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terça-feira, 31 de março de 2026

Ilda Pinto Almeida, autora de "Fé sem fronteiras...", em entrevista

 Já dispensa apresentações a Ilda Pinto Almeida, aparece por aqui a apresentar os seus novos trabalhos duas a três vezes ao ano. Só precisamos mesmo de saber, a cada entrevista, qual é o género literário e a que público (ou público) se destina o novo trabalho.
Mas desta vez temos um pormenor engraçado, vamos citar parte de uma entrevista anterior, em que já falava do projecto que originou este livro.

É a entrevista de 2024 onde a propósito da participação na colectânea: “Heróis e heroínas da Bíblia” dizia: «Tenho um trabalho feito e na gaveta desde dois mil vinte. Em dois mil e vinte um, estes contos, foram publicados em pequenos boletins que chegaram ao Brasil e a Moçambique e distribuídos por algumas crianças e adultos nos Estados Unidos gratuitamente. Agora tenho a vontade de ver estes textos publicados em livro. Quem sabe alguém leia esta entrevista e esteja disponível para uma parceria na área da ilustração, ou então quem queira patrocinar na aquisição de exemplares.»


Bom, é o momento de sabermos como é que as coisas se desenvolveram desde então. Mas quem melhor para explicar tudo do que a própria autora? Ilda Pinto Almeida, por voz própria e na primeira pessoa: 

  Qual é a sensação que tem ao ver, finalmente, este livro nas mãos? Valeu a pena a espera? Conseguiu uma ilustradora. E quanto a mecenas?

Sinto uma sensação de dever cumprido e agradecida pelo trabalho final. Como escreveu o nosso poeta Fernando Pessoa “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Neste caso valeu a pena: a espera, os contratempos, os nãos, as desconfianças e até as censuras que vou encontrando ao proceder ao knock knock das portas. Tive a graça de encontrar a ilustradora Julieta, que confesso, desde o momento em que com ela falei ter sentido que Deus estava neste negócio. Dou graças a Deus pela sua vida e pelo seu contributo e empenho em realizar com sucesso estas pequenas e simples ilustrações. Depois vieram os mecenas! Bati em várias portas onde pensava encontrar parceiros naturais, recebi elogios e promessas, mas intenções vazias. No entanto, em um momento de celebração, encontrei em pessoas comuns, durante uma conversa informal, o apoio genuíno que tanto esperei. A fé permanece viva. Feliz é aquele que se doa com alegria, sem hesitar, motivado pelo desejo de contribuir e fazer a diferença.

  Fale-nos um pouco sobre este livro, começando, talvez, pelo projecto inicial, ainda em boletins.

 Este livro nasceu de doze histórias, que foram escritas em um período de doze meses, em pequenos folhetos que iam sendo distribuídos por vários locais, chegando a ultrapassar fronteiras. Nestes pequenos boletins, crianças de vários lugares iam construindo ilustrações simples para cada texto que iria sair no mês seguinte. Foi um projeto de grande satisfação e cuidado para que fosse preenchido com os requisitos das verdadeiras histórias bíblicas. Os primeiros folhetos foram lançados em 2021 e chegaram a Europa, América do Sul e África. O projecto chamava-se "Um boletim por mês".

  Indique as razões pelas quais aconselharia as pessoas a ler estes seus contos? O que acha mais apelativo neles?

 Este é um livro que traz conhecimento e ensino sobre um passado vivido por grandes homens e mulheres de fé, em que as suas vivências podem inspirar não só crianças e adolescentes, como adultos também, nos dias que correm em que as pessoas deambulam sem esperança. Sei que fiz o que era certo e desejo que estes textos venham a motivar os leitores a procurar saber mais sobre as sagradas escrituras.

  Porque temos que indicar um público para cada livro, escolhemos o público infantojuvenil, contudo, suponho, não há um limite de idades para esta leitura?

Conforme tenho mencionado nas minhas redes sociais, este livro oferece conteúdo acessível a todos, evidenciado pelos inúmeros comentários de leitores que ao longo de seis anos de distribuição de folhetos, que expressaram gratidão por terem tido acesso a textos simples que lhes proporcionaram conhecimentos inéditos. A transmissão de sentimentos valiosos e informações pertinentes não conhece barreiras etárias.

