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quinta-feira, 26 de outubro de 2023
Vaidosicezinhas XVI
quarta-feira, 25 de outubro de 2023
Melissa de Aveiro, autora de "Um Novo Ano" e "A Casa do Lado" em entrevista
Deliciadas as crianças a tentar descobrir, na companhia da Inês, quem é o monstro das meias; agora é a vez dos mais velhos terem a sua atenção.
Algures entre festas de Halloween e festas de Natal, com um olhar de relance aos "Morangos com Açúcar", Marta precisa de descobrir como se retoma a vida depois de um grande desgosto.
E a Melissa, tal como a Marta, volta em dose dupla, agora com "Um Novo Ano" e em 2024 com uma nova edição de "A Casa do Lado", contudo os nossos leitores podem, em exclusividade ler, ou reler, "A Casa do Lado" ainda antes deste Natal... - É estar atento às nossas informações.
Apesar de mais do que ocupada com a sua tour literária promovendo as suas publicações deste ano, e também a ilustrar um monte de livros (e muito em breve falará aqui sobre essas ilustrações), Melissa de Aveiro, 33 anos, tirou um tempinho para nos falar dos seus livros, de viva voz e na primeira pessoa...
*Personagem principal dos livros "Um Novo Ano" e "A Casa do Lado".
Conte-nos como e porquê resolveu escrever
este livro, que é, sem o ser bem, uma espécie de continuação de um outro. Apaixonou-se
pelas personagens e quis continuar a escrever sobre elas, ou sentiu necessidade
de continuar com a vida da Marta (personagem principal dos dois livros)?
Foi mais pela personagem da
Marta. Realmente criei uma “ligação” com ela e decidi que merecia um pouco mais
de destaque, o que proporcionou a escrita de um segundo livro.
E o modo como a escrita se processa mudou
de um livro para o outro? Sente que evoluiu? Acha que os leitores vão notar
essa diferença (se a houver, é claro)?
Sim. Senti que a escrita foi mais cuidada e com mais
atenção aos pormenores.
Qual é a sensação que tem ao ver, agora, o
seu livro nas mãos? E em relação à nova edição do livro “A Casa do Lado”,
consegue voltar a sentir aquela emoção inicial?
Gostei bastante do resultado
final. Estava com receio da capa mas a capa ilustrada ficou fantástica e todos
os pormenores trabalhados do interior do livro.
Fale-nos um pouco sobre estes seus dois
livros. E não só os escreveu, como também
ilustrou as capas, até que ponto isso a faz sentir mais próxima da personagem
principal?
Editar “Um Novo Ano” e reeditar “A
Casa do Lado” deu trabalho. Ponderar bem na construção das capas para que se
conjugassem, voltar a reler o texto por forma a melhorá-lo… deu trabalho mas
valeu a pena pois as personagens e a história mereceram todo o apreço dedicado.
Existe alguma parte do livro, ou dos livros,
em particular, que goste mais. Porquê?
Os momentos de Marta passados com
a sua amiga Nancy porque me remetem à minha adolescência, com as minhas amigas
mais próximas.
Indique as razões pelas quais aconselharia
as pessoas a ler o seu livro? O que acha mais apelativo no seu livro? E não
sendo de leitura obrigatória os dois livros, até que ponto acha que a experiência
do leitor fica valorizada por ler ambos os volumes?
A Casa do Lado e Um Novo Ano
abordam um pouco de tudo o que acontece na vida de um adolescente: por um lado
temos um seio familiar com os seus dramas e percalços… A problemática da adaptação
a lugares novos e a novas amizades, um pouco de mistério, arte e cinema e até
algumas curiosidades. Podem ser lidos em separado, mas, um e outro
complementam-se.
Estes dois livros, sem querer revelar
demasiado, abordam questões muito sérias em qualquer idade, mas em particular na
adolescência/início da vida adulta. Falam da morte, do luto e do retomar da
vida. – Sem lhe querer influenciar a resposta, penso que as pessoas olham para
o luto dos mais jovens com alguma leveza. -
Fale-nos um pouco sobre isto e sobre qual a mensagem que quis passar.
Apesar
de nos apercebermos de, e lamentarmos, as mortes de adolescentes, jovens e
jovens adultos, quando pensamos em luto (que não seja o da orfandade) e em
viuvez não pensamos em adolescentes, em jovens, em jovens adultos, que perdem
irmãos, colegas, amigos, namorados, noivos, cônjuges… Há a tendência em pensar
como é que o adulto de meia-idade em diante vai lidar com a dor, com a perda,
com o destruir dos sonhos, com a culpa da sobrevivência… Mas dos mais novos,
quando há algum pensamento é mais na linha do “é jovem, aguenta, tem a vida
pela frente…” - Aliás, frequentemente caímos no erro de achar que alguém é
demasiado novo para isto ou para aquilo, ainda tem muito tempo para fazer isso.
