quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Calendário de Advento (Desafios de autores para autores - Dezembro)

 


Calendário de Advento

Muito populares, em vários formatos, com diferentes ofertas, são daquelas tradições universais e intemporais.
O que propomos de 1 de Dezembro até ao dia 23 é ter prendinhas para os leitores do blogue. Em qualquer dia podem enviar-nos um texto (poesia ou prosa); um pensamento, um desenho, uma fotografia, etc., alusiva ao Natal. Os trabalhos serão colocados à medida que chegarem e as participações são ilimitadas. A vossa criatividade e espírito natalício serão o limite: se acabaram de decorar a casa e acham que esta merece uma foto, pode ser essa a vossa contribuição do dia. Também podem fotografar os vossos doces de Natal; partilhar um pensamento, uma ideia daquele dia...
Se conseguirem fazê-lo com qualidade para partilhar também podem fazer participações em vídeo e áudio.
Podem participar quantas vezes vos apetecer.
De um modo completamente aleatório, vamos escolher uma participação para receber uma prenda. Se houver comentários, usando o mesmo método que para as participações, escolheremos também um para uma prenda, desde que o autor do comentário nos forneça um endereço de email válido.

Podem enviar os trabalhos desde já e em grupo mas, a menos que instruídos em sentido contrário, só colocaremos os trabalhos a partir do dia 1 de Dezembro.
Agora a novidade:
Os trabalhos serão colocados por ordem de chegada, independentemente do dia, do autor ou do número de participações do mesmo; ou seja, este ano não teremos a preocupação de estar a colocar algo de novo todos os dias, serão os leitores a criar essa ideia de uma prenda por dia, visitando o blogue todos os dias.

Saiba mais detalhes em: 



"Apenas" porque faz todo o sentido... Do livro "Os Poemas de Natal" (Tecto de Nuvens, 2021)


(3) NATAL DE 2021


No azul do mar imenso
A cintilar estrelas ao anoitecer
Prendem nosso olhar atento
Delicados silêncios a perceber…

Para lá da opulência do dia
Em que a mente é lume e luzeiro
Nova melodia cresce mais ainda
Se o escutar, se afirma pioneiro…

Patente semeada de estrelas
E sem artificio de engenharia…
O Natal, é sol único de certezas
Mar eterno de luz e melodia…

Natal é profecia, voz e Menino
Que emerge aqui, vindo do Além
É segredo de Deus, rico e íntimo
A linguagem silenciosa de Belém

Data feliz, em que, pequeninos,
Como Jesus, em curral, nascido
Até os pais se sentem filhos
Embalam o Natal de olhar menino…

19-07-2021
Florentino Mendes Pereira


(2) Uma certa árvore de Natal de enfeite natural


Da janela olhei o céu e, ele sorriu-me solarengo. Pensei que era hoje!
Aquela árvore estava lindérrima, adornada de persimmons, sim é esse nome mesmo que estás a tentar prenunciar! Foi o primeiro que me saltou à mente, é que eu às vezes dou por mim numa encruzilhada de línguas, a pensar em português e falar inglês o que equivale a portaganhês.
Coloquei o nariz de fora da porta e senti o frio que se fazia naquele tímido sol que desde a vidraça fui traiçoeiramente atraída. Em um instante fiquei de nariz à Rudolf red nose.
O meu gato Nino ao sentir a porta entreaberta, correu, porta fora como se fora o Seeped Gonzalez*, é que ele levava o seu belo casaco preto de veludo encapuzado, por isso sem hesitação, fugiu como um foguetão. Eu até pensei que a NASA estava em movimentos experimentais na minha porta!...
Eu, sem sobretudo, nem nada peludo... somente tinha os meus olhos fisgados naquela árvore decorada no quintal… também corri.
Corri, com uma enorme vontade de comer aquele fruto da árvore de natal, de enfeite natural, plantada no jardim. De nariz vermelho, e dentes a tilintar, ala que se faz tarde, quase que igual a esse gato atiçado em direção aos caquis, persimmons ou dióspiros maçã, cheia de espirros. Estiquei o braço e como que num certo enlaço fiquei a puxar a redonda bola vermelho-laranjada de dez cm de diâmetro por mais de cinco minutos.

Ilda Pinto Almeida

*Outra brincadeira de portaganhês com Speedy Gonzalez, da autora que vive nos Estados Unidos.


