(12) Primavera
A natureza acordou
Do profundo adormecer
A vida que hibernou
Volta p’ra florescer!
As boninas nos caminhos
Ou dispersas pelos campos
Dão guarida às joaninhas
Outros insetos, que tantos!
O sol acorda mais cedo
P’ra dar vida a todo o ser
O lagarto, a cobra, a medo,
Tornam a aparecer!
As andorinhas voltaram
Tanta vida a enxamear!
Os rouxinóis encantaram
Com o seu belo trinar!
Primavera traz surpresa
Um fascínio! Alegria!
Borda a cores, a natureza
Sons, perfumes, poesia!
Dulce Sousa
(11) Flor em botão
Que magia! Que feitiço!
Deslumbre da natureza
A espiar cheio de viço
Espetáculo! Beleza!...
Paro!... Olho deslumbrada!
Eis um projeto em botão!
Fico muda … deliciada
Toco-o na minha mão!
Uma futura promessa
De um capital bem maior!
A sorrir! A toda a pressa
Ser fruto, após ser flor!
E com pujança também
Outros com igual valor!
Carregam a árvore mãe
Em todo o seu esplendor!
Dulce Sousa
(10)
neste dia onde falamos de ti
sabias que
tens um dia,
um dia
ensolarado,
onde os
peixes te sorriem,
e as fadas te anunciam,
os muros
desmoronam
e as
pistolas se quebram,
as fardas essas se consomem,
em línguas
de fogo
luzidio.
tu tens um
dia, na liberdade de seres
os clarins
de uma nova,
não
precisando de licenças,
tu tens um
dia poema,
onde
cantamos e dançamos,
nas praias ou nas florestas
andando e
caminhando,
nos becos e
nas avenidas,
nas ruas e
nas praças,
da liberdade,
em ti.
joaquim
armindo
21/3/2025
(9)
uma carta ao meu pai
como tu
sabes pai, hoje é o teu dia,
não que os
outros não sejam,
mas é um dia especial,
por aqui,
olha, as guerras continuam,
mas com o
teu sorriso,
queremos as aniquilar,
sei que
também queres isso,
e o sol
nasça para todos nós,
como um ribeiro florido,
as flores
continuam a nascer,
os teus
bisnetos também,
sei que os querias ter nas tuas mãos,
e tens, como
sabes, o sorriso do james,
ou da menina
que vai nascer,
estás com eles, também sei,
eu sinto-te
nas minhas mãos,
das vidas
que construímos,
com o teu sorriso,
ao lado das marés,
que vivificam o poema,
pronto,
deixa lá, queria escrever-te hoje.
joaquim
armindo
19/3/2025
(8)
A volumetria da solidão
Consegues
medir o quão vazia é a tua solidão?
Acordares
sozinho e não teres a quem dar a mão?
Saberes que
é sábado e teres trabalhado a semana inteira até às desoras?
Saberes que
já não és casado nem sequer namoras?
Sentires que
te deitas sozinho com um copo de vinho do porto na mão?
Que abres a
cama e que vês apenas uma fronha e um edredão?
Acordas a um
domingo e sabes que vais sozinho almoçar?
Chegas ao
domingo à noite e não tiveste ninguém com quem falar?
A volumetria
da solidão
Tem uma
profunda razão
Porque
ousaste um dia aprender a dizer que não
E nesse dia
aprendeste uma enorme lição
Que passaste
uma vida inteira a todos agradar
Sem parares
para em ti pensar
Esta é a
história do Aníbal Seraphim
Que passava
a vida a dizer que sim
Agora fica
sozinho na praia a contemplar o mar
Sem ter um
carinho no encanto das noites de luar
Aníbal
Seraphim
(7)
RIO DO ESQUECIMENTO
Diz-me, rio
que me corres no peito,
Da longe
aldeia onde cresci;
Se inda o
melro canta ali
Melodias a
seu bel-jeito.
Diz-me das
searas a bailar,
Longas
tranças de oiro ao vento;
Do bosque
sombrio, sonolento,
Onde me eu
deitava a sonhar.
Diz-me de
tuas fragas agrestes
E das frias
fontes cristalinas
De onde te
lançaste às ravinas
Beijando
cardos e giestas.
