sexta-feira, 23 de abril de 2010

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No momento em que mais uma das suas obras chega ao mercado em versão portuguesa, e estando Julie em plena digressão por várias escolas do país, aproveitamos para ir  saber um pouco mais sobre esta autora escocesa a residir em Portugal.




TN - Qual foi a sua motivação para começar a escrever? E porquê livros infantis?

J.H. - Quando os meus filhos eram muito pequenos eu vivi no Norte de África, em Tripoli, na Líbia. Eu não tinha possibilidade de lhes comprar livros pois as lojas estavam vazias… Assim, comecei eu a escrever-lhes histórias. Eu sempre gostei de escrever histórias, eu adorava as aulas de Inglês e lia avidamente todo o tipo de livros. Eu adorava escrever histórias para crianças e poesia, por isso continuei a escrever à medida que os meus filhos iam crescendo. Claro que eles agora já são adultos, mas como tenho netos continuo a escrever para eles e para outros.

TN - Tem viajado para tantos sítios, por vezes em situações muito difíceis e até perigosas, o que é a que a motiva a fazer isso?

J.H. - Eu adoro a aventura, eu comecei a viajar em 1982… e ainda continuo e com todo o vigor. Já vi crianças de todas as culturas, credos e países e odeio ver como elas sofrem em silêncio… É o nosso dever, enquanto adultos e enquanto pais, certificar-nos de que as nossas crianças têm a melhor, a mais segura e a mais feliz das infâncias, e assim prepará-las para a vida adulta.
Eu estive em países destruídos pela guerra e vi nas faces das crianças o horror quando coisas más estavam a acontecer…

TN - Trabalha muito com crianças e com adolescentes, fale-nos um pouco do seu trabalho.

J.H. - Tenho um enorme respeito pelas crianças e adolescentes, já visitei escolas um pouco por todo o globo do Canadá à África e por toda a Europa… Fazemos sessões em que lhes conto histórias e escrevemos histórias juntos, quando estive no Kuwait e trabalhei para o jornal Times encorajava as crianças a escreverem histórias e poemas… Ainda agora faço isso e recebo muitos emails de crianças a perguntar-me sobre como escrever histórias…

TN - Os seus heróis e heroínas são crianças muito comuns, talvez até um pouco menos do que isso já que parecem ser um pouco mais fracas ou diferentes das outras, mas que em situações difíceis são capazes de coisas extraordinárias e acabar por “salvar o dia”. É uma tentativa sua para motivar os mais novos que, porventura, se sintam um pouco excluídos? Ou seja, fazê-los sentir que, de certa forma, eles são especiais, talvez, até, mágicos?

J.H. - Eu adoro o facto de qualquer criança poder ser um herói… não tem de ser a melhor, ou a mais rápida, ou a mais inteligente para conseguir realizar os seus sonhos… Uma criança, é uma criança… É tão simples quanto isso.

TN - Um comentário comum aos seus livros é que eles têm duas leituras, uma para as crianças e outra para os adultos; de certa forma, estimulando o cérebro dos adultos enquanto cumprem a sua “obrigação” de lerem para ou com os seus filhos. É intencional? E é muito difícil fazer isso?

J.H. - Sim, é muito intencional… Eu acho que os adultos devem ser os melhores pais possíveis, sem restrições. É muito triste quando se ouve uma criança dizer que os pais nunca lhe leram uma história, ou que os magoaram intencionalmente… Ou que os ignoraram, ou lhes bateram, ou não os alimentaram adequadamente, ou que lhes fazem lavagens cerebrais seja por que motivo for… Tudo isto deixa-me muito triste, por isso, eu espero que se as minhas histórias forem lidas por um adulto lhe dê encorajamento para ser um bom pai, caso esteja a ter dificuldades com isso.

TN - Uma outra leitura, recorrente, dos seus livros é que a Julie parece, genuinamente, preocupada com o modo como as crianças estão a ser educadas. Fale-nos mais sobre esta questão.

J.H. - Eu acho que as crianças são umas coisinhas muito resistentes e que conseguem lidar com quase tudo que a vida lhes atira, mas eu julgo ser o nosso dever moral certificarmo-nos de que as crianças deste nosso planeta são respeitadas e amadas, e que vivam sem medo e sem que coisas injustas lhes aconteçam. Eu sinto que as crianças são forçadas a crescer muito rapidamente e que a sua infância é cada vez mais pequena…

TN - Fale-nos um pouco sobre a Julie Hodgson: os seus projectos para o futuro, como é viver em Portugal – em especial numa região tão sossegada do país. É uma espécie de porto seguro?

J.H. - Eu adoro Portugal e as suas tradições, é um país quente e generoso, com pessoas que se orgulham da sua nação; óptima comida e habitantes maravilhosos… Actualmente estou mais ocupada do que nunca pois comecei a escrever um livro para os mais crescidos, os adultos, o que é muito diferente do escrever para crianças… Mas quando lerem o livro vão ver que, mais uma vez, o foco principal é o bem-estar das crianças. Foi uma estudante universitária que me pediu que escrevesse uma história especial, para que ela a pudesse ilustrar para ser avaliada na Faculdade, como se fosse um exame.


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