(1) Natal oculto


Não estou certa do que se trata!
Falam de uma época festiva,
na qual somos invadidos
por ímpetos de altruísmo,
alegrias crescentes, inflamáveis,
uma bondade assolapada,
por tantos ocultada,
por trezentos e picos dias.
Formam-se filas e romarias
para nos deslumbrarmos com luzinhas,
contarmos os trocados
e trocarmos economias
por presentes pouco presentes,
por vezes, sem significado.
Consumismo, chamo-lhe eu!
Para muitos, qualquer coisa serve!
Importa assinalar a data.
Seguem-se jantares atrás de jantares,
sentamo-nos ao lado daquele ou daquela
que nos mete cá um fastio,
ao longo do ano...
Mas, é natal!
Enchem-se as redes sociais de gratidão,
de famílias felizes, sessões fotográficas,
mãos apertadas e beijos iluminados
que escondem corações apagados,
fechados, sem vida própria.
E as crianças podem-se portar mal
à vontadinha, todo o ano!
São ameaças constantes
de que o barbudo da coca-cola não virá!
Mas lá fundo, todas elas sabem
De que isso não passa de blá, blá, blá
dos pais atarefados, todos os dias,
sem tempo para serem pais!
E o barrigudo lá aparece,
com ou sem castigos,
compensam-se, assim, dias perdidos
e laços mal amanhados.
Para quê perder tempo com vínculos,
se os podemos ter agarrados
aos videojogos e ao youtub,
quedos, mudos, ocupados,
a adquirir um palavreado abrasileirado
que insulta o pobre do Camões!
Ai que rico Natal!
O Natal do fingimento.
Pelo menos, foi antecipado,
Começa em novembro, agora.
Temos mais dias de glória,
de comportamentos estereotipados,
Histriónicos, maníacos.
Os prazos foram alargados,
não percamos a esperança na humanidade!
Enquanto houver vaidade
E amor sem sabor,
haverá sempre deste "natal"...
Oculto, nas palhinhas deitado.
Pensando bem...
Seria bom se houvesse natal, de facto.

Ana Pão Trigo



Começamos este calendário de advento com poema que ganhou a votação do público na nossa colectânea do Natal passado, "Um cheirinho a Natal".
Esta foi a nossa prenda, agora aguardamos pelas vossas...


 Burrinho do Natal

Porque acordei hoje tão cedo, noite escura
E, passo a passo, eu caminho sem cessar
Com os meus donos, neste frio em tremura?
Aonde é, que apressados, vão chegar?

O cansaço não me invade. Quem diria?
Nem mesmo a fome, frio, sede ou calor.
Algo me diz que em meu dorso, com Maria,
Transporto o Eterno, o Divino, o Senhor.

É como um Ó seu ventre enorme, redondinho.
Se bem que burro, essa letra, eu conheço:
Com ela falo, grito e canto em tom baixinho;
Louvo o Senhor, nesse sacrário, áureo berço.

Em cada pedra já tropeça o seu esposo;
Mal o ampara forte cajado em sua mão.
Agarradinho, desfalecido, ao meu pescoço,
Sinto o bater do seu nobre coração.

À cidade de David, eis-nos chegados,
O rei famoso, cepa antiga de onde vem.
Não se encontra onde ficarem abrigados.
Está tudo cheio! Não há lugar para ninguém.

Na escuridão, a Luz Eterna está pra brilhar.
Chegou a hora, aquela hora que só Ele sabe!
Envolto em panos, na manjedoira O vão deitar.
Vejo esse Sol, esse Menino, Deus de verdade.

Sou o burrito mais ditoso de entre os povos.
Estou vaidoso, feliz, contente, mais que os meus!
Em zurros altos, sem me cansar, eu conto a todos:
Esta notícia há-de ecoar em terra e céus!

Maria Lucília Teixeira Mendes



A participação, com trabalhos e/ou comentários, está aberta a todos. Participe, divulgue, divirta-se e tenha um muito feliz Natal!

