Páginas

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Desafios de autores para autores: Abril - Dia Mundial do livro

 

Cartaz oficial da DGLAB, de autoria de Carolina Celas (menção especial no Prémio Nacional de Ilustração, 2024).

Dia Mundial do Livro

O desafio para este mês era livre, um pequeno texto, com cerca de 20 linhas sobre o que quisessem, seja um livro que vos tenha marcado, um pequeno conto de vossa autoria, um pensamento...
Neste dia, em prosa, celebramos a palavra escrita como forma de comunicação, de expressão de sentimentos, de companhia, de forma de viajar (pela memória, por exemplo), etc. 
Lembramos que até ao dia 15 de Maio teremos uma votação a decorrer para encontrar o poema favorito dos leitores.
Como habitualmente, as votações serão feitas usando a caixa de comentários (já sabem que tem moderação pelo que os comentários/votos não ficam visíveis de imediato), não há limite para o número de vezes que podem votar ou em quem votar, apenas se espera algum bom senso (e apesar de aceitarmos que no blogue as votações ficam anónimas, só validaremos os votos após recebermos por email a identificação do votante e forma de contacto, assim que lhe atribuirmos um número).
O autor do texto mais votado escolherá do nosso catálogo de Prosa um exemplar do livro que mais lhe agradar; e o mesmo sucederá com o comentário/voto sorteado de entre os votantes identificados.

(13) O livro, o dia do livro e o Livro da Vida!

 

O livro, o dia do livro e o Livro da Vida! Qual é a natureza do Livro da Vida e qual é sua existência real? Para muitas pessoas, pode parecer uma metáfora ou uma lenda sem sentido, enquanto outros acreditam em sua existência apesar de nunca o terem visto fisicamente. Eu encontro me entre aqueles que anseiam ter seus nomes inscritos neste livro de importância suprema. Diversos livros são mencionados globalmente, e vários livros sagrados são citados na Bíblia, como o Livro da Aliança, o Livro da Lei, o Livro dos Reis, o Livro dos Registos, o Livro da Memória e o Livro do Senhor, entre outros.
No entanto, destaca-se um livro de relevância singular: o Livro da Vida. Conforme Apocalipse 20:12, este livro contém os nomes daqueles que o ocupam. Reconhecer e aceitar o Filho de Deus como único Senhor constitui uma promessa de ter o nome incluído no Livro da Vida.

 

A árvore que simboliza a vida, e que também está na origem do livro (papel).

Ilda Pinto Almeida

 

(12) As aventuras do Seraphim

 

Faltavam menos de 3 horas para celebrar o Dia Mundial do Livro e o velho sonho de deixar um legado através da escrita para a posteridade reacendeu. Não para os filhos, até porque a vida não me permitiu que os vislumbrasse ter, mas para… Para quem tivesse acesso a esse legado, para quem gostasse de ler as minhas aventuras.
O problema é que as aventuras são tantas, mas tantas que em menos de 3 horas seria uma tarefa difícil escrever todas. Mesmo assim, tinha de começar por uma, e qual delas seria? E muitas delas pouca gente acredita que realmente aconteceram.
Por exemplo, quando em 2007 o Donald Trump me conheceu. Sim, foi ele que me conheceu e não o contrário! No último de viagem a Nova York visitei a Trump Tower e ao ver uma parede dourada de grande dimensão que jorrava água como uma cascata, como é habitual captar imagens de forma não convencional, deitei-me com as costas no chão e a objetiva virada para cima para ver o efeito, mas raios, aquilo era difícil com tanto dourado, mas lá consegui. Reparei que estava uma figura enorme, em pé, a observar-me.
Com os meus 1,86mt levantei-me e ficamos quase face a face. Sem diálogo, mostrei a fotografia e a figura disse “good one”, cumprimenta-me e disse “have a nice day”.
Perguntei à minha amiga espanhola que estava comigo “¿quién fue?” e encolheu os ombros. Pouco depois no piso inferior havia uma vitrina com livros e revistas e demos de caras que afinal aquela cara era a cara do Donald Trump. Foi pena não termos tirado uma foto, assim ninguém acredita nesta história, tirando a amiga espanhola.
Também podia contar quando fui convidado pelas Spice Girls para uma festa privada em Paris, mas para essa história não tenho mesmo nenhuma testemunha e ninguém acreditará.

