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domingo, 15 de fevereiro de 2026

Votação para o texto favorito do livro: "A casa do Natal" - VOTANTE VENCEDORA -

Sábado, dia 14, o sorteio do Totoloto teve como número da sorte o número 1. Juntaram-se ao 1 os outros números terminados em 1, para o nosso sorteio.  E o número 11 foi o premiado.

Parabéns à Maria do Rosário Ataíde! Muito em breve vai receber o conjunto de duas canecas com a ilustração da capa e 1 conjunto de 10 postais iguais à capa do livro…






A todos os que votaram, o nosso muito obrigada pela vossa participação.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

AMOR: Desafios de Fevereiro

 


Mais um ano, mais Desafios e mais, esperamos sempre que mais, AMOR. A melhor maneira de  arrancarmos mais um ano de trabalhos é assim, cheia de amor - todo e qualquer amor, incluindo, naturalmente, o amor pela vida. Vamos aceitar pequenos contos e poesia (em todas as formas que pretenderem, incluindo quadras) e também desenhos.

Os trabalhos serão publicados neste blogue a 14 de Fevereiro, Dia Mundial do Amor, do Casamento e dos Namorados (S. Valentim), e até ao dia 28, teremos uma votação a decorrer para encontrar o texto favorito dos leitores.
Como habitualmente, as votações serão feitas usando a caixa de comentários (já sabem que tem moderação pelo que os comentários/votos não ficam visíveis de imediato), não há limite para o número de vezes que podem votar ou em quem votar, apenas se espera algum bom senso.
O texto mais votado receberá um exemplar de um livro dedicado ao amor (a partir de uma lista, que incluirá poesia e prosa, que forneceremos ao vencedor) + caneca também dedicada à temática do amor;  e sortearemos um dos comentários/votos para receber um exemplar de um livro nos mesmos termos dos do autor vencedor. - Só serão elegíveis tanto para este sorteio como para o trabalho vencedor, os comentários/votos que nos forneçam uma forma de contacto (podem permanecer anónimos no voto, se nos solicitarem isso, apagaremos do comentário o contacto antes de o publicarmos). -


 (8) O sol da minha vida


Depois de tantos anos e já não ter esperança de encontrar o sol da minha vida, entreguei-me ao desânimo, ao desalento e à bebida.
Certa noite, embriagado pela sensação que não havia ninguém no mundo que realmente sentisse a tristeza que me apoquentava, de uma imensurável incompreensão do meu estado de espírito, voltei a ter o sonho da Deusa Celta, em que nos aconchegávamos como almas gémeas. Sonho esse sempre interrompido pelo ruido de fundo do dia-a-dia.
Nessa manhã quando acordei o dia estava cinzento, e continuava a sentir o vazio como nos dias de chuva e vento. A cabeça dizia para ficar em casa e não ir para fora. O coração dizia para sair de casa sem demora!
Tomei uma decisão: Vou por essa estrada fora!
150 quilómetros depois dei por mim em frente a um olmo. Olhando ao redor havia uma floresta encantada com árvores frondosas e ouvia ao fundo a água a cair numa cascata.
Senti pelo cheiro do olmeiro, que parecia que estávamos em Fevereiro. Senti um cheiro de vinho, parecia da casta Alvarinho.
A intuição fez-me seguir para onde me levava esse odor, caminhando pelo meio da floresta deparei-me com uma imagem de real primor, com uma beldade a nadar nua sem pudor.
Numa clareira tinha uma cesta de piquenique, mas resolvi sentar-me do lado adjacente, como se não quisesse dar nas vistas, apesar do brilho do meu olhar, pois a visão que estava a ver parecia saída de um sonho que sempre pensei que seria impossível de realizar.
Quando ela saiu da água e abanou a cabeça para se secar, as gotículas foram para o ar e a minha imaginação fez o tempo parar. A visão era a mesma do sonho… Uma ruiva sardenta com ar de Deusa Celta…
Fiquei sem reação, hipnotizado e cheio de emoção. Só reagi quando ela se aproximou e me falou. Disse chamar-se Lizza e afirmou para eu não me sentir embaraçado, nem para disfarçar e olhar para o lado. Disse que se acercou de mim, foi porque lhe inspirei muita confiança, pois parecia-lhe alguém com quem ela várias vezes já havia sonhado.
Deu-me a mão e encaminhamo-nos para a clareira. Disse que inexplicavelmente tinha preparado o piquenique para duas pessoas, sem saber o motivo.
Com estas suas palavras, senti uma enorme gratidão por me ter aventurado.
O piquenique foi uma agradável surpresa, pois descobrimos que partilhávamos os mesmos gostos. Contou a sua história de vida, que era parecida com a história da minha vida.
Ficamos o dia todo a conversar até ao pôr-do-sol… Meu Deus… Jamais esquecerei a imagem dos seus cabelos ruivos e encaracolados ao entardecer.
Parecia algo surreal, como se estivesse ainda a sonhar… Mas não era sonho, era mesmo real. Por cada pinta das suas sardas, contei anedotas e peripécias da minha vida, em que no final era a gargalhada geral. Tinha um sentido de humor descomunal, uma educação muito delicada e era doida varrida sem ser pudica em nada.
O destino tem destas coisas inexplicáveis, já muito para lá da meia-idade o amor aconteceu e o sol da minha vida apareceu, de um mero acaso de uma saída extemporânea de casa.
Estando às portas do dia de S. Valentim e ao ler o que acabei de escrever, ralhou comigo… dizendo para retificar o título do texto para “O sol da nossa vida”!

