Os desafios de Poesia têm, desde já, a recepção aberta com o prazo a terminar ao final do dia 20, sexta-feira. Estarão online no dia 21 de Março, data em que as votações abrirão (serão encerradas a 15 de Abril, 2026).
(14) Águas serenas*
Águas serenas, vai o rio a fluir
Entre as árvores nuas, há um sussurro de ar
Uma ponte liga sonhos distantes
Sob céus de nuvens brancas e errantes
Folhas novas brotam, verde esperança,
No horizonte, a natureza faz a sua dança
O silêncio do rio não reflete o mundo
Um convite ao devaneio profundo
Nessa paisagem, quase que a preto e branco se encontra
Um collage de alma, poesia sem outra
Ilda Pinto Almeida *(Tão serenas que o email com a participação se perdeu...)
(13) nas trincheiras da esperança
abraçados às marés,(14) Águas serenas*
Entre as árvores nuas, há um sussurro de ar
Uma ponte liga sonhos distantes
Sob céus de nuvens brancas e errantes
Folhas novas brotam, verde esperança,
No horizonte, a natureza faz a sua dança
O silêncio do rio não reflete o mundo
Um convite ao devaneio profundo
libertos nas areias dos mares,
estamos nas trincheiras da esperança,
olhar noturno de quem
quer lua, mas com a terra,
se não tivermos a terra,
para que queremos a lua.
vampiros avançam pelos campos
e o trigo não floresce,
nem o milho reluz,
porque as espigas são correntes de água,
que desaguam nos ribeiros.
a esperança dourada, são violas de arco-íris,
semeando a vontade,
forjando as harpas de canções de poesia.
(12) Adeus Salva Almas
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| José de Almeida, o Salva Almas (esquerda) |
Ouvir um músico de rua e bater-lhe palmas
Parar numa esplanada e beber até me saciar.
Ao invés vivo numa correria e cheio de perigos
Com um ruído de fundo que só me causa traumas
Deito-me sem ter tempo para visitar os meus amigos
Acordo e dizem-me que morreu o Salva Almas.
Cai-me uma lágrima porque dele não me despedi
E sentindo um aperto enorme no coração
Sinto-me triste e pesaroso pelo que não vivi
Tudo porque ainda não aprendi a dizer que não.
Aníbal Seraphim
(11) O cantar do Emigrante
Por sobre a seara a ondular;
E eu cá em terra distante,
Ao meu Alentejo quisera voltar.
Chora o meu coração, menina,
Da lonjura amargurado,
De não mais teus olhos ver, trigueirinha,
De te não ter a meu lado.
Que à tua mão busca o sustento,
Que o teu amor em terra estrangeira
Buscando o nosso cante no vento.
Abala, ó vento, pelas serranias,
Vê não te atardes no mar;
Leva-lhe em lindas melodias
As lágrimas do meu cantar.
Traz-me o cheiro das suas tranças
P’ra me eu lembrar cá por estas Franças
Das nossas ternas madrugadas.
Ó minha aldeia caiada,
Com todo o estio por diante,
Não queiras ser como a cidade,
Onde nem o melro sabe o cante.
Não se me canse a alma de viver;
Que a trigueirinha à minha espera
Ao Alentejo me vai prender.
Ana Ferreira da Silva
(10) é preciso dizer não
que matam dia a dia,
é preciso dizer não.
lançando bombas sobre o sol,
é preciso dizer não.
e os drones da mesquinhez do dinheiro,
é preciso dizer não.
dos senhores que fazem a guerra,
é preciso dizer não.
e da mentira fazem azes,
é preciso dizer não.
perante os domadores das ciências,
é preciso dizer não.
de quem não se vende,
nem se atraiçoa,
o vento sopra sempre, como queremos.
(9) poema no dia da poesia
mas se o fosse,
derramaria sobre os nossos braços
a sua propositura,
os lamaçais sucumbiriam,
aos raios,
dos relâmpagos presos por fitas,
(sim por fitas),
e deles sairiam estrelas,
perfumando o odor das pétalas,
ai, ai, primavera, quem te dera ser poema,
o inverno jamais veria a sua perturbação.
(8) TROVA de te buscar
Despontava a Primavera;
Anelando por teu amor,
Por longes caminhos viera.
Das ondas de oiro da seara,
Por assim ofertar a ti
Sangue que o coração chorara.
Livres, pelas fragas cantando;
Por mui rudes trilhos penei,
Sol e as estrelas me guiando.
Ficou-se-me a fímbria nas giestas
Do vestido, e nas alturas,
Sinos perdi pelas florestas.
A alma rende de tantas luas;
Resta agora o coração
Se me vierem feras cruas.
Ameias perdidas na bruma;
Sei que me esperas, pois sou
De ti amada, que outra nenhuma.
Deste anelo de te amar,
Cativos de suave encanto
No jardim de Aziza ao luar.
