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terça-feira, 31 de março de 2026

Ilda Pinto Almeida, autora de "Fé sem fronteiras...", em entrevista

 Já dispensa apresentações a Ilda Pinto Almeida, aparece por aqui a apresentar os seus novos trabalhos duas a três vezes ao ano. Só precisamos mesmo de saber, a cada entrevista, qual é o género literário e a que público (ou público) se destina o novo trabalho.
Mas desta vez temos um pormenor engraçado, vamos citar parte de uma entrevista anterior, em que já falava do projecto que originou este livro.

É a entrevista de 2024 onde a propósito da participação na colectânea: “Heróis e heroínas da Bíblia” dizia: «Tenho um trabalho feito e na gaveta desde dois mil vinte. Em dois mil e vinte um, estes contos, foram publicados em pequenos boletins que chegaram ao Brasil e a Moçambique e distribuídos por algumas crianças e adultos nos Estados Unidos gratuitamente. Agora tenho a vontade de ver estes textos publicados em livro. Quem sabe alguém leia esta entrevista e esteja disponível para uma parceria na área da ilustração, ou então quem queira patrocinar na aquisição de exemplares.»


Bom, é o momento de sabermos como é que as coisas se desenvolveram desde então. Mas quem melhor para explicar tudo do que a própria autora? Ilda Pinto Almeida, por voz própria e na primeira pessoa: 

  Qual é a sensação que tem ao ver, finalmente, este livro nas mãos? Valeu a pena a espera? Conseguiu uma ilustradora. E quanto a mecenas?

Sinto uma sensação de dever cumprido e agradecida pelo trabalho final. Como escreveu o nosso poeta Fernando Pessoa “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Neste caso valeu a pena: a espera, os contratempos, os nãos, as desconfianças e até as censuras que vou encontrando ao proceder ao knock knock das portas. Tive a graça de encontrar a ilustradora Julieta, que confesso, desde o momento em que com ela falei ter sentido que Deus estava neste negócio. Dou graças a Deus pela sua vida e pelo seu contributo e empenho em realizar com sucesso estas pequenas e simples ilustrações. Depois vieram os mecenas! Bati em várias portas onde pensava encontrar parceiros naturais, recebi elogios e promessas, mas intenções vazias. No entanto, em um momento de celebração, encontrei em pessoas comuns, durante uma conversa informal, o apoio genuíno que tanto esperei. A fé permanece viva. Feliz é aquele que se doa com alegria, sem hesitar, motivado pelo desejo de contribuir e fazer a diferença.

  Fale-nos um pouco sobre este livro, começando, talvez, pelo projecto inicial, ainda em boletins.

 Este livro nasceu de doze histórias, que foram escritas em um período de doze meses, em pequenos folhetos que iam sendo distribuídos por vários locais, chegando a ultrapassar fronteiras. Nestes pequenos boletins, crianças de vários lugares iam construindo ilustrações simples para cada texto que iria sair no mês seguinte. Foi um projeto de grande satisfação e cuidado para que fosse preenchido com os requisitos das verdadeiras histórias bíblicas. Os primeiros folhetos foram lançados em 2021 e chegaram a Europa, América do Sul e África. O projecto chamava-se "Um boletim por mês".

  Indique as razões pelas quais aconselharia as pessoas a ler estes seus contos? O que acha mais apelativo neles?

 Este é um livro que traz conhecimento e ensino sobre um passado vivido por grandes homens e mulheres de fé, em que as suas vivências podem inspirar não só crianças e adolescentes, como adultos também, nos dias que correm em que as pessoas deambulam sem esperança. Sei que fiz o que era certo e desejo que estes textos venham a motivar os leitores a procurar saber mais sobre as sagradas escrituras.

  Porque temos que indicar um público para cada livro, escolhemos o público infantojuvenil, contudo, suponho, não há um limite de idades para esta leitura?

Conforme tenho mencionado nas minhas redes sociais, este livro oferece conteúdo acessível a todos, evidenciado pelos inúmeros comentários de leitores que ao longo de seis anos de distribuição de folhetos, que expressaram gratidão por terem tido acesso a textos simples que lhes proporcionaram conhecimentos inéditos. A transmissão de sentimentos valiosos e informações pertinentes não conhece barreiras etárias.

  Não sei se já o referiu, mas estando o mundo num estado tão, incompreensivelmente, bélico, olhando para estes contos, nomeadamente para os segmentos bíblicos, para além da moralidade que já apresentou no livro, não lhe parece que, sem necessidade, temos a História a repetir-se? Que talvez falte a literatura, o conhecimento, para que não se continuem a repetir os mesmos erros? – Sabemos que a motivação dos “senhores da guerra” é interesseira, monetária, pelo poder; mas quem os segue, muitas vezes, motiva-se, apenas, na ignorância e no preconceito. -  Seja para enaltecer os heróis, seja para condenar os vilões, não lhe parece que a Bíblia, em particular o Antigo Testamento com tanto em comum para Cristãos, Judeus e Muçulmanos (e todas as religiões e credos derivados delas), deveria ser visto como cultura geral e não somente como cultura religiosa? Afinal continuamos a falar “David contra Golias”, da “justiça salomónica”, etc. no nosso dia-a-dia, mas já com o risco de as pessoas saberem quando aplicar as expressões, mas não necessariamente situarem os episódios e a respectiva fonte.