Aníbal Seraphim

(7) O Desabrochar do Amor


Luzes brilhantes cintilam
Quando digo teu nome
Um mar de ternura invadiu meu coração
Tornando meu fluir gentil e deliciosamente doce.

Solto largos risos de alegria
Transbordando em aceso deslumbre.
No interior do meu ser
Tudo vibra e resplandece
Abrindo portas ao meu novo nascer

Meus olhos reluzentes
Denunciam meu bem-querer
Soltando “Vivas…”
De cada vez te ver

Meu peito por ti suspira
Toda a noite e todo o dia
Agitando meu respirar
Pelo desejo de à tua beira estar

Ao teu passar, bétulas esvoaçam
Cobrindo de lindas cores meu olhar
Os passarinhos cantam
E eu aspiro em ti me enrolar.

Ao olhar-te…
Nas minhas veias correm rios de sonhos
Enleadas em mil esperanças
De contigo compartilhar

Bate, bate, meu coração
Por ela tanto suspirar.
Deixa-me colar meus lábios aos dela
Para minha emoção com ela partilhar.

Dentro de mim, dia a dia, mais penso…
Proliferando este intenso sentimento
Noite e dia sem parar
Dando impulso ao meu feliz pulsar.

Inebriado, em incansável desassossego
Me enleio e agradavelmente cedo
ao brotar de emoções nunca sentidas
que de mim jorram sem medo

Na ânsia da minha paixão selar
vai alargando suas frescas ramagens
cobrindo de rosas meu caminhar
fazendo-me loucamente apaixonar.

Consome-me esta estonteante paixão
assinalada no meu flamante rosto
pelo muito que te quero
e do tanto que te espero.

Sem ti, meu corpo me abandona
meu coração me amordaça em dor
desesperadamente este meu fervor
me dá sinal de que sem ti não consigo viver.

Embrenhado em fulminante calor
Assim se abriu a estonteante porta
Que me levou ao secreto acesso pela aorta:
do nascer do Amor.

Bate, bate, meu coração
Deixa o Amor entrar
Pois há quem nunca o Amor sinta
Por mais em vão o procurar.

O Amor chegou quando não esperado
Sem local nem agenda reservar
Não tem hora nem dia marcado
nunca diz quando vai chegar

E mesmo que o tentes encontrar.
O Amor só aparece
Quando ele te achar.