 

A tal foto tirada a partir do chão

Exterior da Trump Tower (2007)
O autor junto da "maqueta" da Trump Tower

 

Aníbal Seraphim

 

(11) Liberdade

 

Esta imagem tem direitos


Neste mês de abril, há que refletir “liberdade”. Por tal, apresento a pintura de Samuel Jennings (1792) “Estudar para a Liberdade Incentivando a Emancipação dos Negros”, da Biblioteca da Companhia da Filadélfia. Seguindo instruções de Benjamin Franklin, ao contrário das alegorias guerreiras francesas, esta pintura aborda a liberdade através da emancipação e do conhecimento. A Liberdade não está a lutar, mas sim a oferecer livros a um grupo de homens, mulheres e crianças negras recém-emancipadas, sugerindo que a verdadeira liberdade só é plena quando acompanhada pelo acesso à educação.
E se me perguntarem qual a palavra mais necessária para a liberdade, direi que é o "Não" como ferramenta, tal como defendia Saramago para evitar o conformismo e o dogmatismo. 

Nina Pianini


 (10) Partilha

 

Hoje vou partilhar convosco a minha reflexão desta manhã, na esperança que ela possa ser tão útil para vós, como foi para mim.
Acordei triste, pois vários acontecimentos do dia de ontem me irritaram e me tiraram a paz.
Enquanto fazia a higiene matinal pensava em todos os acontecimentos negativos da minha vida e nas pessoas que os tinham causado e quase senti pena de mim Dispus-me a mudar as coisas, a impor-me mais e pensar um pouco mais em mim.
Confusa entre o esquecer uma vez mais os ressentimentos ou alterar o meu modo de agir, pedi a Deus que me ajudasse.
Abri a Bíblia e eis que me surge o Salmo 116 que diz logo no início “Amo o Senhor porque Ele ouviu a voz do meu lamento: Porque inclinou para mim os Seus ouvidos no dia em que O invoquei”.
E à medida que fui lendo e meditando, foram-se esclarecendo as minhas dúvidas. Problemas, sempre os terei como toda a gente, mas irritações não devo tê-las. Elas são veneno para o meu corpo e para a minha alma. De irritaçãozinha a irritaçãozinha vou-me tornando amarga, infeliz e fazendo amargos e infelizes os outros.
Então só vi um remédio para isso: pedir diariamente a paz e a alegria que são alguns dos frutos do Espírito Santo que habita em nós. E em todos os segundos do dia ter a certeza que o Senhor escuta a minha prece, pois inclinou para mim o Seu ouvido, como diz o Salmo. Que maravilha, pois como sou fraca e pequena Ele quis inclinar-se para melhor chegar até mim.
Então com a alegria da certeza que o Senhor me estava a ouvir, não resisti a cantar a canção.
“Com Tuas mãos chagadas, Senhor
Cura o meu coração Bom Pastor
Restaura a minha alma
Renova meu ser
Cura-me, liberta-me
Refaz meu viver!”
E a paz voltou de novo ao meu coração e o dia teve outro sentido. Espero repetir a experiência amanhã e, se conseguir, repeti-la todos os dias da minha vida. 

Maria do Rosário Cunha

 

(9) Na imensidão do infinito, a Paz

Procura Deus na imensidão do infinito, esse infinito sem fim, necessário é levantar os olhos para o alto, nesse alto onde Deus está.

De lá observa o mundo tão arruinado pelo ódio, a violência, que faz do ser humano sofredor eleva para lá o teu olhar, de onde nos vem a paz.
Abeira-te desse Deus, com humilde oração, que ela chegue com grande clamor, a esse infinito que perdemos de vista. A oração, é o bálsamo para encontrar a verdadeira paz. Levanta os olhos, com verdadeiro clamor, lá no infinito Deus acolhe com um grande sorriso, eleva-a com grande amor.
                                                                                                                                      Adosinda Dias 


