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terça-feira, 17 de março de 2026

Novo livro em pré-lançamento: "Poemas do Bô Maia"

A lançar a 19 de Março (Dia do Pai):




Poemas do Bô Maia – edição póstuma - ; António Rocha Maia
106 páginas, capa mole, Tecto de Nuvens 2026 (Março) PVP: 12€

Os poemas do “Mainha” têm uma verdadeira dimensão documental para a história da Vila de Barreiros e depois Vila da Maia, evoca as suas gentes notáveis e os mais simples também, a natureza que perscrutou com uma sensibilidade rara, a frescura e limpidez do rio Leça e suas margens, a mais variada fauna e os pássaros que o cativaram desde tenra idade e, com tristeza, viu desaparecer com a força avassaladora do progresso. As nossas tradições seculares, a força com que a Igreja Católica e Nossa Senhora do Bom Despacho o influenciaram a si e aos Maiatos, a ternura e paixão pela família, tudo isso foi retratado nesta vasta obra de poesia popular que o “Mainha” produziu e que agora fica perpetuada.


Até às 23h59 minutos do dia 18 de Março:


25% de desconto na compra deste livro.
Possibilidade de portes grátis* na compra deste livro e de mais um ou mais livros do folheto de Poesia. (os preços promocionais dos livros do folheto mantém-se, apenas o novo livro terá um desconto superior).



*Apenas em Portugal Continental.


Não perca a oportunidade de ler e oferecer poesia.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Vaidosicezinhas XXIII

 Ilda Pinto Almeida vai aparecendo por este blogue tanto na sua vertente como autora como na vertente artista plástica.

Mais uma vez o seu talento valeu-lhe o convite para uma importante exposição: "Entre la memoria y el legado: Mujeres del Ecuador".





A exposição pretendia prestar, no Dia Mulher, homenagem a algumas mulheres equatorianas de destaque:

"Entre as heroínas retratadas estão Matilde Hidalgo, uma pioneira na educação e a primeira mulher a votar no Equador; Dolores Cacuano, uma líder indígena e uma defensora dos direitos sociais; e Ana Peralta que criou um dos primeiros movimentos feministas no Ecuador, lutando pelos direitos das mulheres."


O trabalho de Ilda Pinto Almeida

E o merecido reconhecimento pela participação:




domingo, 8 de março de 2026

Desafios de autores para autores: Março - Dia da Poesia

Os desafios de Poesia têm, desde já, a recepção aberta com o prazo a terminar ao final do dia 20, sexta-feira. Estarão online no dia 21 de Março, data em que as votações abrirão (serão encerradas a 15 de Abril, 2026).

O tema é livre, mas quem quisesse poderia assinalar o Dia da Mulher.
Os textos não têm prémio especial, serão avaliados juntamente com os outros, mas, por graça, levam esta imagem e ficam, desde já, disponíveis.


Lembramos que do dia 21 de Março e até ao dia 15 de Abril teremos uma votação a decorrer para encontrar o poema favorito dos leitores.
Como habitualmente, as votações serão feitas usando a caixa de comentários (já sabem que tem moderação pelo que os comentários/votos não ficam visíveis de imediato), não há limite para o número de vezes que podem votar ou em quem votar, apenas se espera algum bom senso (e apesar de aceitarmos que no blogue as votações ficam anónimas, só validaremos os votos após recebermos por email a identificação do votante e forma de contacto, assim que lhe atribuirmos um número).
O autor do texto mais votado escolherá do nosso catálogo de Poesia exemplar do livro que mais lhe agradar; e o mesmo sucederá com o comentário/voto sorteado de entre os votantes identificados.


(13) nas trincheiras da esperança

abraçados às marés,
libertos nas areias dos mares,
estamos nas trincheiras da esperança,
                            olhar noturno de quem
                            quer lua, mas com a terra, 
se não tivermos a terra,
para que queremos a lua.

vampiros avançam pelos campos
                            e o trigo não floresce,
                            nem o milho reluz,
porque as espigas são correntes de água,
                            que desaguam nos ribeiros.

a esperança dourada, são violas de arco-íris,
semeando a vontade,
forjando as harpas de canções de poesia.

joaquim armindo
21/3/2026

(12) Adeus Salva Almas

José de Almeida, o Salva Almas (esquerda)


Adorava estar a viver nas calmas
Fazer coisas simples como caminhar à beira-mar
Ouvir um músico de rua e bater-lhe palmas
Parar numa esplanada e beber até me saciar.
Ao invés vivo numa correria e cheio de perigos
Com um ruído de fundo que só me causa traumas
Deito-me sem ter tempo para visitar os meus amigos
Acordo e dizem-me que morreu o Salva Almas.
Cai-me uma lágrima porque dele não me despedi
E sentindo um aperto enorme no coração
Sinto-me triste e pesaroso pelo que não vivi
Tudo porque ainda não aprendi a dizer que não. 