A todos os apaixonados
Feliz Dia do Namorados

Nina Pianini

(6) um raio de amor

a ternura da manhã,
depois da noite completa, por um raio,
que subiu no mistério da beleza,
                          sim, o vento dança entre as folhas,
do instante,
                         em que o tempo para,
a beleza do raio, fulgurante,
                         impiedoso,

numa manhã clara, de mãos invisíveis,
mas cheio da maresia,
das folhas, e das nuvens,
que anunciam a trovoada das esperanças,
                           incontidas,
mas desafiadoras, das harmonias,
                           e dos desejos,
de ser, de sermos.
joaquim armindo
13/2/2026

(5) Para amar basta amar.


Para amar basta amar. É simples o amor. É simples aquando criança, é simples aquando jovem, é simples aquando adulto. A dificuldade é enorme, a sociedade carrega um excessivo moralismo e a capacidade de perdoar diminui enquanto aumenta a inconsciência da ofensa.
Naquele dia de S. Valentim, a caminhar pela colorida rua da cidade, mãos dadas, corpo entusiasmado, mistura de calor, apercebo-me do teu olhar a trocar-se. Naquele instante, da tua face o brilho de um clarão mostra-se suspenso. Sigo o teu olhar e ela solta-te um ligeiro aceno. Volto-me para ti, olhas-me e o teu sorriso é couraça. Deixo-me tragar pela multidão e o instante dissipa-se.
Tu apercebes-te que o meu coração contrista e dos meus olhos o travo do meu olhar irradia um rosto a entristecer. Questionas-me. O dia de S. Valentim. Desfazes a dúvida. Arrepio-me incapaz. O amor é abrangente. A minha entrega é isto: total! Separo-me.
Agora temos quatro filhas e o mais velho é aquela idade. O dia de S. Valentim, o nosso dia, aproxima-se. O tempo que estou separada de ti, tempo de cartas, de emails e de telefonemas rejeitados, tempo a repulsar saudade e constrição, foca-me a memória por mais que eu queira afastar a lembrança. A ternura apazigua-me ao recordar as vezes que me buscas e eu evito-te.
E o nosso filho é aquela idade.
Tu pacientas a espera e nem no último minuto desistes. A janela de minha casa, janela da tua contemplação, é-te tantas vezes por mim fechada e permanece fechada por semanas e meses.
Nem assim tu abdicas. O amor é persistente.
E o nosso filho é aquela idade.
O nosso dia de S. Valentim é o dia do nosso coração, mas hoje, oh hoje o dia de S. Valentim é um adorno.
E o nosso filho é aquela idade.
Tu a esperar, eu a desesperar. Às tantas acordo quando o estupor do rigor aparece em frente aos meus olhos e a sua clareza crua aniquila o ciúme. Liberto-me e esta liberdade é um repelão que te atropela, que te beija, que te abraça, que te aquece, que te derruba, que te levanta, que te eleva e que te agarra para todo o sempre. Nunca mais olhes para outra rapariga!
E o nosso filho é aquela idade.
Amanhã é o dia de S. Valentim. Uma simples rosa e o teu olhar. O nosso filho é aquela idade que tu és, diz-nos que o dia de S. Valentim é um floreio, é nosso filho, é parecido contigo, é teu filho.
Manuel José

(4) QUANDO AMAS ALGUÉM, NUNCA É TARDE DEMAIS


Quando amas alguém, nunca é tarde demais
Para dizer "eu amo-te", para mostrar o caminho
Para abrir o coração e deixar o amor fluir
E encontrar o paraíso em seus olhos

O tempo pode passar, os anos podem voar
Mas o amor verdadeiro não envelhece, não morre
Ele continua vivo, pulsando em nosso peito
E quando encontramos amor, tudo se renova.

Nunca é tarde demais para começar de novo
Para escrever uma nova história, um novo capítulo
Para encontrar o amor que sempre esteve lá
E viver cada momento com intensidade e paixão.

Quando amas alguém, nunca é tarde demais
Para dizer "eu te amo", para viver o amor.