(8) o menino que corria na rua

 

a rua terminava. não tinha qualquer seguimento. de forma que se jogava a bola intermitentemente. eram os miúdos dos bairros. e outros de outros lados. tudo corria para aquela rua. até tinham um grupo. o grupo da bola era “os elienses”. o outro grupo era “os sombras”. mas não vamos falar disso. acontece é que a rua passou a ligar a outra. que lhe era perpendicular. o terreno à esquerda viu a construção de prédios. o da direita não. ainda bem que ficaram as os balizas. que eram os portões das duas quintas maiores. existentes.
a rua tinha dois candeeiros. de iluminação pública. com lâmpadas normais. nada do que se usa atualmente. iluminavam um pouco. ora era excelente para brincar ao batemarra. de dia era o futebol. o tal das duas balizas. à noite as escondidinhas. ou o batemarra. um dois três. um escondia os olhos no poste da iluminação. os outros escondiam-se. o dos olhos escondidos ia atrás dos outros. ganhava quem descobrisse os outros. ou então quem chegasse primeiro ao poste.
um dia o menino do poste foi à procura dos outros. e a correr. pela rua abaixo até encontrar a outra perpendicular. só que já lá passavam automóveis. o menino deu de frente contra um. o carro parou. o menino não sofreu nada. mas deu duas voltas a correr. e desapareceu. voltou para o poste de iluminação.

 

joaquim armindo
22/4/2026

 

(7) o.s. – mas que é isso


era um muro. baixo e pequeno. mas era onde o senhor júlio cultivava as suas rosas. o senhor júlio era o pai do fernando. que viria a ser bispo da igreja lusitana. também morava no bairro. hoje era capaz de se chamar uma ilha. não importa o nome. aquilo era um bairro. casas com quintal. onde se cultivavam muitas frutas. à sua direita. da casa do senhor júlio ficava a casa da quininha. e à esquerda a casa da fernandinha do senhor samuel. era assim que nos tratávamos. todos acabávamos os nomes com inha. por isso era um bairro. Não uma ilha. não estávamos isolados.
mas como dizia havia um muro. o muro tinha entre as suas paredes frinchas. era numa delas que guardávamos as mensagens. secretas. só os membros do o.s. sabiam. pertenciam três ou quatro de nós ao grupo. assim brincávamos. na rua. ora bem. o.s. queria dizer “os sombras”. não sei se é a primeira vez que estou a revelar o segredo. se é está revelado.
tínhamos um alfabeto próprio. o a equivalia a um sinal. não me lembro qual. e assim por adiante. escondíamos tudo na frincha. aberta do muro. pequeno. para que isso servia. é uma pergunta séria. como é sempre sério quando uma criança. com outras brinca. nós brincávamos através do muro. pequeno. tinha frinchas. pá guardávamos os segredos. com linguagem própria. e ninguém sabia. nem os do bairro. só nós. e isso era uma grande e sofisticada forma de ser.

 

joaquim armindo
22/4/2026

 

(6) A GRALHA E A PAPAIA (baseado num episódio real)

 

Em África os bichos entendem-se. Por vezes, as crianças também entendem os bichos. Eu era criança, mas não entendi a conversa entre a gralha e o meu pastor alemão Thor...
O Thor era uma fera implacável, terror dos gatos da vizinhança; por outro lado, nunca fez menção de atacar bicho que voasse.
Naquela manhã, o Thor conversava com uma gralha empoleirada no corrimão da varanda; ou melhor, o Thor escutava com atenção, pois a gralha, fazendo jus ao nome, não se calava – não se calava, e só depois compreendi o que andavam os dois a tramar!
“Tu sabes que eu adoro papaias! E aquela ali está tão madurinha... Que hei-de fazer?”
É verdade, nós tínhamos uma papaieira no jardim, encostada ao muro onde o mainato da casa ao lado poisava o ferro a carvão; e também é verdade, que tal como a gralha, o meu pai adorava papaias, e aquela, mais especificamente, estava-lhe na mira, assim como lhe estaria na mira da pistola a gralha que rondava a papaieira.
Eu, o meu irmão e o mainato da casa ao lado, íamos enxotando a gralha enquanto aquela específica papaia, grande como uma abóbora, corada como um sol, ia amadurecendo.
Quando chegou o grande dia de colher a papaia-abóbora-sol, o meu pai foi buscar a escada de madeira que guardávamos na arrecadação; mas assim que encostou a escada à árvore, a grande papaia soltou-se, e com um grande (PLOF!) esparramou-se no chão, revelando, na “face oculta”, um buraco redondo, largo e profundo, enquanto acima do telhado da arrecadação, a gralha se afastava rapidamente. Pareceu-me ver o Thor piscar um olho enquanto abanava a cauda, bastante divertido com a nossa perplexidade.