Aníbal Seraphim

 

(11) O cantar do Emigrante

 

Vem, menina, ouvir o nosso cante,
Por sobre a seara a ondular;
E eu cá em terra distante,
Ao meu Alentejo quisera voltar.

 

Chora o meu coração, menina,

Da lonjura amargurado,

De não mais teus olhos ver, trigueirinha,

De te não ter a meu lado.

 

Mais feliz é o pardalito, ceifeira,
Que à tua mão busca o sustento,
Que o teu amor em terra estrangeira
Buscando o nosso cante no vento.

 

Abala, ó vento, pelas serranias,

Vê não te atardes no mar;

Leva-lhe em lindas melodias

As lágrimas do meu cantar.

 

Traz-me o cheiro das suas tranças

De trigo e feno entrançadas,
P’ra me eu lembrar cá por estas Franças
Das nossas ternas madrugadas.

 

Ó minha aldeia caiada,

Com todo o estio por diante,

Não queiras ser como a cidade,

Onde nem o melro sabe o cante.

 

Hei-de voltar à minha terra,
Não se me canse a alma de viver;
Que a trigueirinha à minha espera
Ao Alentejo me vai prender. 

Ana Ferreira da Silva

 

(10) é preciso dizer não

 

por entre as espingardas infames,
que matam dia a dia,
os homens e mulheres da paz,

é preciso dizer não.

 

por entre os aviões,
lançando bombas sobre o sol,
e levantam a húmida tempestade,

é preciso dizer não.     

 

perante o esmagar dos lírios,
e os drones da mesquinhez do dinheiro,
sugando o húmus à terra,

é preciso dizer não.

 

perante os neurónios esmagados,
dos senhores que fazem a guerra,
em nome duma paz, jogando ténis,

é preciso dizer não.

 

perante aqueles que sonegam a verdade,
e da mentira fazem azes,
sabendo que os passaritos não cantarão assim,

é preciso dizer não.

 

perante os domadores das ciências,

e da história se esquecem,
como se tivessem os arquétipos da vida,

é preciso dizer não.

 

é preciso dizer não, com letras visíveis,
de quem não se vende,
nem se atraiçoa,
o vento sopra sempre, como queremos.

 

joaquim armindo
21/3/2026

 

(9) poema no dia da poesia

 

o poema não é surdo,
mas se o fosse,
derramaria sobre os nossos braços
a sua propositura,
os lamaçais sucumbiriam,
aos raios,
dos relâmpagos presos por fitas,
(sim por fitas),
e deles sairiam estrelas,
perfumando o odor das pétalas,
ai, ai, primavera, quem te dera ser poema,
o inverno jamais veria a sua perturbação.

 

joaquim armindo
21/3/2026

(8) TROVA de te buscar

Busquei-te pelos campos em flor,
Despontava a Primavera;
Anelando por teu amor,
Por longes caminhos viera.

 

Rubra papoila colhi
Das ondas de oiro da seara,
Por assim ofertar a ti
Sangue que o coração chorara.

 

Das fontes de Maio eu provei
Livres, pelas fragas cantando;
Por mui rudes trilhos penei,
Sol e as estrelas me guiando.

 

Pés feri em dez mil agruras,
Ficou-se-me a fímbria nas giestas
Do vestido, e nas alturas,
Sinos perdi pelas florestas.

 

Rachando vai meu bordão,
A alma rende de tantas luas;
Resta agora o coração
Se me vierem feras cruas.

 

E eis que avistando vou
Ameias perdidas na bruma;
Sei que me esperas, pois sou
De ti amada, que outra nenhuma.

 

E é por ti que a trova canto,
Deste anelo de te amar,
Cativos de suave encanto
No jardim de Aziza ao luar.