Ilda Pinto Almeida

(3) OS CUPIDOS DO BOSQUE ENCANTADO*




Ana Ferreira da Silva

*in O Dragão Rebolão; Ana Ferreira da Silva, Tecto de Nuvens, 2o25



(2) Carta de Amor do BOBI à sua LAICA


Casota do Bobi, 14 de fevereiro de 2026

Laica, minha fofinha!

A tua saúde está boa? Quando é que vais parar de comer petiscos da Maria e fazer uma alimentação saudável e equilibrada? Bem te ouço ladrar e, infelizmente, só te vejo ao longe. Este amor dói, corrói a minha alma canina. Serás dele consciente?
Como está o tempo nessa casota, no final da rua? O degelo continua a aumentar? Os teus donos ainda não fizeram as pazes? Aqui, neste lado, a Mariana tira boas notas, o que acalma o ânimo do casal Andrade, face às notas calamitosas do Tiago.
Esforço-me por me portar bem, pois as tempestades não amainam (a Fritin foi assustadora!) e a minha dona trouxe-me para dentro de casa: não assalto a comida do gato Floquito, embora vontade não me falte, porque goza do meu mor silencioso e dolorido; não roo os chinelos do Tiago nem da Mariana, para me vingar de estar preso e do tempo que se revolta contra as maldades que o homem anda a fazer ao planeta; não lambo os bolos feitos pela Maria Albertina, a empregada resmungona que desconhece o sorriso… ou seja, esforço-me por ser um cão exemplar.
Não me podes enviar um au-au desse lado a dizer que sabes que existo, que só penso em ti? Quando puder envio-te um osso enorme para roer recheado de chocolate, um osso de borracha para brincar (de preferência cor de rosa!), uma mantinha de lã bem quentinha e uma carta para leres com atenção e carinho.
Espero que sintas por mim o que eu sinto por ti.
Um grande AU-AU-AU bem lambido.
Do teu
🐾BOBI

Maria Teresa Portal


(1) LENTO VAI O TEMPO


Ai, lentos vão os momentos
Desde que último te beijei;
Quem dera fossem eles ventos
Correndo céleres sem lei.

Céleres voando por esses prados,
Nuvens de celeste rebanho,
Lestos furacões irados
Rasgando o poente de estanho.

Momentos de dor tamanha,
Lágrimas e desespero;
Ouve: que nada te detenha
E aparte deste amor tão vero.

Tal Penélope, teço e espero
Regresso do bem amado;
Pois d’entre mil, só a ti quero,
E lento o tempo a teu lado.

Ana Ferreira da Silva


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

⚡PROMOÇÃO FLASH⚡NOVO LIVRO DE NINA PIANINI

E para festejarmos tão importante, e pertinente, data como o Dia Internacional da Doação de Livros*...

* 14 de Fevereiro
Lançamos o novo livro de Nina Pianini:





Promoção  flash– Novo livro de Nina Pianini

Até às 23h59 minutos do dia 13 de Fevereiro de 2026 pode adquirir o livro com 20% de desconto. 25€ = 20,00€


"O Nascer do Soninho…do amanhecer ao adormecer" - Uma poesia para embalar o bebé - , Nina Pianini
24 páginas, capa dura, Tecto de Nuvens, 2026 (Fevereiro) PVP: 25€

Porque também o Soninho tem que adormecer, porque também o Soninho tem que aprender… Esta poesia para adormecer o bebé é também um livro para os momentos em que o bebé está acordado e se delicia com as imagens cativantes que vão acompanhando o ritmo da leitura. Porque as melhores das prendas encantam e são úteis…

Ilustrações de Nina Pianini.


Nunca é demasiado cedo para se receber um livro e este foi pensado inteiramente para o bebé. Todo o ritmo e cadência foram pensados para induzir o sono, de forma agradável e tranquila.
As ilustrações foram pensadas, nas suas formas simples e atractivas, para encantar e educar o bebé enquanto acordado. O formato é pequeno (14x14cm), fácil de transportar, e da capa às páginas foi pensado para resistir aos puxões de mãozinhas curiosas.
Neste dia que a ONU consagrou ao bom hábito de doar livros (novos ou usados) é sempre bom lembrar que a melhor ferramenta, a melhor tecnologia, para a primeira infância (e não só) continua a ser o livro impresso.