Como se o soubéssemos ou como se houvesse uma garantia de que vamos todos
morrer de velhice, por ser isso que se espera…
Estes
dois livros não se destinam apenas a jovens e jovens adultos, que se poderão
identificar melhor com o meio ambiente, com a linguagem, mas a todos aqueles
que deveriam querer ter presente o modo como os mais novos também têm de
enfrentar as dificuldades e as dores da vida. Com sorte, para além de um tempo
bem passado a ler duas histórias cheias de interesse, ficam os conhecimentos, a
esperança e dicas para lidar com o menos bom que é também parte integral da
vida. Porque é a vida que é figura central nestes dois romances.
A
mensagem é que a vida não é fácil. Que não existe idade para se viver o luto… e
que por mais que se queira parar, a vida continua, mesmo que não se esteja
preparado para avançar…
Sem entrar em experiências pessoais, mas de
alguma forma a sua experiência profissional, enquanto enfermeira, deu-lhe algum
tipo de referência no observar destas fases complicadas na vida dos mais novos?
Entrei para o curso de
enfermagem com 19 anos. Com essa idade descobri um outro lado da vida, lidar frequentemente
com a morte jovem, que desconhecia… como perder utentes com 26 anos, com cancro
no pâncreas, por exemplo. Se calhar era nova demais para lidar com isso? Há
coisas que nem os cursos e nem a escola nos ensina, mas que acontecem, mesmo
que as ignoremos no dia a dia. Quem saberá… Depois, ao fim de um certo tempo,
deixamos de pensar nisso.
Não resisto a perguntar: já acabamos de
ouvir falar da Marta? Já não regressa mais? E os amigos?
Isso… só o futuro dirá…
Não tinha planeado escrever um 2º livro com a personagem Marta, mas aconteceu…
quem sabe!
Tem um novo blogue que completa, e muito, a
experiência de ler os seus livros. Fale-nos sobre ele e o que se pode encontrar
por lá?
Acaba, até para mim, por
ser uma novidade. Ainda estou a perceber como funciona, mas a ideia é partilhar
o que achar mais relevante. Criar tópicos que possam ser comentados pelos leitores,
aprofundar curiosidades dos livros e criar passatempos.
Para quem quiser
espreitar, fica o link https://melissadeaveiro.blogspot.com/
a partir dele, também podem encontrar os restantes links para as redes sociais
e ficar a par de concursos ou outras atividades que possa divulgar.
Um Novo Ano; Melissa de Aveiro
PVP: 15€
200 páginas, capa mole; Tecto de Nuvens, 2023
Marta, a protagonista do livro “A Casa do Lado”, está de volta.
Agora na universidade e com novos desafios!
O que será que o futuro tem reservado para si? Será errado apaixonar-se de novo?
Porque por mais difícil que seja seguir com a vida, a vida é inesperada e não espera por ninguém…
A Casa do Lado - nova edição -; Melissa de Aveiro
PVP: 14€
210 páginas, capa mole; Tecto de Nuvens, 2024
Após um acontecimento familiar, Marta, de dezasseis anos, é obrigada a abandonar as suas “raízes”.
Ao mudar de residência e, consequentemente de escola, sente necessidade de criar novas amizades, enfrentando divergências que a colocarão à prova.
Mas isso é o menos… à medida que os dias vão passando, depara-se com algo sinistro, na casa do lado.
Uma luz que pisca sem parar! E aquele rapaz alvo, que está sempre a desaparecer… Será que estará a alucinar?
Pode ler a entrevista anterior de Melissa de Aveiro aqui.
sexta-feira, 13 de outubro de 2023
Ana Ferreira da Silva, autora de "A Florzinha Vaidosa", em entrevista
Na verdade, é bem espevitada, mas também é muito vaidosa...
Vamos deixar que seja a autora a explicar o motivo pelo qual devemos levar esta florzinha para enfeitar as nossas vidas.
Aqui fica, Ana Ferreira da Silva na primeira pessoa...
- Conte-nos como e porquê
começou a escrever, por paixão ou por necessidade?