  Não sei se já o referiu, mas estando o mundo num estado tão, incompreensivelmente, bélico, olhando para estes contos, nomeadamente para os segmentos bíblicos, para além da moralidade que já apresentou no livro, não lhe parece que, sem necessidade, temos a História a repetir-se? Que talvez falte a literatura, o conhecimento, para que não se continuem a repetir os mesmos erros? – Sabemos que a motivação dos “senhores da guerra” é interesseira, monetária, pelo poder; mas quem os segue, muitas vezes, motiva-se, apenas, na ignorância e no preconceito. -  Seja para enaltecer os heróis, seja para condenar os vilões, não lhe parece que a Bíblia, em particular o Antigo Testamento com tanto em comum para Cristãos, Judeus e Muçulmanos (e todas as religiões e credos derivados delas), deveria ser visto como cultura geral e não somente como cultura religiosa? Afinal continuamos a falar “David contra Golias”, da “justiça salomónica”, etc. no nosso dia-a-dia, mas já com o risco de as pessoas saberem quando aplicar as expressões, mas não necessariamente situarem os episódios e a respectiva fonte.

A literatura bíblica, quando abordada como cultura geral, ilumina dilemas éticos e psicológicos universais. O desafio é promover uma educação que contextualize esses textos, destacando sua riqueza simbólica e histórica, para lá de fundamentalismos ou simplismos. Eu acredito que a abordagem da Bíblia, como cultura geral, pode contribuir para uma maior empatia e compreensão mútua entre pessoas de diferentes credos e backgrounds. A Bíblia, e em particular o Antigo Testamento, é um texto fundador de culturas e civilizações, que ultrapassa a esfera puramente religiosa. As narrativas como David e Salomão percorrem o conceito de justiça, liderança, conflito e redenção. As repetições de ciclos violentos na história estão ligados à desconexão com os valores e amor ao próximo, acredito eu, ao mesmo tempo que o simples conhecimento que tenho sobre as escrituras me levam a entender esta minha posição. A bíblia oferece-nos um valor patrimonial e cultural sobre perspectivas e condição humana inigualável. A história sobre David contra Golias, representa o triunfo da fé e da confiança em Deus sobre a força física e o medo, onde os obstáculos impossíveis podem ser superados, destacando a coragem e a fé Naquele que tudo pode.
A pergunta que faz toca em pontos cruciais sobre a relação entre a literatura, a história e a compreensão cultural, especialmente num contexto global tão conturbado. Espero ter conseguido deixar o meu contributo com a devida nobreza e responsabilidade que tem a palavra de Deus.

  Este livro vem com uma novidade: link e QR code (aquela coisa que parece uma mancha cheia de pontinhos) para aceder a uma galeria de imagens (e voltamos à introdução desta entrevista). Fale-nos sobre o que se pode ver nessa galeria e sobre a possibilidade de ela se continuar a alargar.

 Este link QR, já faz parte desta sociedade, e como tal a necessidade de acompanhar este tempo, onde tudo ou quase tudo deve ser mostrado. Mas a galeria de imagens que apresento e um verdadeiro tesouro, especialmente para mim, e acredito que muitos dos leitores também irão refletir nestas imagens. Nestas imagens há ilustrações e comentários de crianças africanas, crianças do Sertão da Bahia, etc. Através destas ilustrações podemos verificar as necessidades destes adolescentes, a falta de materiais escolares, contudo, foi maior o desejo de participarem com o pouco material que possuem, com uma gratidão enorme pelo que tem.
Também tu podes deixar o teu parecer sobre aquilo que aprendeste com estes textos e com certeza irão ser colocados nesta galeria .

  Finalmente, a data oficial de lançamento deste livro é, muito apropriadamente, o dia de Páscoa. Nutre alguma esperança que no dia em que nos debruçamos sobre o ressuscitar, o voltar à vida, o renascer – e já em plena Primavera – que o livro possa ser veículo para esperança, compreensão e aceitação e assim, um leitor de cada vez, vá pavimentando um caminho para uma vida mais em paz?

