Os desafios de Poesia têm, desde já, a recepção aberta com o prazo a terminar ao final do dia 20, sexta-feira. Estarão online no dia 21 de Março, data em que as votações abrirão (serão encerradas a 15 de Abril, 2026).
O tema é livre, mas quem quisesse poderia assinalar o Dia da Mulher.
Os textos não têm premio especial, serão avaliados juntamente com os outros, mas, por graça, levam esta imagem e ficam, desde já, disponíveis.
Lembramos que do dia 21 de Março e até ao dia 15 de Abril teremos uma votação a decorrer para encontrar o poema favorito dos leitores.
Como habitualmente, as votações serão feitas usando a caixa de comentários (já sabem que tem moderação pelo que os comentários/votos não ficam visíveis de imediato), não há limite para o número de vezes que podem votar ou em quem votar, apenas se espera algum bom senso (e apesar de aceitarmos que no blogue as votações ficam anónimas, só validaremos os votos após recebermos por email a identificação do votante e forma de contacto, assim que lhe atribuirmos um número).
O autor do texto mais votado escolherá do nosso catálogo de Poesia exemplar do livro que mais lhe agradar; e o mesmo sucederá com o comentário/voto sorteado de entre os votantes identificados.
(4) as mulheres no caminho da paz 
quantas crianças, quantos homens, quantas mulheres,
figuram na lista dos mortos,
pela força das armas,
lançadas sem razão,
(mesmo que razão houvesse).
os ribeiros não sabem das margens,
e os rios não são de paz.
talvez os únicos que ainda lutam,
sem carabinas, nem aviões,
nem os drones vorazes,
(novo negócio mercantilista)
que trucidam quem os lê,
mas não conseguem destruir a luta das mulheres.
afeganistão, ou irão, ou israel, ou ucrânia,
ou mesmo estados unidos da américa,
com a sua veracidade de comando.
não conseguem tapar os brilhos nos olhos da mulher,
lutando por si, pelos outros, pela paz,
elas são o caminho da paz.
joaquim armindo
8/3/2026
(3) e as mulheres igreja 
ajoelham-se, oram,cantam,
algumas embrulhadas em saco,
mas são força e luz da luz,
numa masmorra sem brilho.
estas mulheres são exploradas,
no seu ser,
e entendimento.
forçadas a não terem palavra,
são areia molhada pela água dos mares,
acolhem o coração, e ensinam a amar,
mas destruídas.
abençoadas, pelos gestos,
na comunhão dos dias,
são afastadas rudemente,
porque possuem verdade.
não querem ser líderes,
nem hierarcas,
mas servir, na comunidade,
por isso brilham como o Sol,
e são Lua noturna.
são o evangelho feito azeite,
e oliveiras com sal,
se lhes dessem a palavra,
seriam golfinhos,
a nadar de Palavra.
joaquim armindo
8/3/2016
(2) às mulheres sem nome e rosto 
as carquejeiras,que montavam sobre o seu corpo,
o carvão, desde o rio douro,
às fontaínhas,
numa íngreme calçada, apalpadas,
no seu corpo feminino,
pelo Porto fora,
distribuindo aos senhores
da terra,
o aquecimento,
pela noitinha em segredo,
era o jantar, deitar os meninos,
filhos ou netos,
e na cama, nem sentiam,
o que lhes estava preparado.
o poema não consegue contar,
o sacrifício das suas vidas,
onde as amendoeiras não davam flores,
os cravos não floriam,
os moinhos não moíam,
as uvas o vinho tinto.
mas sente o oito de março,
nas greves e nas mortes do quotidiano,
o sabor da pólvora que fere,
de morte das suas vidas.
(1) MULHER
Chorei risos embrulhados em lágrimas,
lancei gemidos afogados no silêncio,
atirei ais às partes ignotas do vento.
Amarfanhei a alma no verde da paisagem
e esperei por um riso — miragem breve —,
um sorriso que surgisse de passagem
e ecoasse o meu amor
nos penedos e rochedos do teu mar.
Aspirei a mudez da tua boca,
que não soltou um sopro,
e emudeceu de vez o meu coração.
Ah! Alma da minha existência,
clarão na minha sombra,
ouvi dos teus passos a cadência —
mas recusaste dar-me sentido,
e deixaste-me na solidão.
ou as leiteiras,
ou as padeiras,
ou as peixeiras,
não sentiam o que era a noite,
de dia vendiam o leite, o pão e o peixe,
às senhoras clientes,
que também não sabiam o que era a noite,
mas tinham de levar as marmitas aos homens,
ao meio-dia, de cada dia.
o poema não consegue contar,
o sacrifício das suas vidas,
onde as amendoeiras não davam flores,
os cravos não floriam,
os moinhos não moíam,
as uvas o vinho tinto.
mas sente o oito de março,
nas greves e nas mortes do quotidiano,
o sabor da pólvora que fere,
de morte das suas vidas.
joaquim armindo
8 de março de 2026
(1) MULHER 
Chorei risos embrulhados em lágrimas,
lancei gemidos afogados no silêncio,
atirei ais às partes ignotas do vento.
Amarfanhei a alma no verde da paisagem
e esperei por um riso — miragem breve —,
um sorriso que surgisse de passagem
e ecoasse o meu amor
nos penedos e rochedos do teu mar.
Aspirei a mudez da tua boca,
que não soltou um sopro,
e emudeceu de vez o meu coração.
Ah! Alma da minha existência,
clarão na minha sombra,
ouvi dos teus passos a cadência —
mas recusaste dar-me sentido,
e deixaste-me na solidão.
Maria Teresa Portal Oliveira

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