Mais um ano, mais Desafios e mais, esperamos sempre que mais, AMOR. A melhor maneira de arrancarmos mais um ano de trabalhos é assim, cheia de amor - todo e qualquer amor, incluindo, naturalmente, o amor pela vida. Vamos aceitar pequenos contos e poesia (em todas as formas que pretenderem, incluindo quadras) e também desenhos.
Os trabalhos serão publicados neste blogue a 14 de Fevereiro, Dia Mundial do Amor, do Casamento e dos Namorados (S. Valentim), e até ao dia 28, teremos uma votação a decorrer para encontrar o texto favorito dos leitores.
Como habitualmente, as votações serão feitas usando a caixa de comentários (já sabem que tem moderação pelo que os comentários/votos não ficam visíveis de imediato), não há limite para o número de vezes que podem votar ou em quem votar, apenas se espera algum bom senso.
O texto mais votado receberá um exemplar de um livro dedicado ao amor (a partir de uma lista, que incluirá poesia e prosa, que forneceremos ao vencedor) + caneca também dedicada à temática do amor; e sortearemos um dos comentários/votos para receber um exemplar de um livro nos mesmos termos dos do autor vencedor. - Só serão elegíveis tanto para este sorteio como para o trabalho vencedor, os comentários/votos que nos forneçam uma forma de contacto (podem permanecer anónimos no voto, se nos solicitarem isso, apagaremos do comentário o contacto antes de o publicarmos). -
(8) O sol da minha vida
Depois de tantos anos e já não ter esperança de encontrar o sol da minha vida, entreguei-me ao desânimo, ao desalento e à bebida.
Certa noite, embriagado pela sensação que não havia ninguém no mundo que realmente sentisse a tristeza que me apoquentava, de uma imensurável incompreensão do meu estado de espírito, voltei a ter o sonho da Deusa Celta, em que nos aconchegávamos como almas gémeas. Sonho esse sempre interrompido pelo ruido de fundo do dia-a-dia.
Nessa manhã quando acordei o dia estava cinzento, e continuava a sentir o vazio como nos dias de chuva e vento. A cabeça dizia para ficar em casa e não ir para fora. O coração dizia para sair de casa sem demora!
Tomei uma decisão: Vou por essa estrada fora!
150 quilómetros depois dei por mim em frente a um olmo. Olhando ao redor havia uma floresta encantada com árvores frondosas e ouvia ao fundo a água a cair numa cascata.
Senti pelo cheiro do olmeiro, que parecia que estávamos em Fevereiro. Senti um cheiro de vinho, parecia da casta Alvarinho.
A intuição fez-me seguir para onde me levava esse odor, caminhando pelo meio da floresta deparei-me com uma imagem de real primor, com uma beldade a nadar nua sem pudor.
Numa clareira tinha uma cesta de piquenique, mas resolvi sentar-me do lado adjacente, como se não quisesse dar nas vistas, apesar do brilho do meu olhar, pois a visão que estava a ver parecia saída de um sonho que sempre pensei que seria impossível de realizar.
Quando ela saiu da água e abanou a cabeça para se secar, as gotículas foram para o ar e a minha imaginação fez o tempo parar. A visão era a mesma do sonho… Uma ruiva sardenta com ar de Deusa Celta…
Fiquei sem reação, hipnotizado e cheio de emoção. Só reagi quando ela se aproximou e me falou. Disse chamar-se Lizza e afirmou para eu não me sentir embaraçado, nem para disfarçar e olhar para o lado. Disse que se acercou de mim, foi porque lhe inspirei muita confiança, pois parecia-lhe alguém com quem ela várias vezes já havia sonhado.
Deu-me a mão e encaminhamo-nos para a clareira. Disse que inexplicavelmente tinha preparado o piquenique para duas pessoas, sem saber o motivo.
Com estas suas palavras, senti uma enorme gratidão por me ter aventurado.
O piquenique foi uma agradável surpresa, pois descobrimos que partilhávamos os mesmos gostos. Contou a sua história de vida, que era parecida com a história da minha vida.
Ficamos o dia todo a conversar até ao pôr-do-sol… Meu Deus… Jamais esquecerei a imagem dos seus cabelos ruivos e encaracolados ao entardecer.
Parecia algo surreal, como se estivesse ainda a sonhar… Mas não era sonho, era mesmo real. Por cada pinta das suas sardas, contei anedotas e peripécias da minha vida, em que no final era a gargalhada geral. Tinha um sentido de humor descomunal, uma educação muito delicada e era doida varrida sem ser pudica em nada.
O destino tem destas coisas inexplicáveis, já muito para lá da meia-idade o amor aconteceu e o sol da minha vida apareceu, de um mero acaso de uma saída extemporânea de casa.