A literatura bíblica, quando abordada como cultura geral, ilumina dilemas éticos e psicológicos universais. O desafio é promover uma educação que contextualize esses textos, destacando sua riqueza simbólica e histórica, para lá de fundamentalismos ou simplismos. Eu acredito que a abordagem da Bíblia, como cultura geral, pode contribuir para uma maior empatia e compreensão mútua entre pessoas de diferentes credos e backgrounds. A Bíblia, e em particular o Antigo Testamento, é um texto fundador de culturas e civilizações, que ultrapassa a esfera puramente religiosa. As narrativas como David e Salomão percorrem o conceito de justiça, liderança, conflito e redenção. As repetições de ciclos violentos na história estão ligados à desconexão com os valores e amor ao próximo, acredito eu, ao mesmo tempo que o simples conhecimento que tenho sobre as escrituras me levam a entender esta minha posição. A bíblia oferece-nos um valor patrimonial e cultural sobre perspectivas e condição humana inigualável. A história sobre David contra Golias, representa o triunfo da fé e da confiança em Deus sobre a força física e o medo, onde os obstáculos impossíveis podem ser superados, destacando a coragem e a fé Naquele que tudo pode.
A pergunta que faz toca em pontos cruciais sobre a relação entre a literatura, a história e a compreensão cultural, especialmente num contexto global tão conturbado. Espero ter conseguido deixar o meu contributo com a devida nobreza e responsabilidade que tem a palavra de Deus.

  Este livro vem com uma novidade: link e QR code (aquela coisa que parece uma mancha cheia de pontinhos) para aceder a uma galeria de imagens (e voltamos à introdução desta entrevista). Fale-nos sobre o que se pode ver nessa galeria e sobre a possibilidade de ela se continuar a alargar.

 Este link QR, já faz parte desta sociedade, e como tal a necessidade de acompanhar este tempo, onde tudo ou quase tudo deve ser mostrado. Mas a galeria de imagens que apresento e um verdadeiro tesouro, especialmente para mim, e acredito que muitos dos leitores também irão refletir nestas imagens. Nestas imagens há ilustrações e comentários de crianças africanas, crianças do Sertão da Bahia, etc. Através destas ilustrações podemos verificar as necessidades destes adolescentes, a falta de materiais escolares, contudo, foi maior o desejo de participarem com o pouco material que possuem, com uma gratidão enorme pelo que tem.
Também tu podes deixar o teu parecer sobre aquilo que aprendeste com estes textos e com certeza irão ser colocados nesta galeria .

  Finalmente, a data oficial de lançamento deste livro é, muito apropriadamente, o dia de Páscoa. Nutre alguma esperança que no dia em que nos debruçamos sobre o ressuscitar, o voltar à vida, o renascer – e já em plena Primavera – que o livro possa ser veículo para esperança, compreensão e aceitação e assim, um leitor de cada vez, vá pavimentando um caminho para uma vida mais em paz?

Essa é a minha esperança. Não duvido do que Deus pode fazer. Jesus na sua morte e Ressurreição nos chama para ser o sal da terra e a luz do mundo. Para se ser missionário não é preciso sair fisicamente da nossa rua. Os livros são viajantes que conhecem povos e deixam sementes. Viajam por lugares impensáveis transportando pensamentos, verdades que abraçam corações. Quero expressar a minha profunda gratidão a todos que possibilitaram a realização deste projeto. Um projeto que nasceu com muita dedicação e da solidariedade de quatro pessoas que desejaram semear literatura para as novas gerações nas escolas, bibliotecas e instituições dispostas a receber obras inspiradas na amizade, na gratidão e na busca por uma melhor aprendizagem de valores, que por si conduzem ao sucesso de um futuro mais sensível. Neste Dia de Páscoa, celebração, onde o amor é o caminho para a humanidade, que a serenidade destes textos inspire a arte da amizade e renove a nossa conexão com Deus. Como dizia Charles Spurgeon: “Só os tolos acreditam que a política e a religião não se discutem. Por isso os ladrões permanecem no poder e os falsos profetas continuam a pregar".


A autora encontra-se correntemente em Portugal, precisamente a apresentar e a oferecer (gratuitamente) o livro por escolas e bibliotecas.
Pode ir acompanhando o percurso dela nas redes sociais:

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Livro disponível na loja online da Tecto de Nuvens e nas principais plataformas nacionais e internacionais.

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