quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Vencedor da votação do público " A Árvore de Natal e o Presépio"


Findas as votações, o público, cuja votação, mais uma vez, agradecemos, escolheu os seguintes contos como os seus favoritos:

 Uma pluma no Natal - Vencedor

2º Quando eu era o Pai Natal
3º O Menino que salvou o Natal e O Guizo


Os nossos parabéns ao autor Pedro Forte por esta vitória. 
Fica aqui um excerto do conto vencedor

Uma Pluma no Natal

I

Leonor, uma princesa, vivia num reino encantado e era profundamente bela, mas simultaneamente triste. Tão triste quanto triste se pode ser…
Leonor contava os dias que passavam sempre na companhia da sua velha tristeza. O que ela não imaginava é que o destino lhe faria uma grande surpresa e que a sua vida, um dia, se iria alterar profundamente!...
O reino onde os pais de Leonor, D. Aurélio e D. Eduarda, governavam altivamente, parecia uma tela viva de cores com umas quantas pinceladas de magia.
As casas do povo, pequeninas, de pedras amareladas e madeiras envelhecidas, contrastavam com o enorme palácio onde se destacavam as paredes em carmim onde vivia Leonor.
Os meninos da idade da princesa corriam alegres e descalços pelas ruas do reino. Pareciam plumas acariciadas pelo vento a gritar alegremente pelas vielas. Leonor observava-os da enorme janela do seu quarto.
Enquanto o povo das aldeias se agitava na azáfama do dia-a-dia, Leonor passava o tempo percorrendo pesarosamente os longos corredores do sumptuoso palácio onde vivia, acompanhada da ama, cuja incumbência era garantir que à princesa nada faltava, nem o mais belo vestido, o mais requintado par de sapatos, ou a mais doce guloseima…
A cada dia que passava a esbelta princesa, com os seus longos cabelos negros a contrastar com a sua tez muito branca, ia sentindo-se cada vez mais pesada e sem forças. Os seus sapatinhos de cetim pareciam enterrar-se cada vez mais na rica tapeçaria que ornamentava o chão do interior do palácio.
À noite, com a cabeça encostada no vidro da janela do seu quarto, Leonor via, lá ao longe, os meninos da aldeia junto dos
seus pais, cercando uma mesa, iluminados pela luz trémula de uma vela. Pareciam muito levezinhos, animados…enquanto ela, permanecia ali, pesarosamente no seu enfado, sem oportunidade para uma conversa com os seus pais, que tal como era habitual se encontravam no salão principal do palácio a receber os nobres nos habituais serões faustosos que aí se realizavam.
Na aldeia mais próxima do palácio, as crianças acordavam todos os dias muito cedo para ajudar os pais com as lides do campo antes de seguirem em grupos animados, para a velhinha escola, edifício branco, com uma porta e duas janelas pintadas de verde. Ao lado da escola, a igreja da aldeia fazia-lhes companhia.

Nem o facto de terem que madrugar para conduzir os animais para os pastos cobertos de orvalho, ou ajudar os pais com as pesadas vasilhas cheias do leite que conseguiam com a ordenha, faziam sentir as crianças felizes menos leves que o dia anterior. Corriam sempre alegremente, mal tocando no chão agreste, que aos olhos de Leonor, pareciam campos de algodão…
(...)

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