Essa é a minha esperança. Não duvido do que Deus pode fazer. Jesus na sua morte e Ressurreição nos chama para ser o sal da terra e a luz do mundo. Para se ser missionário não é preciso sair fisicamente da nossa rua. Os livros são viajantes que conhecem povos e deixam sementes. Viajam por lugares impensáveis transportando pensamentos, verdades que abraçam corações. Quero expressar a minha profunda gratidão a todos que possibilitaram a realização deste projeto. Um projeto que nasceu com muita dedicação e da solidariedade de quatro pessoas que desejaram semear literatura para as novas gerações nas escolas, bibliotecas e instituições dispostas a receber obras inspiradas na amizade, na gratidão e na busca por uma melhor aprendizagem de valores, que por si conduzem ao sucesso de um futuro mais sensível. Neste Dia de Páscoa, celebração, onde o amor é o caminho para a humanidade, que a serenidade destes textos inspire a arte da amizade e renove a nossa conexão com Deus. Como dizia Charles Spurgeon: “Só os tolos acreditam que a política e a religião não se discutem. Por isso os ladrões permanecem no poder e os falsos profetas continuam a pregar".


A autora encontra-se correntemente em Portugal, precisamente a apresentar e a oferecer (gratuitamente) o livro por escolas e bibliotecas.
Pode ir acompanhando o percurso dela nas redes sociais:

https://www.facebook.com/share/p/18N47ZW4WY/?mibextid=wwXIfr

https://www.facebook.com/share/p/1GVkexjYC5/?mibextid=wwXIfr



Livro disponível na loja online da Tecto de Nuvens e nas principais plataformas nacionais e internacionais.

domingo, 22 de março de 2026

Novo livro de Ilda Pinto Almeida - "Fé sem fronteiras..." - com promoção solidária


No próximo dia 5 de Abril celebra-se a Páscoa, e este ano para além de amêndoas e ovos e demais doçarias, temos como prenda o novo livro de Ilda Pinto Almeida:



Promoção solidária – receba um segundo exemplar na compra do primeiro.
Graças à generosidade de algumas mecenas temos alguns exemplares para serem distribuídos por bibliotecas, escolas e instituições. Até ao dia 4 de Abril, 2026, ao encomendar o seu exemplar deve indicar (fornecendo dados) a que instituição vai oferecer o livro. (Assim não só ficamos com a informação de onde os livros vão ficar, como faremos com que haja algum equilíbrio na distribuição). Pode adquirir quantos exemplares quiser, mas vamos limitar a oferta até 3 exemplares; isto é, se adquirir 4 exemplares, poderá oferecer até 3 exemplares. - Oferecemos os portes dos exemplares para oferta. -

E MAIS…

Até às 23h59 minutos do dia 4 de Abril de 2026 pode adquirir o livro com 25% de desconto. 15€ = 11,25€

Livros e solidariedade: uma excelente forma de celebrar a Páscoa! Leia e ofereça!


Esta imagem de autoria de Julieta faz parte deste livro ("A ADMIRÁVEL HISTÓRIA DE MEFIBOSETE"). Não pode ser copiada ou usada para qualquer fim sem autorização da autora. - A qualidade da imagem foi intencionalmente reduzida. -




Fé Sem Fronteiras: Lições bíblicas de Fé, Amizade e Amor para o Século XXI; Ilda Pinto Almeida
90 páginas; capa mole; Tecto de Nuvens, 2026 (Abril), PVP: 15€


Com uma linguagem simples e acessível, “Fé Sem Fronteiras” apresenta personagens bíblicas de uma forma contemporânea e cativa, mostrando como os valores bíblicos podem ser aplicados no dia a dia. É um livro que visa promover a cultura, cidadania e a compreensão, ajudando as crianças a se tornarem cidadãs mais capazes e compassivas.”

Ilustrações a cores por Julieta.

Encomendas para o email loja@tecto-de-nuvens.pt. Às encomendas recebidas do dia 2 até ao final do 4 (ainda dentro das promoções) e as feitas no dia 6, daremos seguimento a partir do dia 7 de Abril, 2026.




terça-feira, 17 de março de 2026

Novo livro em pré-lançamento: "Poemas do Bô Maia"

A lançar a 19 de Março (Dia do Pai):




Poemas do Bô Maia – edição póstuma - ; António Rocha Maia
106 páginas, capa mole, Tecto de Nuvens 2026 (Março) PVP: 12€

Os poemas do “Mainha” têm uma verdadeira dimensão documental para a história da Vila de Barreiros e depois Vila da Maia, evoca as suas gentes notáveis e os mais simples também, a natureza que perscrutou com uma sensibilidade rara, a frescura e limpidez do rio Leça e suas margens, a mais variada fauna e os pássaros que o cativaram desde tenra idade e, com tristeza, viu desaparecer com a força avassaladora do progresso. As nossas tradições seculares, a força com que a Igreja Católica e Nossa Senhora do Bom Despacho o influenciaram a si e aos Maiatos, a ternura e paixão pela família, tudo isso foi retratado nesta vasta obra de poesia popular que o “Mainha” produziu e que agora fica perpetuada.


