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| Cartaz oficial da DGLAB, de autoria de Carolina Celas (menção especial no Prémio Nacional de Ilustração, 2024). |
(13) O livro, o dia do livro e o Livro da Vida!
No entanto, destaca-se um livro de relevância singular: o Livro da Vida. Conforme Apocalipse 20:12, este livro contém os nomes daqueles que o ocupam. Reconhecer e aceitar o Filho de Deus como único Senhor constitui uma promessa de ter o nome incluído no Livro da Vida.
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| A árvore que simboliza a vida, e que também está na origem do livro (papel). |
Ilda Pinto
Almeida
(12) As aventuras do Seraphim
O problema é que as aventuras são tantas, mas tantas que em menos de 3 horas seria uma tarefa difícil escrever todas. Mesmo assim, tinha de começar por uma, e qual delas seria? E muitas delas pouca gente acredita que realmente aconteceram.
Por exemplo, quando em 2007 o Donald Trump me conheceu. Sim, foi ele que me conheceu e não o contrário! No último de viagem a Nova York visitei a Trump Tower e ao ver uma parede dourada de grande dimensão que jorrava água como uma cascata, como é habitual captar imagens de forma não convencional, deitei-me com as costas no chão e a objetiva virada para cima para ver o efeito, mas raios, aquilo era difícil com tanto dourado, mas lá consegui. Reparei que estava uma figura enorme, em pé, a observar-me.
Com os meus 1,86mt levantei-me e ficamos quase face a face. Sem diálogo, mostrei a fotografia e a figura disse “good one”, cumprimenta-me e disse “have a nice day”.
Perguntei à minha amiga espanhola que estava comigo “¿quién fue?” e encolheu os ombros. Pouco depois no piso inferior havia uma vitrina com livros e revistas e demos de caras que afinal aquela cara era a cara do Donald Trump. Foi pena não termos tirado uma foto, assim ninguém acredita nesta história, tirando a amiga espanhola.
| A tal foto tirada a partir do chão |
| Exterior da Trump Tower (2007) |
| O autor junto da "maqueta" da Trump Tower |
Aníbal Seraphim
(11) Liberdade
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| Esta imagem tem direitos |
E se me perguntarem qual a palavra mais necessária para a liberdade, direi que é o "Não" como ferramenta, tal como defendia Saramago para evitar o conformismo e o dogmatismo.
Nina Pianini
(10) Partilha
Acordei triste, pois vários acontecimentos do dia de ontem me irritaram e me tiraram a paz.
Enquanto fazia a higiene matinal pensava em todos os acontecimentos negativos da minha vida e nas pessoas que os tinham causado e quase senti pena de mim Dispus-me a mudar as coisas, a impor-me mais e pensar um pouco mais em mim.
Confusa entre o esquecer uma vez mais os ressentimentos ou alterar o meu modo de agir, pedi a Deus que me ajudasse.
Abri a Bíblia e eis que me surge o Salmo 116 que diz logo no início “Amo o Senhor porque Ele ouviu a voz do meu lamento: Porque inclinou para mim os Seus ouvidos no dia em que O invoquei”.
E à medida que fui lendo e meditando, foram-se esclarecendo as minhas dúvidas. Problemas, sempre os terei como toda a gente, mas irritações não devo tê-las. Elas são veneno para o meu corpo e para a minha alma. De irritaçãozinha a irritaçãozinha vou-me tornando amarga, infeliz e fazendo amargos e infelizes os outros.
Então só vi um remédio para isso: pedir diariamente a paz e a alegria que são alguns dos frutos do Espírito Santo que habita em nós. E em todos os segundos do dia ter a certeza que o Senhor escuta a minha prece, pois inclinou para mim o Seu ouvido, como diz o Salmo. Que maravilha, pois como sou fraca e pequena Ele quis inclinar-se para melhor chegar até mim.
Então com a alegria da certeza que o Senhor me estava a ouvir, não resisti a cantar a canção.
“Com Tuas mãos chagadas, Senhor
Cura o meu coração Bom Pastor
Restaura a minha alma
Renova meu ser
Cura-me, liberta-me
Refaz meu viver!”
E a paz voltou de novo ao meu coração e o dia teve outro sentido. Espero repetir a experiência amanhã e, se conseguir, repeti-la todos os dias da minha vida.