Comecei a escrever pequenos contos e poemas no
início da adolescência, digamos que movida por um impulso interior, uma
necessidade de registar no papel ideias e sentimentos, nem sempre para os
divulgar.
- Qual o papel que a escrita
ocupa na sua vida?
A escrita é
para mim como uma segunda natureza, uma segunda pele a pulsar constantemente
sob a carapaça da rotina. Sou muito observadora, e muitas vezes o tema de um
conto, de um poema, ou mesmo de um romance, surge-me a partir de um pequeno
detalhe do dia-a-dia, um fragmento de conversa... Faço muitas associações de
ideias!
- Sempre sonhou publicar um
livro?
Não; durante
muitos anos escrevi exclusivamente para mim. A ideia de começar a publicar,
surgiu por insistência de um grupo de amigas que leram um dos meus romances, a
“Trova de Caio e Benilde”.
- Qual é a sensação que tem
ao ver, agora, o seu livro nas mãos?
Cada livro é
como um filho; todos são diferentes, e a todos temos muito amor. Este livro, em
particular, é o “meu bebé”, fofinho e ternurento.
- Tem algum projecto a ser
desenvolvido, actualmente? Pensa publicar mais algum livro? Continua a
sentir vontade de escrever?
Penso que só
deixarei de escrever quando me morrer a imaginação, ou quando sentir que já
terei dito tudo o que tinha a dizer, o que, para mim, é uma perspectiva muito
redutora; temos sempre qualquer coisa a transmitir aos outros.
Neste momento
estou a trabalhar num romance histórico tendo como pano de fundo o Brasil
colonial; não é um projecto fácil, portanto, de vez em quando faço uma pausa
para desanuviar e escrevo um conto...
- Fale-nos um pouco sobre o
seu livro.
“A Florzinha
Vaidosa” surgiu como um desafio. Como jovem mãe costumava contar histórias aos
meus filhos e participar em actividades lúdicas no infantário, mas nunca tinha
escrito um livro para a faixa etária pré-escolar – primeiras classes. Em
contrapartida, as “palavras difíceis” terão a vantagem de pôr os pais a ler e
“traduzir” para os filhos, criando momentos de saudável convívio e partilha,
actualmente “ameaçados” pelas tecnologias que tendem a isolar cada um na sua
concha.
No seu
conjunto, é um conto simples, com personagens – flores e animais - com
sentimentos e atitudes facilmente identificáveis pelas crianças, que termina
com uma mensagem bonita de solidariedade e reconciliação.
- Existe alguma parte do
livro, em particular, que goste mais. Porquê?
Precisamente,
o final – apesar da sensação de liberdade ao seguir o voo da sementinha nas
asas do vento, logo no princípio do conto.
- Indique as razões pelas
quais aconselharia as pessoas a ler o seu livro? O que acha mais apelativo
no seu livro?
Eu
aconselharia a leitura (acompanhada) do livro até aos 6 – 7 anos, idade em que
eventualmente começam a esboçar-se os conflitos entre irmãos, conflitos esses
que fazem parte do crescimento e do amadurecimento da personalidade. Uma
abordagem honesta e frontal dos problemas, com conselhos sensatos, pode ajudar
a restabelecer a harmonia – mas por vezes é necessária uma tempestade para
redimensionar a importância das coisas. É essa a mensagem do livro.
Para além da
história em si, acho francamente apelativo o trabalho de ilustração da Melissa de
Aveiro, que recupera as linhas simples e suaves e as expressões muito
intuitivas das personagens, e também o colorido muito equilibrado dos livrinhos
da minha infância. Outro ponto muito positivo é o tamanho “livro de bolso”, que
permite ao pequeno leitor (ou à mãe, ou ao pai...) levar a “florzinha” para
todo o lado, para ler no parque, “ver os bonecos” no infantário, ou mesmo para
guardar debaixo da almofada, à noite (Muito bom trabalho, Tecto de Nuvens!)
- Qual é o seu estilo de
escrita ou que tipo de mensagem gosta de passar no que escreve?
Não tenho um
estilo rígido, na medida em que não se pode narrar um romance medieval da mesma
maneira que se escreve um diário de bordo de 1626 ou se põe um mulo e um cão a
dissertar sobre as agruras das trincheiras do Corpo Expedicionário.
Relativamente aos contos, a minha escrita é mais uniforme, e tendencialmente
coloquial; claro que no caso da “florzinha” precisei de me ajustar bastante
mais, tratando-se de escrever para crianças... A poesia é um caso à parte, mas
de um modo geral, tendo a seguir esquemas clássicos de rima e métrica.