Em caso de dúvida pode enviar email para o endereço de onde recebeu este email ou, caso esteja a ver no blogue, pode contactar-nos pelo email informacoes@tecto-de-nuvens.pt











terça-feira, 23 de novembro de 2021

Desafios de autores para autores (Dezembro) - Calendário de Advento: Regulamento

 



Já com a parte da escrita do desafio de Novembro terminada, mas com a parte da leitura ainda completamente disponível em : https://tectonuvens.blogspot.com/2021/11/s-martinho-desafios-de-autores-para.html é agora o momento para tratarmos do nosso desafio de Dezembro. É outro desafio reciclado, ainda que com uma roupagem ligeiramente diferente...


Calendário de Advento

Muito populares, em vários formatos, com diferentes ofertas, são daquelas tradições universais e intemporais.
O que propomos de 1 de Dezembro até ao dia 23 é ter prendinhas para os leitores do blogue. Em qualquer dia podem enviar-nos um texto (poesia ou prosa); um pensamento, um desenho, uma fotografia, etc., alusiva ao Natal. Os trabalhos serão colocados à medida que chegarem e as participações são ilimitadas. A vossa criatividade e espírito natalício serão o limite: se acabaram de decorar a casa e acham que esta merece uma foto, pode ser essa a vossa contribuição do dia. Também podem fotografar os vossos doces de Natal; partilhar um pensamento, uma ideia daquele dia...
Se conseguirem fazê-lo com qualidade para partilhar também podem fazer participações em vídeo e áudio.
Podem participar quantas vezes vos apetecer.
De um modo completamente aleatório, vamos escolher uma participação para receber uma prenda. Se houver comentários, usando o mesmo método que para as participações, escolheremos também um para uma prenda, desde que o autor do comentário nos forneça um endereço de email válido.

Podem enviar os trabalhos desde já e em grupo mas, a menos que instruídos em sentido contrário, só colocaremos os trabalhos a partir do dia 1 de Dezembro.
Agora a novidade:
Os trabalhos serão colocados por ordem de chegada, independentemente do dia, do autor ou do número de participações do mesmo; ou seja, este ano não teremos a preocupação de estar a colocar algo de novo todos os dias, serão os leitores a criar essa ideia de uma prenda por dia, visitando o blogue todos os dias.

Agora as prendas...


Os comentários vão estar abertos, nos termos habituais (são moderados, pelo que têm que ser aprovados antes de serem visíveis, o que pode demorar algum tempo, não vale a pena repetir o comentário, aguardem por um horário mais consentâneo com o expediente para verem se está publicado - por favor, alguma pena pelos humanos que vão ter de validar comentários entre compras, cozinhados e, esperemos, comer rabanadas e afins com a família...-), podem expressar a vossa predilecção por algum dos trabalhos ou fazer um comentário que vos pareça pertinente. De 10 em 10 dias: 10, 20 e 30 sortearemos um dos comentários para receber uma prenda (só entram no sorteio os comentários entrados nesse intervalo de tempo). Por esse motivo é pertinente deixarem ficar um endereço de email para poderem ser contactados (se não desejarem que ele seja visível, basta escreverem isso no vosso comentário, guardaremos o endereço para contactar em caso de prémio, mas apagaremos o endereço na postagem do comentário) - terão depois de estar atentos ao vosso email para nos fornecerem a morada para onde enviar a prenda.
Fechamos a recepção de trabalhos no dia 23 e os comentários no dia 31 de Dezembro, 2021. Tanto os trabalhos como os comentários serão numerados e vamos usar o número da sorte do totoloto do dia 8 de Janeiro de 2022 para atribuir o prémio entre todos os participantes e um outro prémio a sortear entre todos os comentários (ao sorteio, habitualmente, irão os números iguais ao sorteado e todos aqueles que tiverem a mesma terminação).

E as prendas são:

SURPRESA!!! - (na melhor tradição dos calendários de advento).




A participação, com trabalhos e/ou comentários, está aberta a todos. Participe, divulgue, divirta-se e tenha um muito feliz Natal!

Em caso de dúvida pode enviar email para o endereço de onde recebeu este email ou, caso esteja a ver no blogue, pode contactar-nos pelo email informacoes@tecto-de-nuvens.pt

Neste Natal vamos manter os "Petizes Felizes!"