Até às 23h59 minutos do dia 18 de Março:


25% de desconto na compra deste livro.
Possibilidade de portes grátis* na compra deste livro e de mais um ou mais livros do folheto de Poesia. (os preços promocionais dos livros do folheto mantém-se, apenas o novo livro terá um desconto superior).



*Apenas em Portugal Continental.


Não perca a oportunidade de ler e oferecer poesia.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Vaidosicezinhas XXIII

 Ilda Pinto Almeida vai aparecendo por este blogue tanto na sua vertente como autora como na vertente artista plástica.

Mais uma vez o seu talento valeu-lhe o convite para uma importante exposição: "Entre la memoria y el legado: Mujeres del Ecuador".





A exposição pretendia prestar, no Dia Mulher, homenagem a algumas mulheres equatorianas de destaque:

"Entre as heroínas retratadas estão Matilde Hidalgo, uma pioneira na educação e a primeira mulher a votar no Equador; Dolores Cacuano, uma líder indígena e uma defensora dos direitos sociais; e Ana Peralta que criou um dos primeiros movimentos feministas no Ecuador, lutando pelos direitos das mulheres."


O trabalho de Ilda Pinto Almeida

E o merecido reconhecimento pela participação:




domingo, 8 de março de 2026

Desafios de autores para autores: Março - Dia da Poesia

Os desafios de Poesia têm, desde já, a recepção aberta com o prazo a terminar ao final do dia 20, sexta-feira. Estarão online no dia 21 de Março, data em que as votações abrirão (serão encerradas a 15 de Abril, 2026).

O tema é livre, mas quem quisesse poderia assinalar o Dia da Mulher.
Os textos não têm prémio especial, serão avaliados juntamente com os outros, mas, por graça, levam esta imagem e ficam, desde já, disponíveis.


Lembramos que do dia 21 de Março e até ao dia 15 de Abril teremos uma votação a decorrer para encontrar o poema favorito dos leitores.
Como habitualmente, as votações serão feitas usando a caixa de comentários (já sabem que tem moderação pelo que os comentários/votos não ficam visíveis de imediato), não há limite para o número de vezes que podem votar ou em quem votar, apenas se espera algum bom senso (e apesar de aceitarmos que no blogue as votações ficam anónimas, só validaremos os votos após recebermos por email a identificação do votante e forma de contacto, assim que lhe atribuirmos um número).
O autor do texto mais votado escolherá do nosso catálogo de Poesia exemplar do livro que mais lhe agradar; e o mesmo sucederá com o comentário/voto sorteado de entre os votantes identificados.



(14) Águas serenas*


Águas serenas, vai o rio a fluir
Entre as árvores nuas, há um sussurro de ar
Uma ponte liga sonhos distantes
Sob céus de nuvens brancas e errantes

Folhas novas brotam, verde esperança,

No horizonte, a natureza faz a sua dança
O silêncio do rio não reflete o mundo
Um convite ao devaneio profundo

Nessa paisagem, quase que a preto e branco se encontra
Um collage de alma, poesia sem outra

Ilda Pinto Almeida
*(Tão serenas que o email com a participação se perdeu...)


 (13) nas trincheiras da esperança

abraçados às marés,
libertos nas areias dos mares,
estamos nas trincheiras da esperança,
                            olhar noturno de quem
                            quer lua, mas com a terra, 
se não tivermos a terra,
para que queremos a lua.

vampiros avançam pelos campos
                            e o trigo não floresce,
                            nem o milho reluz,
porque as espigas são correntes de água,
                            que desaguam nos ribeiros.

a esperança dourada, são violas de arco-íris,
semeando a vontade,
forjando as harpas de canções de poesia.

joaquim armindo
21/3/2026

(12) Adeus Salva Almas

José de Almeida, o Salva Almas (esquerda)


Adorava estar a viver nas calmas
Fazer coisas simples como caminhar à beira-mar
Ouvir um músico de rua e bater-lhe palmas
Parar numa esplanada e beber até me saciar.
Ao invés vivo numa correria e cheio de perigos
Com um ruído de fundo que só me causa traumas
Deito-me sem ter tempo para visitar os meus amigos
Acordo e dizem-me que morreu o Salva Almas.
Cai-me uma lágrima porque dele não me despedi
E sentindo um aperto enorme no coração
Sinto-me triste e pesaroso pelo que não vivi
Tudo porque ainda não aprendi a dizer que não. 