Ana Ferreira da Silva
25 de Dezembro de 2024

 

(7) A Despedida 

Perguntas-me quanto te quero eu...
- E por que partes, se tanto te quero?
Que responder, amigo, às aves do céu,
À primavera, ao coração sincero? 

Tua voz recordo na canção das fontes,

Teus olhos na estrela da madrugada;
Nossos caminhos por agrestes montes,
Nas pedras sangrentas de cada estrada.
 
Sempre a luz nasceu da noite mais fria,
Mas não há partida sem dor, amigo;
Pudesse, e de ti não me apartaria...
 
Hoje a bandeira do destino sigo.
Em sonhos buscarei tua companhia...
Sonha tu comigo, como eu contigo!                
Ana Ferreira da Silva


(6) O Silêncio num Mundo que Não Se Cala

Num mundo que não pára de falar,
o silêncio tornou-se raro.
Confundem-no com vazio,
com distância,
com ausência.
Mas o silêncio
nunca foi falta.
Há silêncios que curam.
Silêncios que amparam
sem exigir explicações.
Silêncios que ficam
ao lado da dor
quando as palavras
já não sabem o caminho.
Vivemos cercados de ruído:
vozes, pressa,
opiniões atiradas ao vento,
respostas antes da escuta,
frases ditas
só para não deixar espaço.
E, no entanto,
é no silêncio
que o coração respira melhor.
É nele que a verdade
se aproxima devagar.
É nele que o olhar
reaprende a ver.
É nele que a palavra
recupera o seu peso.
Talvez o verdadeiro valor do silêncio
esteja precisamente aí:
lembrar-nos,
no meio de tanto barulho,
que o essencial
não precisa de gritar. 
Inês Alhandra

  

(5) O SORRISO

O sorriso é sol de manhã
Clareia o coração.
É ponte leve e humana,
Nascida da emoção.
Cabe num gesto pequeno,
mas muda o dia inteiro.
É flor nascendo serena
no rosto de um companheiro.
Sorrir é dar sem cobrar,
é acender sem gastar luz —
um simples jeito de amar,
que o próprio amor conduz.

Maria Teresa Portal Oliveira


(4) as mulheres no caminho da paz


quantas crianças, quantos homens, quantas mulheres,
figuram na lista dos mortos,
pela força das armas,
                          lançadas sem razão,
                          (mesmo que razão houvesse).

os ribeiros não sabem das margens,
e os rios não são de paz.

talvez os únicos que ainda lutam,

                          sem carabinas, nem aviões,
                          nem os drones vorazes,
                          (novo negócio mercantilista)

que trucidam quem os lê,
mas não conseguem destruir a luta das mulheres.

afeganistão, ou irão, ou israel, ou ucrânia,

                           ou mesmo estados unidos da américa,
                           com a sua veracidade de comando.

não conseguem tapar os brilhos nos olhos da mulher,

lutando por si, pelos outros, pela paz,
elas são o caminho da paz.
joaquim armindo
8/3/2026

(3) e as mulheres igreja

ajoelham-se, oram,
cantam,
                        algumas embrulhadas em saco,
mas são força e luz da luz,
numa masmorra sem brilho.

estas mulheres são exploradas,
no seu ser,
                        e entendimento.

forçadas a não terem palavra,
são areia molhada pela água dos mares,
acolhem o coração, e ensinam a amar,
                        mas destruídas.

abençoadas, pelos gestos,
na comunhão dos dias,
são afastadas rudemente,
                        porque possuem verdade.

não querem ser líderes,
nem hierarcas,
mas servir, na comunidade,
                        por isso brilham como o Sol,
e são Lua noturna.

são o evangelho feito azeite,
e oliveiras com sal,
se lhes dessem a palavra,
seriam golfinhos,
a nadar de Palavra.
joaquim armindo
8/3/2016

(2) às mulheres sem nome e rosto

as carquejeiras,
                            que montavam sobre o seu corpo,
                            o carvão, desde o rio douro,
                            às fontaínhas,
numa íngreme calçada, apalpadas,
no seu corpo feminino,
pelo Porto fora,
                            distribuindo aos senhores
                            da terra,
                            o aquecimento,
pela noitinha em segredo,
                            era o jantar, deitar os meninos,
                                                            filhos ou netos,
e na cama, nem sentiam,
o que lhes estava preparado.


ou as leiteiras,
ou as padeiras,
ou as peixeiras,
                            não sentiam o que era a noite,
de dia vendiam o leite, o pão e o peixe,
às senhoras clientes,