Diz-me do
sino solitário,
Se inda o
ouvem as crianças
- Ou não são
mais que lembranças,
Folhas
soltas do meu diário.
Diz-me dos
povos, diz-me dos prados...
Vida
ofertaste pelo caminho:
Alfazema,
rosmaninho,
Lebre e
raposo irmanados.
Traz-me,
rio, a canção, o cheiro
Da terra que
não esqueci;
Mis lágrimas
esconde em ti,
De saudade
morra eu primeiro.
Ana
Ferreira da Silva
(6)
CANÇÃO DE LIANOR
Descalça
desce ao rio Lianor menina
- Trancinhas
de noite, nos olhos as estrelas,
Candeias de
África, luzes tão belas –
Saltitando
vai descendo a ravina.
Ágil gazela
que ao Sol despertou,
Cantando em
coro, a água vai buscar;
De regresso
o carrego a faz vergar,
Sonha com o
poço que alguém lhe contou.
E vai
sonhando Lianor acordada,
Poços, rios,
ribeiros, o mar sem fim;
E para
aliviar a sede do capim,
Chuva,
chuva, muita chuva abençoada.
E sonha
Lianor com livros que leu
Na escola da
missão, no ano passado;
E ao anjo
pede, que caminha a seu lado,
Rede de cipó
para dormir lá no Céu. CANÇÃO DE LIANOR
Descalça
desce ao rio Lianor menina
- Trancinhas
de noite, nos olhos as estrelas,
Candeias de
África, luzes tão belas –
Saltitando
vai descendo a ravina.
Ágil gazela
que ao Sol despertou,
Cantando em
coro, a água vai buscar;
De regresso
o carrego a faz vergar,
Sonha com o
poço que alguém lhe contou.
E vai
sonhando Lianor acordada,
Poços, rios,
ribeiros, o mar sem fim;
E para
aliviar a sede do capim,
Chuva,
chuva, muita chuva abençoada.
E sonha
Lianor com livros que leu
Na escola da
missão, no ano passado;
E ao anjo
pede, que caminha a seu lado,
Rede de cipó
para dormir lá no Céu.
Ana
Ferreira da Silva
(5)
ao som do sol para ti
sabes de onde vêm as
borboletas,
do sol, da lua e das
estrelas,
deste cosmos imenso
de onde parte o infinito
ali tu estás procurando e
dando
infinitamente,
as raízes do campo, dos
mares e dos areais
que em teu corpo existem,
onde realizas o teu fogo,
da boca uma onda
grande, como nos
temporais,
embriagas os mais
pequenitos
e os grandes também,
a tua voz poeta
ao som dos bandolins e dos
tambores
e das flautas, também dos
acordeões,
dos foguetes e da música,
festejas a vida,
que sai de ti, para ti,
para os outros,
neste mundo onde vai
faltando a vida.
(4)
QUERO-TE LIVRE!
Quero-te, coração, livre;
Gaivota de prata em
plúmbeo céu de Inverno,
Salados ventos cruzados
rompendo,
Incandescente glória do
ocaso demandes;
Quero-te afoita andorinha
migrante,
Do remoto voo almejado
destino celebrando;
E paciente, teu refúgio em
impensados beirais
Ao ódio inacessível
edifiques.
Quero-te
Ave canora de esplendorosa
plumagem ou negro melro,
Cantes elevados hinos ao
amor,
Consolação de almas
separadas por crua guerra.
Quero-te altaneira águia
ou pequeno falcão,
Do infinito com teu olhar
doirado sigas
A humana escravidão de
grilhões ou palavras,
Todo o sofrimento e suas
razões.
E então, coração meu,
Gaivota, andorinha, canora
e rapina,
Com os caminhos da vida
diante de ti rasgados,
Escolher hás o mais
incerto e pedregoso;
E quando te eu vir
O corpo dilacerado, as
asas quebradas,
Teu olhar contudo firme em
teu anelo,
Saberei que terás provado
o doce fruto que buscavas:
Saberei que terás
encontrado o caminho da liberdade.
Ana
Ferreira da Silva