Aníbal Seraphim

 

(11) O cantar do Emigrante

 

Vem, menina, ouvir o nosso cante,
Por sobre a seara a ondular;
E eu cá em terra distante,
Ao meu Alentejo quisera voltar.

 

Chora o meu coração, menina,

Da lonjura amargurado,

De não mais teus olhos ver, trigueirinha,

De te não ter a meu lado.

 

Mais feliz é o pardalito, ceifeira,
Que à tua mão busca o sustento,
Que o teu amor em terra estrangeira
Buscando o nosso cante no vento.

 

Abala, ó vento, pelas serranias,

Vê não te atardes no mar;

Leva-lhe em lindas melodias

As lágrimas do meu cantar.

 

Traz-me o cheiro das suas tranças

De trigo e feno entrançadas,
P’ra me eu lembrar cá por estas Franças
Das nossas ternas madrugadas.

 

Ó minha aldeia caiada,

Com todo o estio por diante,

Não queiras ser como a cidade,

Onde nem o melro sabe o cante.

 

Hei-de voltar à minha terra,
Não se me canse a alma de viver;
Que a trigueirinha à minha espera
Ao Alentejo me vai prender. 

Ana Ferreira da Silva

 

(10) é preciso dizer não

 

por entre as espingardas infames,
que matam dia a dia,
os homens e mulheres da paz,

é preciso dizer não.

 

por entre os aviões,
lançando bombas sobre o sol,
e levantam a húmida tempestade,

é preciso dizer não.     

 

perante o esmagar dos lírios,
e os drones da mesquinhez do dinheiro,
sugando o húmus à terra,

é preciso dizer não.

 

perante os neurónios esmagados,
dos senhores que fazem a guerra,
em nome duma paz, jogando ténis,

é preciso dizer não.

 

perante aqueles que sonegam a verdade,
e da mentira fazem azes,
sabendo que os passaritos não cantarão assim,

é preciso dizer não.

 

perante os domadores das ciências,

e da história se esquecem,
como se tivessem os arquétipos da vida,

é preciso dizer não.

 

é preciso dizer não, com letras visíveis,
de quem não se vende,
nem se atraiçoa,
o vento sopra sempre, como queremos.

 

joaquim armindo
21/3/2026

 

(9) poema no dia da poesia

 

o poema não é surdo,
mas se o fosse,
derramaria sobre os nossos braços
a sua propositura,
os lamaçais sucumbiriam,
aos raios,
dos relâmpagos presos por fitas,
(sim por fitas),
e deles sairiam estrelas,
perfumando o odor das pétalas,
ai, ai, primavera, quem te dera ser poema,
o inverno jamais veria a sua perturbação.

 

joaquim armindo
21/3/2026

(8) TROVA de te buscar

Busquei-te pelos campos em flor,
Despontava a Primavera;
Anelando por teu amor,
Por longes caminhos viera.

 

Rubra papoila colhi
Das ondas de oiro da seara,
Por assim ofertar a ti
Sangue que o coração chorara.

 

Das fontes de Maio eu provei
Livres, pelas fragas cantando;
Por mui rudes trilhos penei,
Sol e as estrelas me guiando.

 

Pés feri em dez mil agruras,
Ficou-se-me a fímbria nas giestas
Do vestido, e nas alturas,
Sinos perdi pelas florestas.

 

Rachando vai meu bordão,
A alma rende de tantas luas;
Resta agora o coração
Se me vierem feras cruas.

 

E eis que avistando vou
Ameias perdidas na bruma;
Sei que me esperas, pois sou
De ti amada, que outra nenhuma.

 

E é por ti que a trova canto,
Deste anelo de te amar,
Cativos de suave encanto
No jardim de Aziza ao luar.


Ana Ferreira da Silva
25 de Dezembro de 2024

 

(7) A Despedida 

Perguntas-me quanto te quero eu...
- E por que partes, se tanto te quero?
Que responder, amigo, às aves do céu,
À primavera, ao coração sincero? 