Maria do Rosário
Cunha
(9) Na imensidão do infinito, a Paz
Procura Deus na imensidão do infinito, esse infinito sem fim, necessário é levantar os olhos para o alto, nesse alto onde Deus está.
Abeira-te desse Deus, com humilde oração, que ela chegue com grande clamor, a esse infinito que perdemos de vista. A oração, é o bálsamo para encontrar a verdadeira paz. Levanta os olhos, com verdadeiro clamor, lá no infinito Deus acolhe com um grande sorriso, eleva-a com grande amor.
(8) o menino que corria na rua
a rua tinha dois candeeiros. de iluminação pública. com lâmpadas normais. nada do que se usa atualmente. iluminavam um pouco. ora era excelente para brincar ao batemarra. de dia era o futebol. o tal das duas balizas. à noite as escondidinhas. ou o batemarra. um dois três. um escondia os olhos no poste da iluminação. os outros escondiam-se. o dos olhos escondidos ia atrás dos outros. ganhava quem descobrisse os outros. ou então quem chegasse primeiro ao poste.
um dia o menino do poste foi à procura dos outros. e a correr. pela rua abaixo até encontrar a outra perpendicular. só que já lá passavam automóveis. o menino deu de frente contra um. o carro parou. o menino não sofreu nada. mas deu duas voltas a correr. e desapareceu. voltou para o poste de iluminação.
(7) o.s. – mas que é isso
mas como dizia havia um muro. o muro tinha entre as suas paredes frinchas. era numa delas que guardávamos as mensagens. secretas. só os membros do o.s. sabiam. pertenciam três ou quatro de nós ao grupo. assim brincávamos. na rua. ora bem. o.s. queria dizer “os sombras”. não sei se é a primeira vez que estou a revelar o segredo. se é está revelado.
tínhamos um alfabeto próprio. o a equivalia a um sinal. não me lembro qual. e assim por adiante. escondíamos tudo na frincha. aberta do muro. pequeno. para que isso servia. é uma pergunta séria. como é sempre sério quando uma criança. com outras brinca. nós brincávamos através do muro. pequeno. tinha frinchas. pá guardávamos os segredos. com linguagem própria. e ninguém sabia. nem os do bairro. só nós. e isso era uma grande e sofisticada forma de ser.
(6) A GRALHA E A PAPAIA (baseado num episódio real)
O Thor era uma fera implacável, terror dos gatos da vizinhança; por outro lado, nunca fez menção de atacar bicho que voasse.
Naquela manhã, o Thor conversava com uma gralha empoleirada no corrimão da varanda; ou melhor, o Thor escutava com atenção, pois a gralha, fazendo jus ao nome, não se calava – não se calava, e só depois compreendi o que andavam os dois a tramar!
“Tu sabes que eu adoro papaias! E aquela ali está tão madurinha... Que hei-de fazer?”
É verdade, nós tínhamos uma papaieira no jardim, encostada ao muro onde o mainato da casa ao lado poisava o ferro a carvão; e também é verdade, que tal como a gralha, o meu pai adorava papaias, e aquela, mais especificamente, estava-lhe na mira, assim como lhe estaria na mira da pistola a gralha que rondava a papaieira.
Eu, o meu irmão e o mainato da casa ao lado, íamos enxotando a gralha enquanto aquela específica papaia, grande como uma abóbora, corada como um sol, ia amadurecendo.
Quando chegou o grande dia de colher a papaia-abóbora-sol, o meu pai foi buscar a escada de madeira que guardávamos na arrecadação; mas assim que encostou a escada à árvore, a grande papaia soltou-se, e com um grande (PLOF!) esparramou-se no chão, revelando, na “face oculta”, um buraco redondo, largo e profundo, enquanto acima do telhado da arrecadação, a gralha se afastava rapidamente. Pareceu-me ver o Thor piscar um olho enquanto abanava a cauda, bastante divertido com a nossa perplexidade.
Ana Ferreira da Silva
(5) parecia quase um quadrado
mas notem. sabem o que é viver num quartel. cercado. a diante havia povo. mas nas palhotas. casas frequentadas por alguns de nós. onde. certamente. haveria ins. tantos que vinham para nos lavar a roupa. e também. diga se. para levarem o que sobrava da nossa comida. e em latas. mais à frente uma proibição total de darmos os restos. mas sabem porquê. era para alimentarem os guerrilheiros. sim os ins. assim ninguém comeria.