Mas em tudo o
que escrevo, tento deixar uma mensagem de amor, de esperança ou de revolta –
algo que deixe o leitor preso à obra depois de fechar o livro.
- Qual o papel das redes
sociais na vida e na divulgação da obra de um autor? E na sua?
Actualmente, e
de um modo mais marcado a partir da pandemia, a utilização das redes sociais
pode contribuir imenso para a divulgação da obra de um autor, principalmente se
não se trata de um nome sonante no meio literário; por outro lado, o uso (e
abuso) das redes sociais pode levar ao enviesamento do trabalho, se o autor se
tornar sensível (e a seu tempo escravo...) às opiniões pro e contra por elas
veiculadas, por vezes de forma leviana e superficial.
Pessoalmente,
pelos motivos expostos e porque o meu trabalho “principal” não me deixa muito
tempo livre, não utilizo redes sociais.
- Gosta de ler? Que tipo de
leitor é que é?
Gosto muito de
ler, e leio de quase tudo – clássicos do Romantismo, autores quase actuais e
actuais, História e Geografia (na preparação de algumas obras). Não sendo
leitora compulsiva, gosto de ler nos transportes, a caminho do trabalho, para
mergulhar noutra dimensão enquanto os meus (desconhecidos) companheiros de
viagem se focam nos telemóveis.
64páginas, capa mole; Tecto de Nuvens, 2023
Um dia nasceu uma flor muito dourada, tão dourada que de dia parecia um sol pequenino, e de noite brilhava como uma estrelinha. (…) era a flor mais bonita do arbustinho, com as suas grandes pétalas luminosas raiadas de todas as cores.
Número 8 “Colecção Petizes Felizes!”
quarta-feira, 4 de outubro de 2023
4 de Outubro - Dia Mundial do Animal
Para celebrar a efeméride, durante o mês de Outubro de 2023 o livro terá portes grátis para Portugal Continental.
Pode fazer a sua encomenda enviando email para loja@tecto-de-nuvens.pt
sábado, 23 de setembro de 2023
"Caem as folhas..." - Desafio do Outono - VENCEDORES
(7) CAEM AS FOLHAS... UMA CANÇÃO DE OUTONO
(6) CAEM AS FOLHAS DAS CARTAS DE AMOR
Conheço-te
desde do tempo das estações. Como esquecer. Aprende-se na escola primária a
escrever a sua designação com a letra inicial em maiúsculo. Primavera, Verão, Outono
e Inverno. Ou talvez Outono, Inverno, Primavera e Verão já que o mês de outubro
é o nosso mês, o mês em que ambos choramos pela primeira vez. Pode também
dizer-se Verão, Outono, Inverno e Primavera porque a escola primária começa em
setembro. Conheço-te no dia em que vou consoar a tua casa e digo, Inverno,
Primavera, Verão e Outono. Pouco importa a ordem, há muito as estações acabam e
o tempo hoje é fenómeno atmosférico.
É no
Verão que iniciamos a escola primária, tu num edifício, eu noutro. É assim
naquele tempo. Eu uso um vestido de chita pelos calcanhares, tu usas umas
grossas calças de cotim. Recordo-me primaveril a olhar para um rapaz envergonhado,
invernoso. Caminhas só, triste, tinham-te batido. Eu ofereço-me para te
acompanhar a tua casa, tu recusas. És um homem só. Outras vezes nos encontramos
nesse regresso da escola, regresso do nosso nós que alguém espreita. Engraçado,
lembro-me de te encontrar ao regressar da escola sem conseguir recordar-me se
alguma vez te encontro na ida para a escola.
Sim, és
um homem só e só continuas enquanto os cabelos te abandonam. Sorris quanto te
chamo careca e eu gosto desse teu sorriso marcado por uma tristeza que jamais
te larga. Tudo é definitivo em ti embora eu recuse. Um dia hei de ouvir, oh se
hei de, a sair da tua boca uma valente gargalhada. Gargalhar é saúde. Sabes, às
vezes penso que pensas coisas más de mim.
Sou
tua, só tua, sempre tua. Inteira. A minha certeza é a tua existência, o meu
prume a tua presença, a minha alegria o saber-te vivo, a minha luta a tua
juvenilidade, o meu jeito o te amar. Ao fim de trinta e dois anos de casados,
quando te ausentas por dez dias, ando tresmalhada, caminho a ziguezaguear e nem
o telefone atendo, tropeço em qualquer cisco e, sorte a minha, ninguém se
lembra de abrir um poço no caminho que calco. Refugiu-me a olhar campos e
árvores como se por ali ande um vento que te traga para junto de mim. O vento traz
nada, só vento a ventar. Pelo menos dá-me o ar que a custo respiro.
