Por vezes, uma árvore é muito mais do que "apenas" um elemento da natureza; por vezes, as vidas das pessoas são maiores do que elas próprias e merecem ser contadas. A passagem de António Poças por Moçambique (1957-1975) deu-lhe o fascínio pela árvore e o conhecimento da cultura local. Conhecer a esposa deu-lhe o conhecimento da história da família, em particular dos pais, que servem de base para este romance-ensaio.E assim se juntaram todos estes elementos para que aos 80 anos este pai de 8 filhos e avô de 12 netos, nos leve a todos de passeio pelo Tempo, pela História, pela paisagem de Moçambique. Deixemos, que à sombra deste embondeiro, o nosso guia nos explique a jornada.
António Poças, por voz própria e na primeira pessoa:
Conte-nos como e porquê começou a escrever, por paixão ou por necessidade?
As duas coisas, mas mais por paixão
Qual o papel que a escrita ocupa na sua vida?
Uma forma de exteriorizar o que me vai na alma e a tentativa de responder a questões essenciais sobre o sentido da vida, a relação do homem com o mundo que me rodeia, a origem e o destino do homem no contexto da criação e o humanismo como mola impulsionadora da minha participação na história.
Sempre sonhou publicar um livro?
Sim, mesmo sabendo quão difícil se torna “erguer” a voz no meio de tanta concorrência, em que os mais expeditos e oportunistas (nem sempre os de melhor qualidade) sobressaem e abafam os que não têm meios materiais para se fazerem “ouvir”.
Qual é a sensação que tem ao ver, agora, o seu livro nas mãos?
É como ser pai de um filho que se gera para a vida.
Tem algum projecto a ser desenvolvido, actualmente? Pensa publicar mais algum livro? Continua a sentir vontade de escrever?
Tenho vários: à volta de 2.000 poemas, ainda inéditos e apenas um pequeno livro publicado (“A Palavra que me Inventa”), crónicas, um ensaio sobre as virtudes e uma autobiografia sobre o diaconado permanente.
Fale-nos um pouco sobre o seu livro.
O Embondeiro Misterioso tem como elemento inspirador a história de uma família de Viseu que parte para Moçambique, para uma pequena localidade perto da Gorongosa (no centro do país), investindo aí as suas economias e retorna a Portugal após a independência sem nada. A narrativa aborda o misticismo africano, a aspiração à independência, a guerra colonial, a ação humanitária, cultural e religiosa (cristã) dessa família e a luta contra a discriminação.
Existe alguma parte do livro, em particular, que goste mais. Porquê?
Sim. O testemunho humano do casal António Rocha e Maria Arminda.
Indique as razões pelas quais aconselharia as pessoas a ler o seu livro? O que acha mais apelativo no seu livro?
Muito sinceramente, creio que o livro interessa a toda a gente que aprecia o encontro e a partilha entre culturas diferentes: leitores que sentem interesse pelo misticismo e pelas religiões, passando, obviamente, pelos diversos contextos interculturais. Mas, sobretudo, aconselho a leitura deste livro aos que nasceram, viveram ou passaram por Moçambique. É uma experiência que fica enraizada na memória!
Mais apelativo? modestamente, creio que é a história toda, pela narrativa centrada no misticismo africano, focalizado no culto dos antepassados e, depois, ah! - o papel que o Embondeiro desempenha como uma espécie de “totem”, “ícone”, “centro de culto/altar” da sacralidade africana e o “ganz andere” (ambiente místico/sobrenatural) que ali se sente e evoca.
Qual é o seu estilo de escrita ou que tipo de mensagem gosta de passar no que escreve?
Sou tendencialmente inclinado para textos com pendor humanista e cristão. Gosto de exprimir, por palavras e pelo testemunho de vida pessoal, o apelo ao civismo, à integração social, à defesa dos mais pobres e ao interculturalismo (diálogo e respeito pelas diferenças, sejam elas quais fores…). Nesse sentido, gosto de poesia, de conto, romance…
Qual o papel das redes sociais na vida e na divulgação da obra de um autor? E na sua?
Penso que as redes sociais podem ser excelentes veículos de divulgação, desde que respeitem a liberdade de cada um, sem ligações a interesses a montante (ideológicos, empresariais, económicos, políticos, religiosos…); quanto à divulgação da minha obra, podem contribuir para a focalização do multiculturalismo, e independência do pensamento crítico.
Gosta de ler? Que tipo de leitor é?
Gosto de ler, sempre que o tempo de que disponho me permite. Aprecio um bom romance, história, livros de meditação espiritual e de apologética cristã.
Livro à venda nas principais plataformas nacionais e internacionais.
Pode saber mais sobre o livro aqui.

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