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sexta-feira, 8 de maio de 2026

João Couto Ribeiro, autor de "O Menino cor de Aleixo", em entrevista

 

O Prémio de Conto Infanto/Juvenil Tecto de Nuvens tem alguns premiados, mas tem um número enorme de vencedores. São vencedores todos aqueles que finalmente têm a coragem de retirar da sua imaginação as muitas histórias que lá têm para contar.
Apresentar essas histórias para serem lidas é um primeiro, e enorme passo, não interessa o resultado.
Estando o génio fora da garrafa/lâmpada, não há volta a dar, não volta para lá.
O objectivo do nosso Prémio é apresentar mais autores ao mundo e, mais uma vez, conseguimos esse objectivo na última edição do Prémio (2025). Um bom exemplo desse sucesso é João Couto Ribeiro. Foi um dos finalistas, não chegou ao prémio, mas conseguiu o objectivo: ser lido e ser publicado.
O seu actualíssimo e pertinente "O Menino cor de Aleixo" é agora o nº 9 da colecção "Petizes Felizes!".
João Couto Ribeiro, 55 anos, habituou-se a ver o mundo através da sua câmara fotográfica e talvez por esse motivo tenha conseguido apresentar tão bem o retrato da solidão/anonimato de se estar no meio dos outros sem se ser visto - situação que todos já teremos experimentado -  e a mesma solidão de termos todos a olhar para nós, mas verdadeiramente sem ninguém nos ver. O equilíbrio, aprendemos com o menino Aleixo, vem de dentro, as respostas estão também em nós. Contudo, independentemente da idade, por vezes é importante a ajuda da fada-madrinha, que somos nós todos, enquanto sociedade.
A ilustração da capa, é também ela um retrato, e como diz o ditado "Filho de peixe sabe nadar", aqui é uma filha, Mariana Ribeiro, que criou esta magnífica ilustração para o conto do pai.
Mas vamos conhecer melhor este novo autor, a sua inspiração e as suas aspirações. 
João Couto Ribeiro, de voz própria e na primeira pessoa:


  Conte-nos como e porquê começou a escrever, por paixão ou por necessidade?


Comecei a escrever por paixão, embora no contexto de uma alteração na minha vida profissional. Surgiu-me a ideia de voltar a escrever por um mero acaso e imediatamente ocorreu-me uma história infantil que desenvolvi até dar origem a “O Menino Cor de Aleixo”. Gostei tanto que não parei mais de escrever.


  Qual o papel que a escrita ocupa na sua vida?

Neste momento, tem um papel fundamental. Tento escrever todos os dias, preciso de escrever todos os dias. É de onde retiro o prazer que me vai alimentando a alma e que me tem ajudado a ultrapassar momentos menos positivos da minha vida. É a rotina que me satisfaz e me completa.


  Sempre sonhou publicar um livro?


Não propriamente. Enquanto fotógrafo (atividade que desempenhei toda a minha vida profissional), sempre desejei publicar algo, como uma compilação dos meus melhores trabalhos ou sobre temas específicos que às vezes me ocorriam, mas tal nunca sucedeu. Em termos de romance ou conto, confesso que foi algo em que nunca pensei seriamente. Agora, não me sai da cabeça.


  Qual é a sensação que tem ao ver, agora, o seu livro nas mãos?


É uma sensação ótima pois tenho um carinho muito grande pelo “Aleixo”, por ter sido o meu primeiro conto e porque acho sinceramente que é uma história que precisava de ser partilhada. Penso que contém alguns valores esquecidos que convêm ser recordados até à exaustão. O mundo atual bem precisa de volta a acreditar em certos conceitos.


  Tem algum projecto a ser desenvolvido, actualmente? Pensa publicar mais algum livro? Continua a sentir vontade de escrever?