Queimo
o passado em cada instante que passa e a cinza é esse teu olhar que me abraça,
que por vezes foge num desmerecimento que me perplexa e me atira para ti em
entrega única e permanente. Sou em ti presente e futuro. Se recordo o instante
em que te conheço, se lembro o tempo da escola primária, é porque o nós que ali
se forma e é volume é hoje pleno, aflora à minha mente, acalenta o meu coração
e arremessa-me para o teu colo.
Sem
angústia que as lágrimas que a vida chora limpam-se com um sorriso e muita
abnegação. Queres, queres! Se largas morro e sou a tristeza se me eutanásias. Quando
adormeces vales bem a bofetada que te dou. Como pessoa bem-educada que és,
respondes e eu sinto a tua vontade em me poupares. Prefiro que me puxes mas
estou consciente da resistência que ofereço. Puxas-me e eu, em silêncio aceito
mas, nesta idade o meu espírito de aventura é um pouco trôpego e orienta-se
pelo amparo que devo a outros. Por vezes empurras-me e nisso somos parecidos.
Nem eu nem tu temos jeito para caminhar à frente do rebanho. Ambos preferimos
pilotar, caminhando atrás.
Esta
carta é tua, escrita por mim na primeira pessoa do singular a plasmar o
instante que espargirmos. Olha, vê; tu, eu, a vida. Vês!? Gosto que vejas a
vida como eu a vejo. Tu, eu, o instante nós, nada mais, mais nada. É assim que
eu sinto vida e a vejo, é assim que eu sou viva. Além? Sim, além és tu, sou eu,
é o instante nós.
Manuel
José
(5) Caem as folhas no outono
Caem as folhas no outono
e minhas memórias seleciono!
Nas folhas verdes revejo
meu ansioso e infantil ânimo
que contrasta com o terrível desânimo
das folhas em tom de castanho!
Vejo nas folhas de tom amarelo
os meus tempos de tonto atropelo!
Mas são as folhas pintadas de vermelho
que melhor traduzem meu viver inteiro!
O outono é uma estação
que tal como a Vida
tem uma certa duração,
diversas cores e muita reflexão!
Caem as folhas no Outono
e nunca meus sonhos abandono!
(4) Caem as folhas... Anoitecer
(3) Dança Outonal
(2) Caem as folhas… Cocuana
Irmão e irmã protegiam-se.Ele desejado, ela sobrevivente.
Se de idades mais próximas
Gémeos seriam, tal eram semelhantes ao olhar.
Embora ele claro de olhos verdes,
Ela mais mulata de olhos amêndoa.
Um dia abalaram até às palhotas
Lá no mato.
Uma cocuana chamou-os,
Observando-os.
Convidou-os para partilhar a refeição.
Peixe frito, molho e
Bolas de farinha de mandioca.
Lambuzaram.
Cocuana, adivinhou-os.
Rapaz triste, mas um Coelho.
Rapariga só, mas com muitos nela.
Iria sofrer, teria algumas alegrias.
O seu tempo não era este.
Passaria para outro ao meio século.
Deixaria mais um vazio nele.
Ela era a Wananga do avô.
Ele o menino da avó.
Seria muitas coisas.
Cumpriria seu propósito
Mas um dia teria de se aceitar – tinha dons.
Cocuana não errou.
O menino,
Agora homem.
Ficou mais vazio.
Vestido de branco,
Triste com irmão africano,
Que faltou a despedida fúnebre.
(1) Caem as folhas… Outono junto à Janela do Quarto
Uma goteira anuncia fins de Verão.Uma duas três
De madrugada, à terceira, corro a entreabrir a janela.
O primeiro cheiro a terra molhada invade o espaço.
Tia Teresa dizia, lá na minha infância, são os deuses a chorar …
- Estão é a fazer xixi, brincava o tio João.
Adoro quando ela vem,
De mansinho,
Uma duas três …e depois
Em crescendo, sussurrando, gritando,
Rindo, chorando, contra os vidros, e
Depois novamente suave, acalmando adormecendo.
Choram os olhos do menino verde da Amazónia
No papel guache de madeiras sentidas
Florestas verdes e castanhas.
