Conte-nos como e porquê começou a escrever,
por paixão ou por necessidade?
Comecei a escrever por paixão, embora no contexto de uma alteração na minha vida profissional. Surgiu-me a ideia de voltar a escrever por um mero acaso e imediatamente ocorreu-me uma história infantil que desenvolvi até dar origem a “O Menino Cor de Aleixo”. Gostei tanto que não parei mais de escrever.
Qual o papel que a escrita ocupa na sua
vida?
Neste momento, tem um papel fundamental. Tento escrever todos os dias, preciso de escrever todos os dias. É de onde retiro o prazer que me vai alimentando a alma e que me tem ajudado a ultrapassar momentos menos positivos da minha vida. É a rotina que me satisfaz e me completa.
Sempre sonhou publicar um livro?
Não propriamente.
Enquanto fotógrafo (atividade que desempenhei toda a minha vida profissional),
sempre desejei publicar algo, como uma compilação dos meus melhores trabalhos
ou sobre temas específicos que às vezes me ocorriam, mas tal nunca sucedeu. Em termos
de romance ou conto, confesso que foi algo em que nunca pensei seriamente.
Agora, não me sai da cabeça.
Qual é a sensação que tem ao ver, agora, o
seu livro nas mãos?
É uma sensação ótima
pois tenho um carinho muito grande pelo “Aleixo”, por ter sido o meu primeiro
conto e porque acho sinceramente que é uma história que precisava de ser
partilhada. Penso que contém alguns valores esquecidos que convêm ser
recordados até à exaustão. O mundo atual bem precisa de volta a acreditar em
certos conceitos.
Tem algum projecto a ser desenvolvido,
actualmente? Pensa publicar mais algum livro? Continua a sentir vontade de
escrever?
Sim, como disse
anteriormente, não consigo parar de escrever. Tenho várias outros contos
infantis prontos e dois romances. Isto em muito pouco tempo. Gostava muito de
continuar a publicar livros, luto diariamente para que isso aconteça e é o meu
grande objetivo do momento. Mas, infelizmente, nenhum está ainda na calha. A
vontade de publicar e de estabelecer uma carreira na literatura não parece ser
tarefa fácil na atualidade.
Fale-nos um pouco sobre o seu livro.
É um livro sobre um menino que é infeliz por não ter amigos e que luta pelo seu lugar. Como acontece com tantos, é vítima de bullying e tenta adaptar-se para ser aceite. Só que, quanto mais tenta, parece ficar ainda pior. Acaba por ter de pedir ajuda externa (personificada na fada madrinha) pensando que só um milagre o poderá ajudar.
Como quer ser diferente deseja mudar para uma cor que o destaque perante os outros, uma cor que ainda não exista. Só que as coisas se tornaram mais difíceis do que ele imaginara.Ao longo da história vai aprendendo que a força para a mudança terá de advir do seu interior e que a sua aceitação pelos demais dependerá de ele se sentir bem consigo próprio. Julgo que é uma mensagem bonita e importante numa época de desafios tão grandes à personalidade das crianças. Tento incutir alguns princípios de bondade e amizade que nunca são demais recordar.
Existe alguma parte do livro, em
particular, que goste mais. Porquê?
O final, julgo que tem alguma grandiosidade poética. Se consegui passar devidamente as emoções, acredito que mexerá com os leitores. Mas deixo a cargo deles a comprovação desse facto.
Indique as razões pelas quais aconselharia
as pessoas a ler o seu livro? O que acha mais apelativo no seu livro?
É uma história séria,
mas contada com humor e ligeireza. Foca-se em assunto importantes, e até
dramáticos, sem nunca se tornar demasiado triste pois é sempre acompanhada pela
luz da esperança. Tem uma linguagem acessível, mas não infantilizada, que acho adequada
para serem os próprios leitores, qualquer que seja a idade, a encontrarem as
respostas para os assuntos que levanta nas suas próprias mentes.
Qual é o seu estilo de escrita ou que tipo
de mensagem gosta de passar no que escreve?
É tudo muito variado.
Gosto de me desafiar a escrever sobre todos os temas e nas formas mais
variadas: quer seja para crianças ou para adultos. Foco assuntos sérios, outros
simples, porém sempre com muita intensidade. Escrevo com uma boa dose de humor
misturada com uma forte carga sentimental, transmitindo muita ‘alma’. A existir
um fio condutor entre a diversidade de temas que escrevo, talvez seja o de um
alerta para os vários perigos do presente – que já estava presente no “Aleixo”.
Não sou um crítico da sociedade atual, simplesmente gosto de expor os seus
perigos, tentando, de alguma forma, apresentar possíveis soluções. Se é que
isso é possível.
Qual o papel das redes sociais na vida e na
divulgação da obra de um autor? E na sua?
Acredito que seja fundamental para os grandes autores. Já tive o privilégio de falar com alguns e todos eles admitem que não é fácil propor um conceito a uma editora sem demonstrar forte presença nas redes sociais. Mas na pequenez do meu mundo, uso-as de forma modesta. Comecei há muito pouco e estão ainda numa fase inicial de divulgação. Terão que evoluir, tal qual a minha escrita e a minha obra.
Gosta de ler? Que tipo de leitor é que é?
Não tenho hábitos de leitura muito enraizados. Tento fazê-lo sempre que posso, mas depende muito das fases e da disponibilidade mental. Há alturas em que leio um livro em poucos dias, outras demora semanas. E nem sempre a ‘culpa’ é do autor.
Obviamente que desde que comecei a escrever com maior frequência tento ler o mais possível. É fundamental sentir a liberdade e a criatividade dos outros para desbloquearmos a nossa.


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