                            que também não sabiam o que era a noite,
                           mas tinham de levar as marmitas aos homens,
                               ao meio-dia, de cada dia.

o poema não consegue contar,
o sacrifício das suas vidas,
onde as amendoeiras não davam flores,
os cravos não floriam,
os moinhos não moíam,
as uvas o vinho tinto.

mas sente o oito de março,
nas greves e nas mortes do quotidiano,
o sabor da pólvora que fere,
de morte das suas vidas.

joaquim armindo
8 de março de 2026

(1) MULHER


Chorei risos embrulhados em lágrimas,
lancei gemidos afogados no silêncio,
atirei ais às partes ignotas do vento.

Amarfanhei a alma no verde da paisagem
e esperei por um riso — miragem breve —,
um sorriso que surgisse de passagem
e ecoasse o meu amor
nos penedos e rochedos do teu mar.

Aspirei a mudez da tua boca,
que não soltou um sopro,
e emudeceu de vez o meu coração.

Ah! Alma da minha existência,
clarão na minha sombra,
ouvi dos teus passos a cadência —
mas recusaste dar-me sentido,
e deixaste-me na solidão.

Maria Teresa Portal Oliveira

domingo, 1 de março de 2026

Desafios de autores para autores: Março e Abril 2026

  


Como habitualmente, nesta época do ano, apresentamos os Desafios que celebraram os géneros literários... Assim, em Março celebramos a Poesia (que tem o seu dia a 21 de Março) e em Abril (que a 23 tem o Dia Mundial do Livro) vamos festejar a Prosa.

Ambos os desafios terão votação do público e haverá prémios que serão anunciados quando as participações forem colocadas online.
Os desafios de Poesia têm, desde já, a recepção aberta com o prazo a terminar ao final do dia 20, sexta-feira. Estarão online no dia 21 de Março, data em que as votações abrirão (serão encerradas a 15 de Abril, 2026).

O tema é livre, mas quem quiser assinalar o Dia da Mulher terá que submeter os poemas até ao final do dia 7 de Março. Naturalmente, estarão online no dia 8 de Março. Os textos não têm prémio especial, serão avaliados juntamente com os outros, mas, por graça, levarão esta imagem. 


E logo a partir do dia 1 de Abril e até ao final do dia 22 de Abril receberemos os textos de prosa. No dia 23 de Abril de 2026 colocaremos os textos online e abriremos as votações, que vão terminar a 15 de Maio.


Dia Mundial da Poesia


Os poemas são de tema e estilo livre. Os poemas devem chegar-nos até às 20 horas do dia 20 de Março, que é para termos tempo de os organizar no blogue.
Até 15 de Abril de 2026, quem visitar o blogue (Notícias das Nuvens) poderá votar no poema favorito. – Não há limites para as votações, que serão feitas no próprio blogue, nos comentários. (Lembramos que nos nossos blogues os comentários são monitorizados – para evitar spam, vírus e pessoas desocupadas… - pelo que só depois de aprovados os comentários é que eles ficam visíveis no blogue. Também terão que ser devidamente autenticados.). Os autores podem fornecer links para o blogue aos seus contactos e nas suas redes sociais.

Dia Mundial do Livro

O desafio para este mês é livre, um pequeno texto, com menos de 20 linhas (podem usar uma folha A5 como referência) sobre o que quiserem, seja um livro que vos tenha marcado, um pequeno conto de vossa autoria, um pensamento (que pode vir acompanhado de uma foto tirada por vós); o início de um livro que planeiam escrever (ou já escreveram, mas ainda não publicaram)...
Neste dia, em prosa, celebraremos a palavra escrita como forma de comunicação, de expressão de sentimentos, de companhia, de forma de viajar (pela memória, por exemplo), etc.
Mais para a frente, voltaremos aos detalhes deste Desafio.