E MAIS…


Se adquirido em conjunto com outro livro da autora (para os miúdos ou graúdos) da autora, para além das promoções em vigor no Folheto Promocional Namorados 2026 oferecemos os portes para Portugal Continental.


    


Encomendas para o email: loja@tecto-de-nuvens.pt. Daremos seguimento aos pedidos no dia 18 de Fevereiro 2026.


sábado, 7 de fevereiro de 2026

Votação para o texto favorito do livro: "A casa do Natal" - TEXTO VENCEDOR -

E numa votação que andou renhida até ao fim, subitamente, em grande sprint chegou um texto que ultrapassou todos e ganhou vantagem nos últimos metros. Assim foi a vitória do conto "O Tacho".  Muitos parabéns à autora, Maria Lucília Teixeira Mendes.

Os nossos parabéns também para as autoras classificadas em segundo e terceiro lugar, respectivamente: Ana Ferreira da Silva e Maria João Amaral Graça.
E o nosso obrigada a quem votou, estejam atentos ao sorteio do prémio.
Quanto às autoras, brevemente receberão as suas prendas.

1º  O Tacho - VENCEDOR

2º A Casa de Chá do Pai Natal
3º A Melopeia de Natal

Para conhecer ou recordar, fica um excerto do conto vencedor:

 O Tacho

Era uma vez uma menina que nasceu e cresceu num tempo em que o tempo era tempo. Ele não corria. Andava devagar e chegava para tudo. A vida rolava ao ritmo das fases da lua, das estações do ano, das sementeiras e colheitas, e até do nascimento dos cabritinhos...  Os adultos conseguiam parar a conversar e as crianças nunca tinham pressa. Tudo se fazia com calma e, calmamente, lá iam chegando, sucessivamente, o natal, o entrudo e a páscoa. A seu tempo, chegavam também dois amiguinhos de Lisboa para as férias grandes e que eram grandes de verdade! Um pouco mais velhos, eram eles o Zé Tó e o Tó Zé.

Esta menina veio ao mundo numa aldeia pequenina encimada por verdes pinheirais e em que as nascentes de águas límpidas brotavam por toda a parte. Sempre em grupo, a criançada saboreava cada brincadeira, inventada com a sabedoria da imensa liberdade criativa de que gozava. Sempre ao ar livre.

Um pau engatado numa roda de madeira mal cortada e que, por isso, mal conseguia rodar, era uma mota. Um arco ferrugento, arrancado a uma pequena pipa velha, era um carro de alta cilindrada. O cabo de uma vassoura, gasta até ao fim, passava a ser um cavalo adestrado para as mais altas competições e viagens ao infinito.

A esta menina, foi dado o nome de Graça. E ela era mesmo uma gracinha! Uns diziam que era a cara da tia Primavera; outros, que tinha as pernas da avó Patucina. Havia ainda quem a achasse parecida com… sei lá!... com a meiga Genoveva, tia-avó do pai que tinha uma verruga peluda na ponta do nariz, mas já ninguém reparava em tal acessório!

De rosto redondinho, a menina apresentava um doce sorriso fácil. Os cabelos loiros e ondulados, contrastavam com os vivos olhos negros. Falar, quer dizer, articular certas palavras, é que era ainda uma pouco difícil.

Um dia, a menina, que muitas vezes fugia da casa da mãe para a da avó, foi com esta para o lugar onde confluíam algumas nascentes.  Havia aí uma poça larga com lavadouro de pedra. A poça era abastecida pela água corrente que descia por um apertado rego ladeado de altos muros, em jeito de levada. Nestes muros de encosto, de pedras húmidas, musguentas e viscosas, cresciam saborosos moranguinhos vermelhos, muito pequeninos.