 
Neste Natal vamos manter os Petizes Felizes! porque na compra de 3 ou mais títulos lançados este ano nesta colecção, os livros vão levar prendas! Por cada encomenda será oferecido um puzzle Dani e um bloco de desenhos para colorir (com divertidos desenhos que se relacionam com os livros).
Aceitamos encomendas para mais do que um endereço, mas sempre na forma de 3 ou mais livros + ofertas. - Os livros também podem ser encomendados individualmente (consulte também o nosso folheto de Natal 2021) ou ser parte das compras do Catálogo de Livros de Natal. -
Pelo valor dos livros + portes fica com um monte de prendas para um petiz feliz ou várias prendas para vários petizes felizes! Feitas as contas, ficam todos felizes!!!
Feliz Natal!



       


+ /

Puzzle Dani + Bloco de desenhos para colorir (vista de duas páginas diferentes)


Veja mais informações sobre os livros e leia um excerto em: (basta clicar no título)







Encomendas para o email: loja@tecto-de-nuvens.pt


quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Novo livro em pré-lançamento: "Os Poemas de Natal", de Florentino Mendes Pereira

 E continuam as propostas para este Natal 2021... 

A 22 de  Novembro vamos lançar uma colectânea de poemas de autoria de Florentino Mendes Pereira, todos eles dedicados ao Natal. numa recolha feita pelos vários livro publicados a que agora se juntaram mais uns quantos.
Até esse dia pode comprar o livro com 25% de desconto e portes grátis para Portugal Continental.




Os Poemas de Natal
; Florentino Mendes Pereira

116 páginas, capa mole; Tecto de Nuvens, 2021 (Novembro). PVP 10,00€ ​7,50€​

(…) O Natal que nestes poemas começa e acaba no nascimento do Menino, o Salvador, mas que vai para muito lá disso. São as vivências, as emoções, as tradições…
No fundo, todo um presépio, não apenas o tradicional, mas o de todos, o de sempre, passado, presente e futuro. O dos gestos, das acções, das figuras, das pessoas…
Um Natal umas vezes mais alegre, outras mais melancólico, umas vezes de esperança, outras de saudade. Robusto ou mais frágil, mas sempre presente. (…)


Esta promoção é válida ao dia ​22​ de Novembro de 2021.


quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Novo livro em pré-lançamento: "Natal ao borralho"


Porque o Natal já está na nossa sala de estar, a Tecto de Nuvens apresenta a mais quentinha das prendas para o Natal: “Natal ao borralho”. Com os dias mais pequenos e com maior necessidade de se estar em casa, protegido de vírus, viroses e afins, nada é melhor do que o calor da nossa sala e a companhia de um bom livro, e talvez de uma bebida quente, servida numa das nossas canecas...
Aproveitamos, mais uma vez, o dia 17 de Novembro, Dia Mundial da Criatividade, para incentivar o desenvolvimento de todas as formas de criatividade, em particular a escrita. Será nesse dia que faremos o lançamento oficial desta nossa colectânea de contos de Natal, mas não há motivo nenhum para não se entrar já, e com toda a criatividade, no espírito do Natal.

Até dia 17 há preços especiais, a solo ou acompanhado...


Natal ao borralho- Colectânea de contos de Natal – Vários autores

104 páginas, capa mole; Tecto de Nuvens, 2021 (Novembro), PVP 10€

“É pois, caro leitor, ao borralho, confortavelmente instalados, que encontra os nossos autores e as memórias que quiseram partilhar. São memórias reais, memórias ficcionadas, histórias que, se espera, venham a ser memórias futuras… São, como devem ser, boas histórias para contar, ao quentinho da lareira, com uma bebida quente à mão, e muito boa companhia: a sua!”


Pack de 10 livros (40% de desconto) = 100€ - 60,00€
Pack de 5 livros (30% de desconto) = 50€ - 35,00€
1 livro (25% de desconto) = 10€ - 7,50€

Estes valores são válidos até ao dia 17 de Novembro, a partir daí o desconto máximo é de 10%.

Livros de Natal


 Para uma prenda ou para um miminho especial que oferece a si próprio para ir entrando no espírito da época. Poesia, Contos e Contos Infantis, para todos os gostos, para todas as idades.

Veja o nosso catálogo , entre na loja online para fazer as suas compras, envie um email para loja@tecto-de-nuvens.pt ou procure os livros na sua loja online favorita. Faça como fizer, aproveite estas boas oportunidades de leitura.

Feliz Natal!

S. Martinho - Desafios de autores para autores (Novembro)

 


O desafio para este mês era escrever ou sobre os últimos dias de bom tempo ou sobre os primeiros dias de frio, ou sobre os dois, ou memórias de S. Martinho.
Prosa ou poesia, memórias ou ficção. Estilo livre.