Estando às portas do dia de S. Valentim e ao ler o que acabei de escrever, ralhou comigo… dizendo para retificar o título do texto para “O sol da nossa vida”!
Aníbal Seraphim
(7) O Desabrochar do Amor
Luzes brilhantes cintilam
Quando digo teu nome
Um mar de ternura invadiu meu coração
Tornando meu fluir gentil e deliciosamente doce.
Solto largos risos de alegria
Transbordando em aceso deslumbre.
No interior do meu ser
Tudo vibra e resplandece
Abrindo portas ao meu novo nascer
Meus olhos reluzentes
Denunciam meu bem-querer
Soltando “Vivas…”
De cada vez te ver
Meu peito por ti suspira
Toda a noite e todo o dia
Agitando meu respirar
Pelo desejo de à tua beira estar
Ao teu passar, bétulas esvoaçam
Cobrindo de lindas cores meu olhar
Os passarinhos cantam
E eu aspiro em ti me enrolar.
Ao olhar-te…
Nas minhas veias correm rios de sonhos
Enleadas em mil esperanças
De contigo compartilhar
Bate, bate, meu coração
Por ela tanto suspirar.
Deixa-me colar meus lábios aos dela
Para minha emoção com ela partilhar.
Dentro de mim, dia a dia, mais penso…
Proliferando este intenso sentimento
Noite e dia sem parar
Dando impulso ao meu feliz pulsar.
Inebriado, em incansável desassossego
Me enleio e agradavelmente cedo
ao brotar de emoções nunca sentidas
que de mim jorram sem medo
Na ânsia da minha paixão selar
vai alargando suas frescas ramagens
cobrindo de rosas meu caminhar
fazendo-me loucamente apaixonar.
Consome-me esta estonteante paixão
assinalada no meu flamante rosto
pelo muito que te quero
e do tanto que te espero.
Sem ti, meu corpo me abandona
meu coração me amordaça em dor
desesperadamente este meu fervor
me dá sinal de que sem ti não consigo viver.
Embrenhado em fulminante calor
Assim se abriu a estonteante porta
Que me levou ao secreto acesso pela aorta:
do nascer do Amor.
Bate, bate, meu coração
Deixa o Amor entrar
Pois há quem nunca o Amor sinta
Por mais em vão o procurar.
O Amor chegou quando não esperado
Sem local nem agenda reservar
Não tem hora nem dia marcado
nunca diz quando vai chegar
E mesmo que o tentes encontrar.
O Amor só aparece
Quando ele te achar.
A todos os apaixonados
Feliz Dia do Namorados
Nina Pianini
(6) um raio de amor
a ternura da manhã,
depois da noite completa, por um raio,
que subiu no mistério da beleza,
sim, o vento dança entre as folhas,
do instante,
em que o tempo para,
a beleza do raio, fulgurante,
impiedoso,
numa manhã clara, de mãos invisíveis,
mas cheio da maresia,
das folhas, e das nuvens,
que anunciam a trovoada das esperanças,
incontidas,
mas desafiadoras, das harmonias,
e dos desejos,
de ser, de sermos.
joaquim armindo
13/2/2026
(5) Para amar basta amar.
Para amar basta amar. É simples o amor. É simples aquando criança, é simples aquando jovem, é simples aquando adulto. A dificuldade é enorme, a sociedade carrega um excessivo moralismo e a capacidade de perdoar diminui enquanto aumenta a inconsciência da ofensa.
Naquele dia de S. Valentim, a caminhar pela colorida rua da cidade, mãos dadas, corpo entusiasmado, mistura de calor, apercebo-me do teu olhar a trocar-se. Naquele instante, da tua face o brilho de um clarão mostra-se suspenso. Sigo o teu olhar e ela solta-te um ligeiro aceno. Volto-me para ti, olhas-me e o teu sorriso é couraça. Deixo-me tragar pela multidão e o instante dissipa-se.
Tu apercebes-te que o meu coração contrista e dos meus olhos o travo do meu olhar irradia um rosto a entristecer. Questionas-me. O dia de S. Valentim. Desfazes a dúvida. Arrepio-me incapaz. O amor é abrangente. A minha entrega é isto: total! Separo-me.
Agora temos quatro filhas e o mais velho é aquela idade. O dia de S. Valentim, o nosso dia, aproxima-se. O tempo que estou separada de ti, tempo de cartas, de emails e de telefonemas rejeitados, tempo a repulsar saudade e constrição, foca-me a memória por mais que eu queira afastar a lembrança. A ternura apazigua-me ao recordar as vezes que me buscas e eu evito-te.
E o nosso filho é aquela idade.
Tu pacientas a espera e nem no último minuto desistes. A janela de minha casa, janela da tua contemplação, é-te tantas vezes por mim fechada e permanece fechada por semanas e meses.