Tua voz recordo na canção das fontes,

Teus olhos na estrela da madrugada;
Nossos caminhos por agrestes montes,
Nas pedras sangrentas de cada estrada.
 
Sempre a luz nasceu da noite mais fria,
Mas não há partida sem dor, amigo;
Pudesse, e de ti não me apartaria...
 
Hoje a bandeira do destino sigo.
Em sonhos buscarei tua companhia...
Sonha tu comigo, como eu contigo!                
Ana Ferreira da Silva


(6) O Silêncio num Mundo que Não Se Cala

Num mundo que não pára de falar,
o silêncio tornou-se raro.
Confundem-no com vazio,
com distância,
com ausência.
Mas o silêncio
nunca foi falta.
Há silêncios que curam.
Silêncios que amparam
sem exigir explicações.
Silêncios que ficam
ao lado da dor
quando as palavras
já não sabem o caminho.
Vivemos cercados de ruído:
vozes, pressa,
opiniões atiradas ao vento,
respostas antes da escuta,
frases ditas
só para não deixar espaço.
E, no entanto,
é no silêncio
que o coração respira melhor.
É nele que a verdade
se aproxima devagar.
É nele que o olhar
reaprende a ver.
É nele que a palavra
recupera o seu peso.
Talvez o verdadeiro valor do silêncio
esteja precisamente aí:
lembrar-nos,
no meio de tanto barulho,
que o essencial
não precisa de gritar. 
Inês Alhandra

  

(5) O SORRISO

O sorriso é sol de manhã
Clareia o coração.
É ponte leve e humana,
Nascida da emoção.
Cabe num gesto pequeno,
mas muda o dia inteiro.
É flor nascendo serena
no rosto de um companheiro.
Sorrir é dar sem cobrar,
é acender sem gastar luz —
um simples jeito de amar,
que o próprio amor conduz.

Maria Teresa Portal Oliveira


(4) as mulheres no caminho da paz


quantas crianças, quantos homens, quantas mulheres,
figuram na lista dos mortos,
pela força das armas,
                          lançadas sem razão,
                          (mesmo que razão houvesse).

os ribeiros não sabem das margens,
e os rios não são de paz.

talvez os únicos que ainda lutam,

                          sem carabinas, nem aviões,
                          nem os drones vorazes,
                          (novo negócio mercantilista)

que trucidam quem os lê,
mas não conseguem destruir a luta das mulheres.

afeganistão, ou irão, ou israel, ou ucrânia,

                           ou mesmo estados unidos da américa,
                           com a sua veracidade de comando.

não conseguem tapar os brilhos nos olhos da mulher,

lutando por si, pelos outros, pela paz,
elas são o caminho da paz.
joaquim armindo
8/3/2026

(3) e as mulheres igreja

ajoelham-se, oram,
cantam,
                        algumas embrulhadas em saco,
mas são força e luz da luz,
numa masmorra sem brilho.

estas mulheres são exploradas,
no seu ser,
                        e entendimento.

forçadas a não terem palavra,
são areia molhada pela água dos mares,
acolhem o coração, e ensinam a amar,
                        mas destruídas.

abençoadas, pelos gestos,
na comunhão dos dias,
são afastadas rudemente,
                        porque possuem verdade.

não querem ser líderes,
nem hierarcas,
mas servir, na comunidade,
                        por isso brilham como o Sol,
e são Lua noturna.

são o evangelho feito azeite,
e oliveiras com sal,
se lhes dessem a palavra,
seriam golfinhos,
a nadar de Palavra.
joaquim armindo
8/3/2016

(2) às mulheres sem nome e rosto

as carquejeiras,
                            que montavam sobre o seu corpo,
                            o carvão, desde o rio douro,
                            às fontaínhas,
numa íngreme calçada, apalpadas,
no seu corpo feminino,
pelo Porto fora,
                            distribuindo aos senhores
                            da terra,
                            o aquecimento,
pela noitinha em segredo,
                            era o jantar, deitar os meninos,
                                                            filhos ou netos,
e na cama, nem sentiam,
o que lhes estava preparado.


ou as leiteiras,
ou as padeiras,
ou as peixeiras,
                            não sentiam o que era a noite,
de dia vendiam o leite, o pão e o peixe,
às senhoras clientes,