Sim, como disse anteriormente, não consigo parar de escrever. Tenho várias outros contos infantis prontos e dois romances. Isto em muito pouco tempo. Gostava muito de continuar a publicar livros, luto diariamente para que isso aconteça e é o meu grande objetivo do momento. Mas, infelizmente, nenhum está ainda na calha. A vontade de publicar e de estabelecer uma carreira na literatura não parece ser tarefa fácil na atualidade.


  Fale-nos um pouco sobre o seu livro.

É um livro sobre um menino que é infeliz por não ter amigos e que luta pelo seu lugar. Como acontece com tantos, é vítima de bullying e tenta adaptar-se para ser aceite. Só que, quanto mais tenta, parece ficar ainda pior. Acaba por ter de pedir ajuda externa (personificada na fada madrinha) pensando que só um milagre o poderá ajudar.

Como quer ser diferente deseja mudar para uma cor que o destaque perante os outros, uma cor que ainda não exista. Só que as coisas se tornaram mais difíceis do que ele imaginara.
Ao longo da história vai aprendendo que a força para a mudança terá de advir do seu interior e que a sua aceitação pelos demais dependerá de ele se sentir bem consigo próprio. Julgo que é uma mensagem bonita e importante numa época de desafios tão grandes à personalidade das crianças. Tento incutir alguns princípios de bondade e amizade que nunca são demais recordar.

  Existe alguma parte do livro, em particular, que goste mais. Porquê?

O final, julgo que tem alguma grandiosidade poética. Se consegui passar devidamente as emoções, acredito que mexerá com os leitores. Mas deixo a cargo deles a comprovação desse facto.


  Indique as razões pelas quais aconselharia as pessoas a ler o seu livro? O que acha mais apelativo no seu livro?


É uma história séria, mas contada com humor e ligeireza. Foca-se em assunto importantes, e até dramáticos, sem nunca se tornar demasiado triste pois é sempre acompanhada pela luz da esperança. Tem uma linguagem acessível, mas não infantilizada, que acho adequada para serem os próprios leitores, qualquer que seja a idade, a encontrarem as respostas para os assuntos que levanta nas suas próprias mentes.


  Qual é o seu estilo de escrita ou que tipo de mensagem gosta de passar no que escreve?


É tudo muito variado. Gosto de me desafiar a escrever sobre todos os temas e nas formas mais variadas: quer seja para crianças ou para adultos. Foco assuntos sérios, outros simples, porém sempre com muita intensidade. Escrevo com uma boa dose de humor misturada com uma forte carga sentimental, transmitindo muita ‘alma’. A existir um fio condutor entre a diversidade de temas que escrevo, talvez seja o de um alerta para os vários perigos do presente – que já estava presente no “Aleixo”. Não sou um crítico da sociedade atual, simplesmente gosto de expor os seus perigos, tentando, de alguma forma, apresentar possíveis soluções. Se é que isso é possível.


  Qual o papel das redes sociais na vida e na divulgação da obra de um autor? E na sua?


Acredito que seja fundamental para os grandes autores. Já tive o privilégio de falar com alguns e todos eles admitem que não é fácil propor um conceito a uma editora sem demonstrar forte presença nas redes sociais. Mas na pequenez do meu mundo, uso-as de forma modesta. Comecei há muito pouco e estão ainda numa fase inicial de divulgação. Terão que evoluir, tal qual a minha escrita e a minha obra.


  Gosta de ler? Que tipo de leitor é que é?


Não tenho hábitos de leitura muito enraizados. Tento fazê-lo sempre que posso, mas depende muito das fases e da disponibilidade mental. Há alturas em que leio um livro em poucos dias, outras demora semanas. E nem sempre a ‘culpa’ é do autor.
Obviamente que desde que comecei a escrever com maior frequência tento ler o mais possível. É fundamental sentir a liberdade e a criatividade dos outros para desbloquearmos a nossa.




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Pode encomendar o livro enviando email para loja@tecto-de-nuvens.pt