Envie os seus trabalhos para geral@tecto-de-nuvens.pt ou tectodenuvens@hotmail.com

António Poças, autor de "O Embondeiro misterioso", em entrevista

 Por vezes, uma árvore é muito mais do que "apenas" um elemento da natureza; por vezes, as vidas das pessoas são maiores do que elas próprias e merecem ser contadas. A passagem de António Poças por Moçambique (1957-1975) deu-lhe o fascínio pela árvore e o conhecimento da cultura local. Conhecer a esposa deu-lhe o conhecimento da história da família, em particular dos pais, que servem de base para este romance-ensaio.
E assim se juntaram todos estes elementos para que aos 80 anos este pai de 8 filhos e avô de 12 netos, nos leve a todos de passeio pelo Tempo, pela História, pela paisagem de Moçambique. Deixemos, que à sombra deste embondeiro, o nosso guia nos explique a jornada.
António Poças, por voz própria e na primeira pessoa:

 Conte-nos como e porquê começou a escrever, por paixão ou por necessidade?
As duas coisas, mas mais por paixão

 Qual o papel que a escrita ocupa na sua vida?
Uma forma de exteriorizar o que me vai na alma e a tentativa de responder a questões essenciais sobre o sentido da vida, a relação do homem com o mundo que me rodeia, a origem e o destino do homem no contexto da criação e o humanismo como mola impulsionadora da minha participação na história.

 Sempre sonhou publicar um livro?
Sim, mesmo sabendo quão difícil se torna “erguer” a voz no meio de tanta concorrência, em que os mais expeditos e oportunistas (nem sempre os de melhor qualidade) sobressaem e abafam os que não têm meios materiais para se fazerem “ouvir”.

 Qual é a sensação que tem ao ver, agora, o seu livro nas mãos?
É como ser pai de um filho que se gera para a vida.

 Tem algum projecto a ser desenvolvido, actualmente? Pensa publicar mais algum livro? Continua a sentir vontade de escrever?
Tenho vários: à volta de 2.000 poemas, ainda inéditos e apenas um pequeno livro publicado (“A Palavra que me Inventa”), crónicas, um ensaio sobre as virtudes e uma autobiografia sobre o diaconado permanente.

 Fale-nos um pouco sobre o seu livro.
O Embondeiro Misterioso tem como elemento inspirador a história de uma família de Viseu que parte para Moçambique, para uma pequena localidade perto da Gorongosa (no centro do país), investindo aí as suas economias e retorna a Portugal após a independência sem nada. A narrativa aborda o misticismo africano, a aspiração à independência, a guerra colonial, a ação humanitária, cultural e religiosa (cristã) dessa família e a luta contra a discriminação.

 Existe alguma parte do livro, em particular, que goste mais. Porquê?
Sim. O testemunho humano do casal António Rocha e Maria Arminda.

 Indique as razões pelas quais aconselharia as pessoas a ler o seu livro? O que acha mais apelativo no seu livro?
Muito sinceramente, creio que o livro interessa a toda a gente que aprecia o encontro e a partilha entre culturas diferentes: leitores que sentem interesse pelo misticismo e pelas religiões, passando, obviamente, pelos diversos contextos interculturais. Mas, sobretudo, aconselho a leitura deste livro aos que nasceram, viveram ou passaram por Moçambique. É uma experiência que fica enraizada na memória!
Mais apelativo? modestamente, creio que é a história toda, pela narrativa centrada no misticismo africano, focalizado no culto dos antepassados e, depois, ah! - o papel que o Embondeiro desempenha como uma espécie de “totem”, “ícone”, “centro de culto/altar” da sacralidade africana e o “ganz andere” (ambiente místico/sobrenatural) que ali se sente e evoca.

 Qual é o seu estilo de escrita ou que tipo de mensagem gosta de passar no que escreve?
Sou tendencialmente inclinado para textos com pendor humanista e cristão. Gosto de exprimir, por palavras e pelo testemunho de vida pessoal, o apelo ao civismo, à integração social, à defesa dos mais pobres e ao interculturalismo (diálogo e respeito pelas diferenças, sejam elas quais fores…). Nesse sentido, gosto de poesia, de conto, romance…

 Qual o papel das redes sociais na vida e na divulgação da obra de um autor? E na sua?
Penso que as redes sociais podem ser excelentes veículos de divulgação, desde que respeitem a liberdade de cada um, sem ligações a interesses a montante (ideológicos, empresariais, económicos, políticos, religiosos…); quanto à divulgação da minha obra, podem contribuir para a focalização do multiculturalismo, e independência do pensamento crítico.

Gosta de ler? Que tipo de leitor é?
Gosto de ler, sempre que o tempo de que disponho me permite. Aprecio um bom romance, história, livros de meditação espiritual e de apologética cristã.


Livro à venda nas principais plataformas nacionais e internacionais.
Pode saber mais sobre o livro aqui.