E a chuva do duche no corpo dela,
Imagino como será lavar-lhe o cabelo em espuma
E beber a última gota a escorrer junto ao colo …
Cheiro de humidade em terra vermelha a caminho da Rodésia
E a Matope no rio Chiveve
Ou de areia molhada junto às águas azuis do Bilene
Mergulhos sob chuva no Pacífico.
Chuva de lágrimas, nos olhos,
Verde cobalto, da Mulher na explanada
Doces serenas em cadência.
E o riso,
O riso da minha filha
Brincando com o Outono nas folhas caídas em enxurrada
No reflexo do brilho dos olhos d’avó encantados.
Chuva que lava a alma
Dos amores de verão
Retempera o verdadeiro sentido
Anuncia a vaidade dos fatos completos de Inverno.
A tempestade nos olhos do meu filho …
- Tens medo Pai?
(Tenho, tenho da Mulher Séria, um medo que me pele)
-Não filho. Dá-me a mão e vamos lá …
Chuva que adivinha a saudade do futuro.
Junto à lareira, com o fogo
Aquecendo o soalho de madeira, nos corpos nus deitados
Conversando palavras soltas.
O pardal no beiral do telhado encharcado
As gaivotas recolhidas no lago
A impala bebendo no sopé da Gorongosa
E a leoa rondando …
E a Terra …porquê A terra? Se O planeta terra?!
Então porque não A Marte? Ou A Júpiter!?
Porque não O Terra ou simplesmente Terra como Vénus?
Talvez por ser o único que gere… como O feminino,
Como A Mulher que chora, por si, pelos filhos e pelo Homem dela.
Chuva Dourada no Lago Malawi
De Prata na Lagoa da Vela.
Fugaz viajando buscando
Sempre atrás dela,
Abrigando-se, percorrendo o corredor
Do hotel, número do quarto em memória,
Um dois três
Ao terceiro abrirá a porta (?)
Hora mágica do virar do dia
O coração a transbordar dele,
Como chuva, regará o sorriso dela.
quinta-feira, 21 de setembro de 2023
Novo livro de Melissa de Aveiro em pré-venda - CAMPANHA DUPLA -
A Marta está de regresso!
Concluído o liceu é tempo de iniciar o percurso universitário,
longe de casa, partilhando o quarto com alguém que não conhece, todo um novo
mundo para descobrir. E em casa também as coisas estão prestes a mudar pois vai
deixar de ser filha única. Não tem aspecto de vir a ser fácil este "Um
Novo Ano".
![]() |
| Veja o vídeo |
Regressa a Marta, do livro "A Casa do Lado", a sua família e alguns dos seus amigos, mas falta alguém e é difícil ultrapassar essa perda... Mas a vida continua, não espera mesmo por ninguém...
E você também não tem de esperar por 1 de Outubro para ter este
livro por apenas 12€ com oferta dos portes para Portugal Continental,
desde que encomende e pague a sua encomenda até ao final do dia 30/09/2023.
Um Novo Ano;
Melissa de Aveiro
PVP: 15€
Marta, a protagonista do livro “A Casa do Lado”, está de volta.
Agora na universidade e com novos desafios!
O que será que o futuro tem reservado para si? Será errado apaixonar-se de novo?
Porque por mais difícil que seja seguir com a vida, a vida é inesperada e não espera por ninguém…
E MAIS...
Porque pode estar a pensar: mas quem é a Marta? O que é que se
passou em "A Casa do Lado"? Temos uma oferta super, super especial
para si, pode já reservar a nova edição do livro "A Casa do Lado",
que vai para o mercado em 2024, pelo preço
especial de 10€ + Portes (o
livro vai ter PVP de 14€), se fizer reserva e pagamento até 10 de Novembro
de 2023, recebe o livro ainda em 2023.
Até 30 de Novembro de 2023 temos uma mega promoção
de fazer inveja ao Pai Natal:
Por apenas 20€ + portes pode ter ambos os livros para os ler de ponta a ponta e saber a história toda da Marta, e se já conhece a primeira parte pode sempre fazer oferta de packs aos seus amigos. Pode encomendar e mandar entregar em mais do que um endereço.
Não desperdice esta oportunidade de por um preço super especial
regressar às leituras com duas fantásticas histórias de Melissa de Aveiro, que
também ilustrou as capas.
Para mais informações ou para encomendas envie email para loja@tecto-de-nuvens.pt
domingo, 10 de setembro de 2023
Regressam os Desafios: " Caem as folhas" (Outono) - 2023
O Nascer do Sol, Vários autores. 136 páginas, capa mole; Tecto de Nuvens, 2019