Enquanto a avó lavava, a menina caminhou rego acima. Pondo os pés ora numa, ora noutra pedra escorregadia, colhia os saborosos frutos, comendo-os de seguida. Todo o cuidado era pouco para não escorregar e não molhar os sapatinhos azuis que lhe dera o padrinho no dia em que completou três anos, uns seis meses atrás. Mas, apesar do cuidado, ela acabou por cair. Sentiu-se, então, sentada na água, sobre uma coisa um pouco dura e que não sabia identificar. Um calhau não era, de certeza.

Ali, a água, retida por algumas pedras mais altas, fazia um pequeno charco lamacento.

Teve vontade de chorar e gritar pela avó. Estava para abrir a boca, quando lhe pareceu que uma vozinha fina como orvalho, vinda do fundo do charquito, lhe estava a fazer “shiuuuu…”

Pronta como era, embora meio incrédula, perguntou imediatamente:

- Quem és? És um peixe?

Ninguém respondeu.

- És um cagarralo? (Era assim que chamavam os girinos das rãs)

O silêncio voltou a ser a resposta.

- Não falas? – acrescentou decidida. - Vou-me embora e vou contar à minha avó. Ela vem cá e vai-te descobrir. (...)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

"Um dia com..." Ilda Pinto Almeida na neve

  "Um dia com..." é uma espécie de página de diário, real ou fictício, aqui cada autor pode fazer o relato de um episódio, fazer uma reflexão, colocar um pensamento, uma foto...

Estará disponível todo o ano, independentemente de outros projectos a correr aqui no Blogue. E está aberto a todos, se tiver algo que queira partilhar, pode enviar para geral@tecto-de-nuvens.pt ou tectodenuvens@hotmail.com indicando no assunto "Um dia com...". Podem enviar quantas participações quiserem.

No frio do Inverno, por vezes só apetece ficar aninhado em casa, outras vezes vem a vontade de ver como a natureza se transfigurou…

Traiçoeiro fevereiro que seja ao menos feliz para todos!
Por aqui há neve até dizer chega, é uma verdadeira comédia de erros! Não se pode sair de casa e, neste momento o meu marido está com a máquina, o Touro, à bulha com a neve congelada para abrir caminho. Mas isto não é assim tão fácil como podem pensar, há muito que se lhe diga! Depois de caminho aberto, vem o dono do carro estacionado na rua, tirar a neve com a pá, mas logo vem o camião da Câmara e atira de volta a neve que o pobre homem tirou e tapa o veículo de novo.  


O sujeito volta à carga, mas, desta vez, atirando-a para onde encontra lugar, geralmente para a entrada das casas, o que é punido pela lei. É preciso chamar à atenção o pobre homem que tem que voltar a tirar a famosa branquinha, baldeando-a para o meio da estrada, novamente, também proibido… e o ciclo repete-se todo o dia com dezenas de pessoas aqui na rua e em outras ruas e localidades. Mas lá vamos rindo com a comédia que é e gratuita.
Mais tarde acaba por vir o camião carregar a senhora, transportando-a até ao rio ou quiçá deixá-la em um big parking lot até que o sol ou a chuva a derreta, já por essa altura de vestiduras enviuvadas, e que a poluição não perdoa, o que pode acontecer lá para abril ou maio. *e**

Já cansada de ver as ruas das cidades enlutadas e de carros sujos que e difícil discernir-lhes a cor, achei que seria uma boa ideia sair da localidade, é que isto de neve cansa! Hoje apeteceu-me ver o mar, mas não o vi! Apenas vi um mar de gelo, de um aspecto extraordinário, e nesse aspecto vi as ondas apanhadas pelo gelo do ar frio das temperaturas negativas. Mas que aspeto extraordinário! Hoje tive a oportunidade de testemunhar o mar de uma forma inédita, transformado em numa vasta extensão de gelo azulado e brilhante, até pensei que os peixes poderiam usar patins em vez de nadar. As ondas aprisionadas pelo gelo criavam um espetáculo deslumbrante, era como se estivesse a assistir a um show de patinagem no gelo. Foi um encontro com um mar repleto de surpresas!