A Tempestade


Ela veio de repente,
do nada surgiu o vento
e do vento surgiu a chuva
- grossos pingos, quais lágrimas da Natureza -
Forte, revoltada, varrendo
tudo à sua frente e 
tudo mudando à sua passagem...
A cidade tornou-se numa miragem
da alegria e do calor d'outrora...
Agora o mar revolta-se contra o rio
e este, majestoso e soberbo, 
tenta refugiar-se fora do seu leito.
E até o brilho e o colorido das montras
desapareceu do vidro baço e molhado.

E o vento não pára de soprar
E a chuva não pára de cair
- É Inverno... -

Teresa Cunha (1992)

Transmutação


Após um longo estio
Laivos de mui saudade!
O vento soprou com brio
E ditou sua vontade!

A cidade sentiu frio
Acordou estremunhada
As gentes num corrupio
Viram-na toda molhada!

Veio a chuva de mansinho
Instalou-se p’ra ficar
Cai… cai… devagarinho
Saltando a refrescar!

É Outono com certeza!
Uma estação de mudança
Quando a mãe natureza
Adormece e descansa!…

Dulce Sousa



nas castanhas do braseiro


nas castanhas do braseiro,
vi dançar o corrimão,
e no mar concorrido de múltiplas,
telas de acordar,
os pinheiros subiram às estrelas.

até o sol se quis empoleirado,
numa escada de serviço,
as múmias rejeitam o ocaso,
a solidão forja as brasas,
do correr até ao solo do caos.

na música que nos dão,
serve o carinho das torres e das cores,
das multidões em delírio,
quase que atropela os carrilhões,
que dão as horas do caminho

Joaquim Armindo


e se eu for aonde


caminhar, caminho na rota celeste,
dos banhos dos areais,
e das bravuras das naus catarinetas,
que afogam o sentir dos moluscos,
                                 e se afirmam assim,
                                 no aonde,
                                 da vida,
fazendo de nós uma fita de cinema,
ai, ai, se eu fosse caminheiro,
                                 brotava canaviais,
e mordia, isso mordia,
a paixoneta dos cantares,
e dava a cada flor, que encontrasse,
o nome para onde cortejava,
no meio das águas, límpidas,
                                de cor,
haveria candeeiros de petróleo,
a iluminar cada esquina,
                               por onde,
                               eu ia.
Joaquim Armindo


Chuva

Já a noite ia a meio
Sendo então visitada
Pela chuva! E com anseio,
Fez do carreiro levada!

A cidade já dormia
A terra ela inundou…
Nos rios em que corria
Seu caudal aumentou!

A sua força era tal
À frente tudo levava!
Que grande o temporal!
A chuva, sulcos cavava!

E assim ia avançando
Transbordou rios e pontes
E persistente… aumentando
Dos vales até aos montes!

Parecia não querer parar
Vasta área já cobria
Num constante avançar
A todos, medo metia!

Parou o céu de chorar
Voltou o sol bem quentinho!
P’rá tradição festejar
Veio o verão de Martinho!

Dulce Sousa


Inspiração


Frente à paisagem outonal
Paro assim deslumbrada!
No passeio pedonal
Tanta folha a ser pisada!

São tapetes multicor
Que embelezam o chão
O verde! Aquela cor!
Foi a minha inspiração!

Verde! Suave lembrança
Nos teus olhos de criança
Leio carinho, verdade!

Que sensação! Que sabor!
Alivio neles a dor
E mitigo a saudade!

Dulce Sousa


Mudança


Após o longo Verão
De sol, doçura, labor
Férias!?… Essas lá vão!
E o calor abrasador!

Saio e desço ao quintal
Olho o céu como breu!
O azul original…
Perdeu a cor… escureceu!

A suave brisa cantou
Volveu-se fria e mais forte
A chuva logo brotou
Com ela, o vento norte!

Observo ao redor
A paisagem já mudou!
Uma paleta de cor
De si, me enfeitiçou!

Amarelo, verde, castanho
Ou vermelho! Tudo é sonho!
No encanto que é tamanho
Espelha-se o lindo outono!

Que estonteante beleza
Nesta estação desvalida
Onde a mãe natureza
Adormece p’ra dar vida!


Dulce Sousa