                            que também não sabiam o que era a noite,
                           mas tinham de levar as marmitas aos homens,
                               ao meio-dia, de cada dia.

o poema não consegue contar,
o sacrifício das suas vidas,
onde as amendoeiras não davam flores,
os cravos não floriam,
os moinhos não moíam,
as uvas o vinho tinto.

mas sente o oito de março,
nas greves e nas mortes do quotidiano,
o sabor da pólvora que fere,
de morte das suas vidas.

joaquim armindo
8 de março de 2026

(1) MULHER


Chorei risos embrulhados em lágrimas,
lancei gemidos afogados no silêncio,
atirei ais às partes ignotas do vento.

Amarfanhei a alma no verde da paisagem
e esperei por um riso — miragem breve —,
um sorriso que surgisse de passagem
e ecoasse o meu amor
nos penedos e rochedos do teu mar.

Aspirei a mudez da tua boca,
que não soltou um sopro,
e emudeceu de vez o meu coração.

Ah! Alma da minha existência,
clarão na minha sombra,
ouvi dos teus passos a cadência —
mas recusaste dar-me sentido,
e deixaste-me na solidão.

Maria Teresa Portal Oliveira

domingo, 1 de março de 2026

Desafios de autores para autores: Março e Abril 2026

  


Como habitualmente, nesta época do ano, apresentamos os Desafios que celebraram os géneros literários... Assim, em Março celebramos a Poesia (que tem o seu dia a 21 de Março) e em Abril (que a 23 tem o Dia Mundial do Livro) vamos festejar a Prosa.

Ambos os desafios terão votação do público e haverá prémios que serão anunciados quando as participações forem colocadas online.
Os desafios de Poesia têm, desde já, a recepção aberta com o prazo a terminar ao final do dia 20, sexta-feira. Estarão online no dia 21 de Março, data em que as votações abrirão (serão encerradas a 15 de Abril, 2026).

O tema é livre, mas quem quiser assinalar o Dia da Mulher terá que submeter os poemas até ao final do dia 7 de Março. Naturalmente, estarão online no dia 8 de Março. Os textos não têm prémio especial, serão avaliados juntamente com os outros, mas, por graça, levarão esta imagem. 


E logo a partir do dia 1 de Abril e até ao final do dia 22 de Abril receberemos os textos de prosa. No dia 23 de Abril de 2026 colocaremos os textos online e abriremos as votações, que vão terminar a 15 de Maio.


Dia Mundial da Poesia


Os poemas são de tema e estilo livre. Os poemas devem chegar-nos até às 20 horas do dia 20 de Março, que é para termos tempo de os organizar no blogue.
Até 15 de Abril de 2026, quem visitar o blogue (Notícias das Nuvens) poderá votar no poema favorito. – Não há limites para as votações, que serão feitas no próprio blogue, nos comentários. (Lembramos que nos nossos blogues os comentários são monitorizados – para evitar spam, vírus e pessoas desocupadas… - pelo que só depois de aprovados os comentários é que eles ficam visíveis no blogue. Também terão que ser devidamente autenticados.). Os autores podem fornecer links para o blogue aos seus contactos e nas suas redes sociais.

Dia Mundial do Livro

O desafio para este mês é livre, um pequeno texto, com menos de 20 linhas (podem usar uma folha A5 como referência) sobre o que quiserem, seja um livro que vos tenha marcado, um pequeno conto de vossa autoria, um pensamento (que pode vir acompanhado de uma foto tirada por vós); o início de um livro que planeiam escrever (ou já escreveram, mas ainda não publicaram)...
Neste dia, em prosa, celebraremos a palavra escrita como forma de comunicação, de expressão de sentimentos, de companhia, de forma de viajar (pela memória, por exemplo), etc.
Mais para a frente, voltaremos aos detalhes deste Desafio.