Ana Ferreira da Silva

 

(5) parecia quase um quadrado


passar um dia lá dentro vá que não vá. agora uma semana. após semana. mês após mês. ano após ano. só quem nunca esteve na guerra. é que a defende. o quartel era mesmo um quadrado. parecia. mas creio que era mesmo. sabem o que ver uma luz parecia com um foguete. não sabe quem lá não esteve. ou uma luz provinda de um fogo de artificio. era do in. isto é. do inimigo. mas eu não tinha inimigos. então ao anoitecer. corremos todos de armas em punho para defender o quadrado. o quartel. quero dizer. mas o in tinha outros planos. aquilo era um sinal. para atacarem uma escolta militar no outro dia. onde morreram jovens. militares à força.
mas notem. sabem o que é viver num quartel. cercado. a diante havia povo. mas nas palhotas. casas frequentadas por alguns de nós. onde. certamente. haveria ins. tantos que vinham para nos lavar a roupa. e também. diga se. para levarem o que sobrava da nossa comida. e em latas. mais à frente uma proibição total de darmos os restos. mas sabem porquê. era para alimentarem os guerrilheiros. sim os ins. assim ninguém comeria.
mas sabem o que é a guerra. em nome de princípios. mas nós não sabíamos porquê. a guerra. um quadrado. um quartel. uma hora. outra hora. um dia. outro dia. outro dia. um mês. outro mês. um ano. mais um ano. um tiro. outro tiro. mas porquê. em nome do meu país. não era. em nome de outros interesses. de quem não queria ir à guerra.

 

joaquim armindo
22 de abril de 2026

 

(4) uvas do senhor alcino

o senhor alcino tinha uma quinta bem grande. penso que só lá entrei uma ou duas vezes. pelo portão. que até era uma das nossas balizas. do campo de futebol. claro. mas o senhor alcino tinha outras coisas. uma delas era um aparelho de vento. metálico. sugava as águas que lá passavam. antes de continuar. para que saibam eu não conhecia. nem nunca cheguei a conhecer o senhor alcino. não sei bem se o nome era um aparelho. era mesmo muito grande. tinha umas pás. giravam com o vento. e daí tiravam água. das profundezas da terra. tinha um depósito a meio. que conservava a água. e daí regava toda a quinta.

mas a quinta do senhor alcino tinha outra coisa que mais interessava. era uma videira. e dava uvas. ora bem. eram as uvas que mais nos interessava. não porque faltassem uvas às nossas mesas. mas era o prazer de assaltar a quinta. do senhor alcino. assim íamos por o muro da rua afonso albuquerque. era mais fácil. aí o muro era mais baixo. tinha um gradeamento a defendê-lo. de nós claro.
vai daí sacávamos os cachos de uvas. as criadas do senhor alcino ficavam incomodadas. ou mostravam isso. e não ficavam. o senhor alcino não sei. nem nunca soube. os cachos de uvas que bem sabiam. eram as uvas da quinta do senhor alcino. se fosse hoje não o podíamos fazer. já não existe a quinta do senhor alcino. em seu lugar um prédio de muitos andares.