 



Em seguida, cruzei com os veados e, logo em seguida, tive a sorte de avistar uma raposa vermelha, de uma beleza rara, brilhando no meio da neve gelada, parecia que estava em um reality show de sobrevivência. Foi uma experiência verdadeiramente única, que me fez sentir como se estivesse em algures em um safari africano em tempos de mudanças climáticas, mas logo percebi que não passou de um incomum safári de água salgada, de um aspeto deslumbrante.



Foi uma tarde cheia de descobertas e maravilhas, no seio do U.S. Department of Homeland Security United States Cost Guard. A Beleza da natureza é inigualável, uma pintura que só o criador sabe pintar. Ele é fantástico!


*Grande parque de estacionamento. **A neve só fica branca por pouco tempo, assim que começa a derreter fica com um ar enlameado e sujo.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Votação para o texto favorito do livro: "A casa do Natal"

 Vote no seu texto favorito e ganhe um conjunto de duas canecas com a ilustração da capa e 1 conjunto de 10 postais iguais à capa do livro…






Voltamos a chamamar a atenção para o facto de a votação ser feita por email, sms ou via postal (usando o cupão inserido no livro), com a obrigatoriedade do votante se identificar (nome, morada, email e telefone).
Não colocaremos aqui, nem aceitaremos votações que não sejam feitas de acordo com o regulamento.

Por sms (terá de incluir os seus dados completos para receber o prémio) para 960131916.
Por email para geral@tecto-de-nuvens.pt com o título: Melhor texto colectânea de Natal.
Aceitamos votações até 6 de Fevereiro de 2026 (data do email, sms ou carimbo do correio). A todas as participações será atribuído um número, por ordem de chegada. – Serão excluídas as participações que não tragam os dados necessários para o envio do prémio -.
O vencedor do melhor texto será anunciado no blogue “Notícias das Nuvens” e nas redes sociais de todos os autores participantes nesta colectânea.
O vencedor do passatempo será aquele cuja participação tiver o número (ou terminação de número) igual ao do número da sorte do sorteio do segundo sábado de Fevereiro de 2026.
- A seguir ao sorteio do Totoloto será sorteado um participante de entre todos os que tiverem número ou terminação de número (caso haja mais do que um) igual ao sorteado para o Totoloto, e esse será o vencedor. -
A todos os participantes que nos facultarem o endereço de email comunicaremos o número atribuído à chegada. Tentaremos fazer o mesmo com os sms, mas é mais prático com endereços de email.
Também o vencedor deste passatempo será anunciado no nosso blogue e nas redes sociais dos autores, a partir da segunda-feira seguinte ao sorteio do Totoloto.
Obrigada pela sua participação.

Pode acompanhar a votação aqui.




sábado, 31 de janeiro de 2026

Novo livro de António Poças em pré-lançamento

 


Mítico ou não, encarei aquele embondeiro como um talismã, um ícone evocativo do poder do diálogo. Olhava e olho para ele e tomo-o como um referencial. Vejo-o como símbolo de consenso, como apelo ao encontro e à consensualização.

O Embondeiro Misterioso é um romance-ensaio que atrai e nos conduz a valores sublimes e a laços indestrutíveis da família, da amizade que nasce nas profundezas da alma e aí se aloja para se frutificar e intensificar ao longo da vida. Ao mergulharmos nas profundezas da imensidão da floresta moçambicana, em O Embondeiro Misterioso encontramos um pequeno lugar quase abandonado pela civilização, que vai ser povoado por uma família portuguesa, cheia de amor para dar àquelas gentes que ali viviam.”
in Prefácio

O Embondeiro Misterioso - romance-ensaio - , António Poças
236 páginas, capa mole, Tecto de Nuvens, 2026 PVP: 18€

Este livro tem lançamento oficial a 11 de Fevereiro, 2026.

PROMOÇÃO:


Até às 23h59m do dia 10 de Fevereiro 2026:

18,00€ - 13,50€ + portes


Pode fazer a sua encomenda enviando email para loja@tecto-de-nuvens.pt