(7) A Despedida
- E por que partes, se tanto te quero?
Que responder, amigo, às aves do céu,
Tua voz recordo na canção das fontes,
Nossos caminhos por agrestes montes,
Nas pedras sangrentas de cada estrada.
Mas não há partida sem dor, amigo;
Pudesse, e de ti não me apartaria...
Em sonhos buscarei tua companhia...
Sonha tu comigo, como eu contigo!
(6) O Silêncio num Mundo que Não Se Cala
o silêncio tornou-se raro.
com distância,
com ausência.
Mas o silêncio
nunca foi falta.
Há silêncios que curam.
Silêncios que amparam
sem exigir explicações.
ao lado da dor
quando as palavras
já não sabem o caminho.
Vivemos cercados de ruído:
vozes, pressa,
respostas antes da escuta,
frases ditas
só para não deixar espaço.
é no silêncio
que o coração respira melhor.
É nele que a verdade
É nele que o olhar
reaprende a ver.
É nele que a palavra
Talvez o verdadeiro valor do silêncio
esteja precisamente aí:
no meio de tanto barulho,
(5) O SORRISO
O sorriso é sol de manhã
Clareia o coração.
É ponte leve e humana,
Nascida da emoção.
Cabe num gesto pequeno,
mas muda o dia inteiro.
É flor nascendo serena
no rosto de um companheiro.
Sorrir é dar sem cobrar,
é acender sem gastar luz —
um simples jeito de amar,
que o próprio amor conduz.
Maria Teresa Portal Oliveira
(4) as mulheres no caminho da paz 
quantas crianças, quantos homens, quantas mulheres,
figuram na lista dos mortos,
pela força das armas,
lançadas sem razão,
(mesmo que razão houvesse).
os ribeiros não sabem das margens,
e os rios não são de paz.
talvez os únicos que ainda lutam,
sem carabinas, nem aviões,
nem os drones vorazes,
(novo negócio mercantilista)
que trucidam quem os lê,
mas não conseguem destruir a luta das mulheres.
afeganistão, ou irão, ou israel, ou ucrânia,
ou mesmo estados unidos da américa,
com a sua veracidade de comando.
não conseguem tapar os brilhos nos olhos da mulher,
lutando por si, pelos outros, pela paz,
elas são o caminho da paz.
(3) e as mulheres igreja 
ajoelham-se, oram,cantam,
algumas embrulhadas em saco,
mas são força e luz da luz,
numa masmorra sem brilho.
estas mulheres são exploradas,
no seu ser,
e entendimento.
forçadas a não terem palavra,
são areia molhada pela água dos mares,
acolhem o coração, e ensinam a amar,
mas destruídas.
abençoadas, pelos gestos,
na comunhão dos dias,
são afastadas rudemente,
porque possuem verdade.
não querem ser líderes,
nem hierarcas,
mas servir, na comunidade,
por isso brilham como o Sol,
e são Lua noturna.
são o evangelho feito azeite,
e oliveiras com sal,
se lhes dessem a palavra,
seriam golfinhos,
a nadar de Palavra.
(2) às mulheres sem nome e rosto 
as carquejeiras,que montavam sobre o seu corpo,
o carvão, desde o rio douro,
às fontaínhas,
numa íngreme calçada, apalpadas,
no seu corpo feminino,
pelo Porto fora,
distribuindo aos senhores
da terra,
o aquecimento,
pela noitinha em segredo,
era o jantar, deitar os meninos,
ou as leiteiras,
ou as padeiras,
ou as peixeiras,
não sentiam o que era a noite,
de dia vendiam o leite, o pão e o peixe,
às senhoras clientes,
o poema não consegue contar,
o sacrifício das suas vidas,
onde as amendoeiras não davam flores,
os cravos não floriam,
os moinhos não moíam,
as uvas o vinho tinto.
mas sente o oito de março,
nas greves e nas mortes do quotidiano,
o sabor da pólvora que fere,
de morte das suas vidas.
(1) MULHER 
Chorei risos embrulhados em lágrimas,
lancei gemidos afogados no silêncio,
atirei ais às partes ignotas do vento.
Amarfanhei a alma no verde da paisagem
e esperei por um riso — miragem breve —,
um sorriso que surgisse de passagem
e ecoasse o meu amor
nos penedos e rochedos do teu mar.
Aspirei a mudez da tua boca,
que não soltou um sopro,
e emudeceu de vez o meu coração.
Ah! Alma da minha existência,
clarão na minha sombra,
ouvi dos teus passos a cadência —
mas recusaste dar-me sentido,
e deixaste-me na solidão.



Voto no nº 14 (Águas serenas) pela paz que transmite.
ResponderEliminarMuito obrigada. Veio com tanta tranquilidade que por pouco não nos chegava... Foi-lhe atribuído o número 1.
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