 

joaquim armindo
22 de abril de 2026

 

(3) NO TEMPO DA PANDEMIA

 

No tempo da pandemia, quando o mundo parecia suspenso, uma poesia saltou para o papel. Chamava-se “A fome” e alertava para as desigualdades sociais — feridas expostas por uma crise que atingia todos, mas não por igual.
A poesia ganhou o primeiro prémio. Como gesto simbólico, a autora foi convidada a plantar uma árvore de fruto e, junto às suas raízes, colocou uma cópia do poema — como se as palavras pudessem alimentar a terra.
O tempo passou.
A pequena laranjeira cresceu num jardim onde não era fácil ser vista. À sua volta, árvores altas e imponentes, mas sem fruto, roubavam-lhe a luz e escondiam-na do olhar de quem passava. Sentia-se só, quase esquecida.
Até que um dia o jardim foi limpo. Livre da sombra, a laranjeira ergueu-se com orgulho e decidiu mostrar ao mundo aquilo de que era capaz. Nesse ano, deu laranjas grandes, perfeitas — laranjas de umbigo, cheias de vida.
Não estiveram debaixo do envelope da Páscoa, como manda a tradição da autora — afinal, são a única fruta do inverno, símbolo da união e harmonia familiar, como os gomos que se juntam num só fruto. Nesse lugar esteve outra.
Mas a laranjeira não ficou esquecida.
Ficou uma fotografia e ela toda arrebitada no jardim. É a única no meio das japoneiras. A camélia é a flor do Porto e a autora é tripeira. Com ela, ficou também a memória de que aquilo que nasce de palavras pode, um dia, dar fruto.

 Maria Teresa Portal Oliveira

(2) trabalhar e pagar ainda

 

traziam o fruto do seu trabalho anual. trabalho duro. era braçal. levavam à cabeça. ou em carritos muito pequeninos. puxados pelos seus braços. esguios. pobres. satisfeitos pela sua contribuição. era o algodão. o produto do seu trabalho anual. mas lá iam. com os seus filhos. e filhas. que eram muitos. na minha aritmética. claro. chegados. tinham à sua espera um inusitado cenário. o mercado era um depósito de armas. soldados e seus oficiais. de arma em punho. era a gê três. eu era um deles.
numa balança eram pesadas as quantidades. de algodão. o algodão que era uma vida. de um ano. as crianças alegres. pudera iam sair de casa. dar um passeio. levar o algodão. este tinha sido o seu trabalho. também. o seu vozerio confundia-se. com o dos trabalhadores dos senhores. do algodão. tantos kilos. foram colhidos. nunca soube se as balanças pesavam as quantidades certas. para os senhores. do algodão. sim. para aqueles que trabalharam o ano inteiro. não.
pesadas as quantidades eram declarados. tantos kilos. monta a tantos escudos. menos o débito de quem produzia. eram tantos escudos. como os senhores do algodão. eram beneméritos. reduziam a esta carga. os débitos da produção. sendo assim. ficariam a dever. tantos escudos. mas pagava-se. tantos escudos. com os débitos a subir. mas a levarem em mão. alguns escudos. para o ano seguinte aumentavam as dívidas. assim se faziam as contas. sob as armas. gê três. 
joaquim armindo
22 de abril de 2026

 

(1) conversão é deixar duas mulheres

 

um dia destes pergunta um missionário. se um natural de um país africano se der a jesus. tiver três mulheres que faremos. dizemos-lhe que tem de deixar duas. ficar só com uma. ou continuar com as três. é que na fé cristã só pode ter uma mulher. mas ele deu-se completamente a jesus. só tem esta dificuldade. e o missionário pensava. ele não quer. não pode. render-se a jesus. de acordo com a nossa doutrina. tendo três mulheres. então o missionário pensava. pensava no que diria ao senhor.
se o missionário lhe dissesse que tinha de renunciar a duas. o senhor cumpria a doutrina. se lhe dissesse que poderia ficar com as três. não cumpria a doutrina. por outro lado. se dissesse para deixar duas. então elas iriam para a miséria. se dissesse que poderiam ser as três. não cumpriria a doutrina. e qual iria escolher para ficar com ele. uma pergunta. não uma resposta. não existiam dúvidas. o senhor era cristão. não cumpria. porém. uma condição. ter três mulheres.
se ficasse com as três. cumpria os ritos da sua tribo. da sua consciência. se ficasse só com uma trairia a sua tribo. mais trairia a sua cultura. então para se converter a jesus tinha de lançar na miséria duas pessoas. e certamente as três. porque os seus não lho perdoariam. que fazer. eis a pergunta. uma pergunta. sem resposta.

 joaquim armindo
22 de abril de 2026

Sem comentários:

Enviar um comentário