só em circunstâncias especiais os
descontos podem ser superiores a 10%). As compras em pré-edição terão de ser
feitas e liquidadas até aos prazos previstos para envio para edição, que serão
comunicados/confirmados em devido tempo. Os autores recebem, naturalmente,
comissão sobre os livros que adquirirem.
- Os
direitos autorais das colectâneas pertencerão à Tecto de Nuvens, com a
salvaguarda de que os direitos autorais dos textos pertencerão aos seus
respectivos autores (ou representantes autorizados, conforme aplicável); ou
seja os autores não cedem os direitos de
autora à Editora, podendo utilizar o trabalho editado noutras edições que achem
pertinentes.
- Todos os
autores assinam permissão de impressão.
- Os autores que assim o desejarem podem colocar no final
do livro publicidade aos seus livros, de acordo com a nossa tabela (quem já não
tiver a tabela pode solicitar uma nova). Nota: como o miolo do livro
será impresso em escala de cinza a opção da publicidade a cores não está, como
é óbvio, disponível.
Voltamos a lembrar que podem esclarecer qualquer dúvida
através do email informacoes@tecto-de-nuvens.pt ou pelo 960131916.
sábado, 2 de fevereiro de 2019
Vencedor de entre os votantes do texto favorito do livro "Natal, Natais"
Já foi feito o sorteio do Totoloto de 2 de Fevereiro de 2019 e o número da sorte foi o número 2. Sendo assim, seleccionámos para o nosso sorteio o número 2 e todos os números terminados em 2. O número vencedor foi o número 2 e a feliz contemplada foi Helena Sousa.
Os nossos parabéns ao vencedor e os nossos agradecimentos aos participantes desta votação. O prémio será entregue muito em breve.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
Livro "Natal, Natais" - texto mais votado pelos leitores
Encerradas as votações e contados todos os votos, que muito agradecemos, temos um texto vencedor: "Já nasceu o Deus Menino", de Noémia Silva Dias. Os nossos parabéns à autora.
Classificação final:
1º- "Já nasceu o Deus Menino"
2º- "Natal Natais"
3º- "Berço de Ouro"
Obrigada a todos os autores pelos seus textos e pela divulgação da colectânea e muito obrigada a todos os que votaram e boa sorte para o sorteio de amanhã!
Fica aqui o poema vencedor:
Já nasceu o Deus Menino
Sigo a estrela até ao destino
Tal qual um peregrino,
Lá longe toca o sino
Já nasceu o Deus Menino.
Ao doce som do violino
E de um brilho cristalino,
Neste espírito natalino
Já nasceu o Deus Menino.
Ser indefeso e pequenino
Milagre, esperança e fascino.
Traz a salvação, imagino!
Já nasceu o Deus Menino.
Fruto de um amor divino,
Amor eterno e genuíno
Por todo o mundo um só hino:
- Já nasceu o Deus Menino!
- Já nasceu o Deus Menino!
Caso ainda não tenha a colectânea a tenha ficado com vontade de a ler, esta está disponível na nossa loja online e nas principais lojas online nacionais e internacionais.
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