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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Votação para o texto favorito do livro: "Eu queria inventar a Paz" - TEXTO VENCEDOR -


 E numa votação que andou renhida até ao fim pelo último lugar do pódio, temos, finalmente, a classificação final.
A vitória, nesta colectânea mista, foi de um texto (ainda que ilustrado com imagens): "O jardim da Paz".  Muitos parabéns à "jardineira", Maria Lucília Teixeira Mendes.

Os nossos parabéns também para as autoras classificadas em segundo e terceiro lugar, respectivamente: Ester Liñares e Alexandra Carneiro.
E o nosso obrigada a quem votou, estejam atentos ao sorteio do prémio.
Quanto às autoras, pedimos um pouquinho de paciência, uma série de alterações às leis comerciais, e políticas (e os homens e mulheres que as impõem) claramente a precisar de ler este livro, atrasaram os processos de produção. Assim que for possível, receberão as suas prendas.

1º  O jardim da Paz- VENCEDOR

2º O Alfaiate
3º Eu queria inventar a Paz

Para conhecer ou recordar, fica um excerto do conto vencedor:

(...)

Também eu não estava a entreter-me. Não! As minhas costas, os meus joelhos e os meus braços sabem isso muito bem. É um sacrifício gostoso. Para um bem maior. Para que este pedacinho do mundo fique mais belo, mais harmonioso, mais habitável, mais bem cheiroso. Para que alguém se possa sentir repousado interiormente, descansar o olhar e a alma nesta natureza cuidada que pode acalmar ansiedades e turbulências, fazer com que alguém se reencontre consigo próprio, na paz, na tranquilidade. Para que as cores de cada flor, a verdura exuberante das plantas, as abelhinhas e as borboletas que passam, façam brotar alegria, esperança, serenidade e um pouco de optimismo. Para que alguém se possa sentar ali e sentir o murmúrio do vento ou a carícia de uma suave brisa. Para que um raio de sol lhe ilumine o ser e a vida.

Gostaria que, ao menos por uns instantes, alguém se sentisse convidado a parar neste jardim. Pode ser para ler uma página de um livro, mas pode ser também para não fazer nada. Pode ser para seguir o voo de uma borboleta ziguezagueando no ar, observar uma abelha metida dentro de uma flor, ou observar o carreirinho das formigas, assim como a superfície do túnel escavado pela toupeira. Com sorte, pode ainda acompanhar o percurso de um dos muitos caracóis que andam por ali pois, geralmente, eles estão parados.

Num pequeno jardim sossegado como este, quanta paz se pode sentir! A mesma paz que nos invade ao entrar num templo silencioso. É só saber aproveitar.

Num jardim cuidado com dedicação para os outros, podemos ouvir as flores a conversar. Elas têm tanto para nos ensinar. Eu consigo escutá-las. É por isso que trabalho devagar. Hoje, com o meu rádio avariado, consegui dar-lhes mais atenção. Elas fazem-me pensar. Fazem-me desejar ver jardins por toda a parte. Jardins com meninos a brincar e pais e mães a passear. Jardins que só florescem em lugares de paz. Jardins com flores que espargem seus aromas apenas onde só a vida desabrocha e se expande. Jardins em vez de cinzas e escombros.

Não há jardins onde há guerra; não há flores onde a paz só se faz depois que uns matam os outros. Não se sente o perfume das flores onde o cheiro de morte se sobrepõe. Os passarinhos não cantam e as crianças não sorriem onde a paz é espezinhada.

A paz não pode ser simplesmente “ausência de guerra” ou “tranquilidade na ordem”. Ela é muito mais do que isso. E é possível. Basta que uns tantos a queiram. Mas tu e eu também temos que a querer. Construí-la em cada dia. Cuidar dela. Não perder tempo com coisas vãs.

Alguém nos disse um dia: “deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz”. Não é uma paz qualquer. A paz que os homens dizem querer e nada mais fazem do que guerrear, não se aguenta. A paz assente no amor que Cristo veio ensinar e testemunhar, essa é duradoira.

Quando virá ela? Quem dera viesse hoje mesmo! Eu sonho com ela.

 

 



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