(4) uvas do senhor alcino
o senhor alcino tinha uma
quinta bem grande. penso que só lá entrei uma ou duas vezes. pelo portão. que
até era uma das nossas balizas. do campo de futebol. claro. mas o senhor alcino
tinha outras coisas. uma delas era um aparelho de vento. metálico. sugava as
águas que lá passavam. antes de continuar. para que saibam eu não conhecia. nem
nunca cheguei a conhecer o senhor alcino. não sei bem se o nome era um
aparelho. era mesmo muito grande. tinha umas pás. giravam com o vento. e daí
tiravam água. das profundezas da terra. tinha um depósito a meio. que
conservava a água. e daí regava toda a quinta.
vai daí sacávamos os cachos de uvas. as criadas do senhor alcino ficavam incomodadas. ou mostravam isso. e não ficavam. o senhor alcino não sei. nem nunca soube. os cachos de uvas que bem sabiam. eram as uvas da quinta do senhor alcino. se fosse hoje não o podíamos fazer. já não existe a quinta do senhor alcino. em seu lugar um prédio de muitos andares.
(3) NO TEMPO DA PANDEMIA
A poesia ganhou o primeiro prémio. Como gesto simbólico, a autora foi convidada a plantar uma árvore de fruto e, junto às suas raízes, colocou uma cópia do poema — como se as palavras pudessem alimentar a terra.
O tempo passou.
A pequena laranjeira cresceu num jardim onde não era fácil ser vista. À sua volta, árvores altas e imponentes, mas sem fruto, roubavam-lhe a luz e escondiam-na do olhar de quem passava. Sentia-se só, quase esquecida.
Até que um dia o jardim foi limpo. Livre da sombra, a laranjeira ergueu-se com orgulho e decidiu mostrar ao mundo aquilo de que era capaz. Nesse ano, deu laranjas grandes, perfeitas — laranjas de umbigo, cheias de vida.
Não estiveram debaixo do envelope da Páscoa, como manda a tradição da autora — afinal, são a única fruta do inverno, símbolo da união e harmonia familiar, como os gomos que se juntam num só fruto. Nesse lugar esteve outra.
Mas a laranjeira não ficou esquecida.
Ficou uma fotografia e ela toda arrebitada no jardim. É a única no meio das japoneiras. A camélia é a flor do Porto e a autora é tripeira. Com ela, ficou também a memória de que aquilo que nasce de palavras pode, um dia, dar fruto.
(2) trabalhar e pagar ainda
numa balança eram pesadas as quantidades. de algodão. o algodão que era uma vida. de um ano. as crianças alegres. pudera iam sair de casa. dar um passeio. levar o algodão. este tinha sido o seu trabalho. também. o seu vozerio confundia-se. com o dos trabalhadores dos senhores. do algodão. tantos kilos. foram colhidos. nunca soube se as balanças pesavam as quantidades certas. para os senhores. do algodão. sim. para aqueles que trabalharam o ano inteiro. não.
pesadas as quantidades eram declarados. tantos kilos. monta a tantos escudos. menos o débito de quem produzia. eram tantos escudos. como os senhores do algodão. eram beneméritos. reduziam a esta carga. os débitos da produção. sendo assim. ficariam a dever. tantos escudos. mas pagava-se. tantos escudos. com os débitos a subir. mas a levarem em mão. alguns escudos. para o ano seguinte aumentavam as dívidas. assim se faziam as contas. sob as armas. gê três.
(1) conversão é deixar duas mulheres
se o missionário lhe dissesse que tinha de renunciar a duas. o senhor cumpria a doutrina. se lhe dissesse que poderia ficar com as três. não cumpria a doutrina. por outro lado. se dissesse para deixar duas. então elas iriam para a miséria. se dissesse que poderiam ser as três. não cumpriria a doutrina. e qual iria escolher para ficar com ele. uma pergunta. não uma resposta. não existiam dúvidas. o senhor era cristão. não cumpria. porém. uma condição. ter três mulheres.
se ficasse com as três. cumpria os ritos da sua tribo. da sua consciência. se ficasse só com uma trairia a sua tribo. mais trairia a sua cultura. então para se converter a jesus tinha de lançar na miséria duas pessoas. e certamente as três. porque os seus não lho perdoariam. que fazer. eis a pergunta. uma pergunta. sem resposta.



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