Nem assim tu abdicas. O amor é persistente.
E o nosso filho é aquela idade.
O nosso dia de S. Valentim é o dia do nosso coração, mas hoje, oh hoje o dia de S. Valentim é um adorno.
E o nosso filho é aquela idade.
Tu a esperar, eu a desesperar. Às tantas acordo quando o estupor do rigor aparece em frente aos meus olhos e a sua clareza crua aniquila o ciúme. Liberto-me e esta liberdade é um repelão que te atropela, que te beija, que te abraça, que te aquece, que te derruba, que te levanta, que te eleva e que te agarra para todo o sempre. Nunca mais olhes para outra rapariga!
E o nosso filho é aquela idade.
Amanhã é o dia de S. Valentim. Uma simples rosa e o teu olhar. O nosso filho é aquela idade que tu és, diz-nos que o dia de S. Valentim é um floreio, é nosso filho, é parecido contigo, é teu filho.
Manuel José
(4) QUANDO AMAS ALGUÉM, NUNCA É TARDE DEMAIS
Quando amas alguém, nunca é tarde demais
Para dizer "eu amo-te", para mostrar o caminho
Para abrir o coração e deixar o amor fluir
E encontrar o paraíso em seus olhos
O tempo pode passar, os anos podem voar
Mas o amor verdadeiro não envelhece, não morre
Ele continua vivo, pulsando em nosso peito
E quando encontramos amor, tudo se renova.
Nunca é tarde demais para começar de novo
Para escrever uma nova história, um novo capítulo
Para encontrar o amor que sempre esteve lá
E viver cada momento com intensidade e paixão.
Quando amas alguém, nunca é tarde demais
Para dizer "eu te amo", para viver o amor.
Ilda Pinto Almeida
(3) OS CUPIDOS DO BOSQUE ENCANTADO*
(2) Carta de Amor do BOBI à sua LAICA
Casota do Bobi, 14 de fevereiro de 2026
Laica, minha fofinha!
A tua saúde está boa? Quando é que vais parar de comer petiscos da Maria e fazer uma alimentação saudável e equilibrada? Bem te ouço ladrar e, infelizmente, só te vejo ao longe. Este amor dói, corrói a minha alma canina. Serás dele consciente?
Como está o tempo nessa casota, no final da rua? O degelo continua a aumentar? Os teus donos ainda não fizeram as pazes? Aqui, neste lado, a Mariana tira boas notas, o que acalma o ânimo do casal Andrade, face às notas calamitosas do Tiago.
Esforço-me por me portar bem, pois as tempestades não amainam (a Fritin foi assustadora!) e a minha dona trouxe-me para dentro de casa: não assalto a comida do gato Floquito, embora vontade não me falte, porque goza do meu mor silencioso e dolorido; não roo os chinelos do Tiago nem da Mariana, para me vingar de estar preso e do tempo que se revolta contra as maldades que o homem anda a fazer ao planeta; não lambo os bolos feitos pela Maria Albertina, a empregada resmungona que desconhece o sorriso… ou seja, esforço-me por ser um cão exemplar.
Não me podes enviar um au-au desse lado a dizer que sabes que existo, que só penso em ti? Quando puder envio-te um osso enorme para roer recheado de chocolate, um osso de borracha para brincar (de preferência cor de rosa!), uma mantinha de lã bem quentinha e uma carta para leres com atenção e carinho.
Espero que sintas por mim o que eu sinto por ti.
Um grande AU-AU-AU bem lambido.
Do teu
🐾BOBI
Maria Teresa Portal
(1) LENTO VAI O TEMPO
Ai, lentos vão os momentos
Desde que último te beijei;
Quem dera fossem eles ventos
Correndo céleres sem lei.
Céleres voando por esses prados,
Nuvens de celeste rebanho,
Lestos furacões irados
Rasgando o poente de estanho.
Momentos de dor tamanha,
Lágrimas e desespero;
Ouve: que nada te detenha
E aparte deste amor tão vero.
Tal Penélope, teço e espero
Regresso do bem amado;
Pois d’entre mil, só a ti quero,
E lento o tempo a teu lado.
Ana Ferreira da Silva

Bom dia!
ResponderEliminarComo não consigo decidir-me, voto em 2 textos: "O sol da minha vida", pelo toque de magia e redenção, e a "Carta de amor do Bobi à sua Laica", pela originalidade e pela delicada compreensão da alma canina (eu adoro cães, e por acaso, tenho uma Laika; terá ela um admirador que desconheço?)
Muito obrigada. Para quê termos uma vida limitada por "ou" quando tão facilmente podemos ter "e"? Foi-lhe atribuído o número 1 e o número 2. E aqui vai um exclusivo: "Tecto de Nuvens" agora também agência matrimonial para cães... 🐩💕🐕
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