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sábado, 7 de fevereiro de 2026

Votação para o texto favorito do livro: "A casa do Natal" - TEXTO VENCEDOR -

E numa votação que andou renhida até ao fim, subitamente, em grande sprint chegou um texto que ultrapassou todos e ganhou vantagem nos últimos metros. Assim foi a vitória do conto "O Tacho".  Muitos parabéns à autora, Maria Lucília Teixeira Mendes.

Os nossos parabéns também para as autoras classificadas em segundo e terceiro lugar, respectivamente: Ana Ferreira da Silva e Maria João Amaral Graça.
E o nosso obrigada a quem votou, estejam atentos ao sorteio do prémio.
Quanto às autoras, brevemente receberão as suas prendas.

1º  O Tacho - VENCEDOR

2º A Casa de Chá do Pai Natal
3º A Melopeia de Natal

Para conhecer ou recordar, fica um excerto do conto vencedor:

 O Tacho

Era uma vez uma menina que nasceu e cresceu num tempo em que o tempo era tempo. Ele não corria. Andava devagar e chegava para tudo. A vida rolava ao ritmo das fases da lua, das estações do ano, das sementeiras e colheitas, e até do nascimento dos cabritinhos...  Os adultos conseguiam parar a conversar e as crianças nunca tinham pressa. Tudo se fazia com calma e, calmamente, lá iam chegando, sucessivamente, o natal, o entrudo e a páscoa. A seu tempo, chegavam também dois amiguinhos de Lisboa para as férias grandes e que eram grandes de verdade! Um pouco mais velhos, eram eles o Zé Tó e o Tó Zé.

Esta menina veio ao mundo numa aldeia pequenina encimada por verdes pinheirais e em que as nascentes de águas límpidas brotavam por toda a parte. Sempre em grupo, a criançada saboreava cada brincadeira, inventada com a sabedoria da imensa liberdade criativa de que gozava. Sempre ao ar livre.

Um pau engatado numa roda de madeira mal cortada e que, por isso, mal conseguia rodar, era uma mota. Um arco ferrugento, arrancado a uma pequena pipa velha, era um carro de alta cilindrada. O cabo de uma vassoura, gasta até ao fim, passava a ser um cavalo adestrado para as mais altas competições e viagens ao infinito.

A esta menina, foi dado o nome de Graça. E ela era mesmo uma gracinha! Uns diziam que era a cara da tia Primavera; outros, que tinha as pernas da avó Patucina. Havia ainda quem a achasse parecida com… sei lá!... com a meiga Genoveva, tia-avó do pai que tinha uma verruga peluda na ponta do nariz, mas já ninguém reparava em tal acessório!

De rosto redondinho, a menina apresentava um doce sorriso fácil. Os cabelos loiros e ondulados, contrastavam com os vivos olhos negros. Falar, quer dizer, articular certas palavras, é que era ainda uma pouco difícil.

Um dia, a menina, que muitas vezes fugia da casa da mãe para a da avó, foi com esta para o lugar onde confluíam algumas nascentes.  Havia aí uma poça larga com lavadouro de pedra. A poça era abastecida pela água corrente que descia por um apertado rego ladeado de altos muros, em jeito de levada. Nestes muros de encosto, de pedras húmidas, musguentas e viscosas, cresciam saborosos moranguinhos vermelhos, muito pequeninos.

Enquanto a avó lavava, a menina caminhou rego acima. Pondo os pés ora numa, ora noutra pedra escorregadia, colhia os saborosos frutos, comendo-os de seguida. Todo o cuidado era pouco para não escorregar e não molhar os sapatinhos azuis que lhe dera o padrinho no dia em que completou três anos, uns seis meses atrás. Mas, apesar do cuidado, ela acabou por cair. Sentiu-se, então, sentada na água, sobre uma coisa um pouco dura e que não sabia identificar. Um calhau não era, de certeza.

Ali, a água, retida por algumas pedras mais altas, fazia um pequeno charco lamacento.

Teve vontade de chorar e gritar pela avó. Estava para abrir a boca, quando lhe pareceu que uma vozinha fina como orvalho, vinda do fundo do charquito, lhe estava a fazer “shiuuuu…”

Pronta como era, embora meio incrédula, perguntou imediatamente:

- Quem és? És um peixe?

Ninguém respondeu.

- És um cagarralo? (Era assim que chamavam os girinos das rãs)

O silêncio voltou a ser a resposta.

- Não falas? – acrescentou decidida. - Vou-me embora e vou contar à minha avó. Ela vem cá e vai-te descobrir. (...)

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