Envie os seus trabalhos para geral@tecto-de-nuvens.pt ou tectodenuvens@hotmail.com

António Poças, autor de "O Embondeiro misterioso", em entrevista

 Por vezes, uma árvore é muito mais do que "apenas" um elemento da natureza; por vezes, as vidas das pessoas são maiores do que elas próprias e merecem ser contadas. A passagem de António Poças por Moçambique (1957-1975) deu-lhe o fascínio pela árvore e o conhecimento da cultura local. Conhecer a esposa deu-lhe o conhecimento da história da família, em particular dos pais, que servem de base para este romance-ensaio.
E assim se juntaram todos estes elementos para que aos 80 anos este pai de 8 filhos e avô de 12 netos, nos leve a todos de passeio pelo Tempo, pela História, pela paisagem de Moçambique. Deixemos, que à sombra deste embondeiro, o nosso guia nos explique a jornada.
António Poças, por voz própria e na primeira pessoa:

 Conte-nos como e porquê começou a escrever, por paixão ou por necessidade?
As duas coisas, mas mais por paixão

 Qual o papel que a escrita ocupa na sua vida?
Uma forma de exteriorizar o que me vai na alma e a tentativa de responder a questões essenciais sobre o sentido da vida, a relação do homem com o mundo que me rodeia, a origem e o destino do homem no contexto da criação e o humanismo como mola impulsionadora da minha participação na história.

 Sempre sonhou publicar um livro?
Sim, mesmo sabendo quão difícil se torna “erguer” a voz no meio de tanta concorrência, em que os mais expeditos e oportunistas (nem sempre os de melhor qualidade) sobressaem e abafam os que não têm meios materiais para se fazerem “ouvir”.

 Qual é a sensação que tem ao ver, agora, o seu livro nas mãos?
É como ser pai de um filho que se gera para a vida.

 Tem algum projecto a ser desenvolvido, actualmente? Pensa publicar mais algum livro? Continua a sentir vontade de escrever?
Tenho vários: à volta de 2.000 poemas, ainda inéditos e apenas um pequeno livro publicado (“A Palavra que me Inventa”), crónicas, um ensaio sobre as virtudes e uma autobiografia sobre o diaconado permanente.

 Fale-nos um pouco sobre o seu livro.
O Embondeiro Misterioso tem como elemento inspirador a história de uma família de Viseu que parte para Moçambique, para uma pequena localidade perto da Gorongosa (no centro do país), investindo aí as suas economias e retorna a Portugal após a independência sem nada. A narrativa aborda o misticismo africano, a aspiração à independência, a guerra colonial, a ação humanitária, cultural e religiosa (cristã) dessa família e a luta contra a discriminação.

 Existe alguma parte do livro, em particular, que goste mais. Porquê?
Sim. O testemunho humano do casal António Rocha e Maria Arminda.

 Indique as razões pelas quais aconselharia as pessoas a ler o seu livro? O que acha mais apelativo no seu livro?
Muito sinceramente, creio que o livro interessa a toda a gente que aprecia o encontro e a partilha entre culturas diferentes: leitores que sentem interesse pelo misticismo e pelas religiões, passando, obviamente, pelos diversos contextos interculturais. Mas, sobretudo, aconselho a leitura deste livro aos que nasceram, viveram ou passaram por Moçambique. É uma experiência que fica enraizada na memória!
Mais apelativo? modestamente, creio que é a história toda, pela narrativa centrada no misticismo africano, focalizado no culto dos antepassados e, depois, ah! - o papel que o Embondeiro desempenha como uma espécie de “totem”, “ícone”, “centro de culto/altar” da sacralidade africana e o “ganz andere” (ambiente místico/sobrenatural) que ali se sente e evoca.

 Qual é o seu estilo de escrita ou que tipo de mensagem gosta de passar no que escreve?
Sou tendencialmente inclinado para textos com pendor humanista e cristão. Gosto de exprimir, por palavras e pelo testemunho de vida pessoal, o apelo ao civismo, à integração social, à defesa dos mais pobres e ao interculturalismo (diálogo e respeito pelas diferenças, sejam elas quais fores…). Nesse sentido, gosto de poesia, de conto, romance…

 Qual o papel das redes sociais na vida e na divulgação da obra de um autor? E na sua?
Penso que as redes sociais podem ser excelentes veículos de divulgação, desde que respeitem a liberdade de cada um, sem ligações a interesses a montante (ideológicos, empresariais, económicos, políticos, religiosos…); quanto à divulgação da minha obra, podem contribuir para a focalização do multiculturalismo, e independência do pensamento crítico.

Gosta de ler? Que tipo de leitor é?
Gosto de ler, sempre que o tempo de que disponho me permite. Aprecio um bom romance, história, livros de meditação espiritual e de apologética cristã.


Livro à venda nas principais plataformas nacionais e internacionais.
Pode saber mais sobre o livro aqui.